As reações no mundo político à decisão de Dino sobre recondução de Andrei Rodrigues na PF

Enquanto nomes da direita criticaram o que veem como interferência de um ministro na decisão de outro, integrantes da base governista disseram que a liminar restabeleceu a autonomia dos Poderes

9 set 2026 - 15h49
(atualizado às 16h49)
Resumo
A decisão do ministro Flávio Dino de reintegrar Andrei Rodrigues ao comando da PF aprofundou a crise no STF e gerou forte embate político. Integrantes da oposição criticaram a medida, chamando o ato de interferência jurídica indevida e cobrando o Senado. Em contrapartida, a base governista apoiou a liminar, defendendo a autonomia dos Poderes, enquanto o presidente Lula cobrou o fim de vazamentos seletivos e a quebra total do sigilo das apurações do caso Master para garantir ampla transparência.
Decisão do ministro Flávio Dino que devolveu Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal aprofundou a crise no Supremo
Decisão do ministro Flávio Dino que devolveu Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal aprofundou a crise no Supremo
Foto: AFP via Getty Images / BBC News Brasil

A decisão do ministro Flávio Dino que devolveu Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal aprofundou a crise no Supremo Tribunal Federal e provocou reações de candidatos, senadores e deputados.

Enquanto nomes da direita criticaram o que veem como interferência de um ministro na decisão de outro, integrantes da base governista disseram que a liminar restabeleceu a autonomia dos Poderes.

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Dino determinou nesta quarta-feira (9/9) a reintegração de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.

Os dois haviam sido afastados na véspera por decisão de André Mendonça, posteriormente referendada por maioria na Segunda Turma do STF.

A liminar de Dino atende a pedido de Andrei em processo sob sua relatoria sobre recursos de emendas destinados a empresas ligadas ao filme Dark Horse.

Dino afirmou que a decisão de Mendonça prejudicaria investigações em curso e chamou a ordem do colega de possível "decisão em causa própria".

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O ministro também argumentou que o Partido Novo não poderia pedir uma medida contra Andrei e que a controvérsia deveria ser analisada pelo plenário, não pela Segunda Turma.

Edson Fachin havia dado 72 horas para Mendonça se manifestar sobre recurso da AGU contra o afastamento, mas cancelou a sessão do Supremo prevista para esta quarta.

'Virou várzea' e 'ditadura da toga': a reação dos presidenciáveis

Candidatos a presidente usaram as redes sociais para comentar a medida de Dino.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) disse que o país "virou várzea" e cobrou uma sessão pública imediata. "Ministro Fachin tem que resolver isso", escreveu.

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que a decisão representa "o Brasil dos intocáveis", reiterou apoio a Mendonça e mencionou o pedido do Novo para que Andrei seja preso.

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O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que Dino "virou imperador do Brasil e implodiu a segurança jurídica", antes de chamar o episódio de "Ditadura da Toga".

O senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, disse que Dino "atropela" a decisão de Mendonça, a maioria já formada na Segunda Turma, o recurso da AGU a Fachin e as regras de competência e processo.

O tema também foi comentado por parlamentares.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI do INSS, cobrou uma reação do Senado à disputa em torno da cúpula da Polícia Federal e cobrou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, convoque sessão para tratar de impeachment.

Candidato ao Senado por Santa Catarina, o senador Esperidião Amin (Progressistas) classificou a decisão como "cambalacho".

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Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) chamou a decisão de "lambança" e resumiu a crise como "várzea".

Lula pede quebra completa de sigilo de investigações no caso Master

O presidente Lula (PT) se manifestou na manhã desta quarta-feira (9/9) após a escalada da crise do STF e cobrou "mais transparência" nas investigações relacionadas ao caso Master.

Em publicação no X, Lula defendeu a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos, "seja quem for, doa a quem doer".

"O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário."

O presidente também afirmou que não devem ocorrer "vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral"

Confira a manifestação de Lula na íntegra:

"Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário. Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral. A divulgação da verdade, como aconteceu na Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro Lewandowski, é um exemplo a ser seguido. Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade."

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Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, disse no X que a decisão de Flávio Dino restabelece a autonomia dos poderes.

"É inaceitável qualquer interferência indevida no processo eleitoral. A eleição de outubro não é sobre o STF. É sobre o futuro do Brasil. Vamos limpar campo e debater o que importa: o fim da escala 6x1, a soberania nacional e as propostas que interessam aos trabalhadores brasileiros. Nesse campo é 7x1 pro Lula contra Flávio Bolsonaro. Pra cima!", disse.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) defendeu a abertura do sigilo de toda a investigação envolvendo o Banco Master e Vorcaro. "Uma ilegalidade já foi corrigida, agora tem de abrir o sigilo de toda essa investigação!"

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