O Tarifaço de Donald Trump tem tirado o sono de muita gente. A princípio, o governo brasileiro prefere a diplomacia ao confronto comercial. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) declarou recentemente que o país buscará negociações contínuas com os Estados Unidos sobre o Tarifaço. A fala ocorre logo após a confirmação da taxa de 25% sobre produtos nacionais, anunciada pela gestão de Donald Trump.
As novas tarifas entram em vigor nesta quarta-feira. Antecipadamente, o vice-presidente se reuniu com empresários dos setores mais atingidos para alinhar as primeiras respostas do Tarifaço. Ao ser questionado sobre o uso da Lei de Reciprocidade, Alckmin adotou um tom cauteloso:
"A ideia não é retaliação. Não é retaliação. 'Olho por olho', o que pode acontecer é os dois ficarem cegos, né?"
Diante desse cenário, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) posicionou-se contra a imposição de tarifas punitivas aos produtos americanos. Para os industriais, o contra-ataque comercial pode prejudicar ainda mais o mercado interno.
Do mesmo modo, a equipe econômica trabalha para mapear os prejuízos e encontrar alternativas globais para o Tarifaço. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, reuniu-se com lideranças empresariais para medir os impactos reais sobre empregos e lucros.
Em parceria com a ApexBrasil, o governo articula a abertura de novos compradores internacionais. As autoridades tentam compensar o prejuízo provocado pelo tarifaço de Trump com a expansão em outros continentes. Elias Rosa criticou publicamente a postura americana:
"A decisão do governo norte-americano não deixa de ser injusta e descabida, mas isso não significa que o governo brasileiro deixará de ajudar o setor."
Portanto, as entidades setoriais cobram medidas práticas de apoio financeiro. A Abimaq e a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) defendem o fortalecimento do programa Brasil Soberano. A proposta prevê a liberação de linhas de crédito especiais para socorrer as empresas atingidas pelo tarifaço de Trump.
Contudo, representantes do setor de calçados alertam que a ajuda precisa ser adaptada ao perfil de cada segmento. A desburocratização no acesso aos recursos surge como exigência central dos pequenos e médios empresários.
Em contrapartida, o setor têxtil também reforça a necessidade de esgotar as vias diplomáticas. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) defende a união de forças entre os setores público e privado. Fernando Pimentel, presidente emérito da Abit, destacou a importância das conversas diretas:
"Nossa proposta é de que não haja reciprocidade. Negociar, negociar, negociar, seja com a diplomacia empresarial privada, diplomacia governamental, as duas juntas. Nós temos conversado com as nossas contrapartes nos Estados Unidos."
Entenda a origem do impasse comercial
A crise do Tarifaço começou quando o governo norte-americano concluiu uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O órgão aplicou a sanção com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Esse dispositivo permite que a Casa Branca imponha barreiras a países acusados de práticas comerciais prejudiciais.
Em resumo, o governo federal reitera que a medida não possui justificativa econômica real. As autoridades brasileiras classificam a decisão do Tarifaço como um ato puramente político, mas prometem manter os canais diplomáticos abertos para reverter as perdas.