Castigada pelo verão mais quente já registrado, com seca severa e ondas de calor, a produção de vinho na França deve ser uma das piores em 30 anos. A safra estimada para 2026 é de 33,9 milhões de hectolitros, marcando o terceiro ano seguido de queda, com perdas críticas em Champagne (-49%). A crise climática antecipou a colheita, reduziu a produtividade e afetou outras culturas agrícolas, levando o governo francês a anunciar um pacote emergencial de mais de 1 bilhão de euros para o setor.
Verão mais quente já registrado no país reduziu a produtividade dos vinhedos, e safra deve registrar queda pelo terceiro ano seguido. Na região de Champagne, colheita caiu quase pela metade em relação ao ano passado.Após um verão marcado por ondas de calor, incêndios, e seca severa, a produção de vinho na França deve ser uma das piores dos últimos 30 anos, informou nesta segunda-feira (07/09) o Ministério da Agricultura francês.
A primeira estimativa oficial para a produção francesa no ano de 2026 está em 33,9 milhões de hectolitros, ou cerca de 4,5 bilhões de garrafas — 6% a menos do que no ano passado. O valor está 17% abaixo da média do período entre 2021 e 2025. É o terceiro ano consecutivo de safra fraca no país.
A França é o segundo maior produtor de vinhos do mundo (atrás apenas da Itália), e o maior exportador em termos de valor. Além das condições climáticas, o setor também foi impactado pelas tarifas vindas dos Estados Unidos, e por mudanças nos hábitos de consumo.
Champagne está entre as regiões afetadas
A queda é particularmente grave em Champagne, no Nordeste do país, onde a produção deve ficar 49% abaixo do nível de 2025 e 47% inferior à média dos últimos cinco anos.
Outras regiões também devem registrar queda: em Bourgogne-Beaujolais, a produção deve ser um terço menor do que no ano passado; em Val de Loire, deve cair 12%; e em Charentes, 6%.
Já a maior região produtora da França, Languedoc-Roussillon, espera um crescimento de 5% em relação ao ano passado. Em Bordeaux, a safra deve ser 10% melhor em relação a 2025, depois que as chuvas do fim de agosto ajudaram a amenizar os efeitos da seca. A produção nas duas regiões, contudo, segue abaixo da média.
Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), 2025 já havia sido uma baixa histórica na produção de vinhos francesa, a menor safra desde 1957.
Crise climática pressiona agricultura francesa
Produtores de vinho na França iniciaram a colheita das uvas mais cedo do que o normal em 2026 devido às condições de calor extremo, de acordo com o Ministério da Agricultura. O mesmo aconteceu em outros países da Europa.
Embora a primavera tenha inicialmente proporcionado perspectivas melhores para a colheita deste ano, a seca e as ondas de calor do verão danificaram os vinhedos e reduziram a produtividade.
Além disso, a área cultivada para a produção de vinho está 2,5% menor em 2026 em comparação com 2025, já que produtores chegaram a arrancar parte de seus vinhedos nos últimos anos pelo excesso de oferta em relação ao consumo.
Não só os vinhedos têm sentido o impacto da crise climática. A agricultura francesa foi fortemente impactada pelas ondas de calor recorde e pela seca deste verão. Em agosto, o jornal The Guardian noticiou estimativas de perdas de milhares de toneladas de hortaliças, incluindo alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró.
Na sexta-feira (04/09), A França anunciou um pacote emergencial de ajuda para agricultores com valor superior a 1 bilhão de euros.
Em outros países da Europa, como Espanha, Grécia, Itália e Portugal, as condições do clima têm pressionado o cultivo de oliveiras e a produção de azeite.
(Reuters, AFP)
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