A morte da professora Juliana Faustino Bassetto, 27, após uma aula de natação em uma academia no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo, reacendeu o debate em todo Brasil sobre a segurança e o tratamento da água em piscinas de uso coletivo. Afinal, há uma regra nacional que regulamente o funcionamento de piscinas públicas ou de uso comum?
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Normas e leis nas esferas municipal, estadual e federal disciplinam o funcionamento de piscinas públicas ou de uso coletivo, como as de academias e hotéis. No entanto, não existe uma regra nacional que obrigue os estabelecimentos a disponibilizar aos usuários informações sobre a qualidade da água de cada piscina. Isso costuma caber aos municípios.
Em São Paulo, por exemplo, uma portaria da Secretaria Municipal de Saúde de 2015 estabeleceu condições higiênico-sanitárias às piscinas de academias, clubes esportivos e recreativos. Além de diretrizes sobre o tratamento, a norma obriga estabelecimentos do gênero a manter disponíveis aos usuários "dados relacionados ao pH e cloro residual livre do tanque da piscina".
Conforme dispõe a portaria, as medições precisam ser efetuadas “antes do início das atividades em cada um dos períodos de funcionamento: manhã, tarde ou noite”. Todos os registros devem ser assinados pelo funcionário responsável e arquivados por, no mínimo, seis meses. Há também outros locais que adotam normas semelhantes.
Condomínios
Em São Paulo, as piscinas dos condomínios são regidas por um decreto estadual de 1979. O texto obriga a manutenção periódica nos reservatórios desses locais e diz que eles devem seguir condições mínimas de balneabilidade.
O tema também é tratado em uma lei federal de 2022, que dá parâmetros gerais à operação de piscinas coletivas. O texto diz que cabe aos proprietários, administradores ou responsáveis técnicos pelos estabelecimentos "respeitar, na construção e na manutenção de piscinas e similares, as normas sanitárias e de segurança pertinentes expedidas pelas entidades credenciadas pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro)".
Ainda no plano nacional, há também a Resolução nº 332/2025 do Conselho Federal de Química (CFQ), que revogou a antiga norma de 2000 e passou a exigir a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) emitida por um profissional da Química habilitado para o tratamento químico e controle da qualidade da água.
Na prática, isso significa que não basta mais contar com funcionários do edifício para cuidar da piscina. A responsabilidade técnica precisa ser formalmente atribuída a um químico, seja ele contratado como autônomo, empregado ou prestador de serviço, e comprovada por meio de ART registrada no Conselho Regional de Química (CRQ). O documento precisa estar afixado em local visível ao público.
Qual é a principal suspeita sobre a morte da professora?
A principal suspeita é de que ao entrar em contato com a água, os produtos tenham provocado uma reação química, liberando gases tóxicos que podem ter causado lesões nas vias aéreas de Juliana Faustino Bassetto e de outros alunos.
Além da professora e do marido, pelo menos outras quatro pessoas precisaram de atendimento médico: três adultos e um adolescente de 14 anos, cujas identidades não foram divulgadas.
A Polícia Civil apreendeu diversos produtos usados na manutenção da piscina. A perícia apura se houve erro na dosagem das substâncias ou o uso de produtos irregulares no tratamento da água.