Dados mostram que mais navios estão mudando de rota no Mar Vermelho após ameaças dos houthis

22 jul 2026 - 11h47

Quatro navios-tanque mudaram de rota no Mar Vermelho nesta quarta-feira, ‌sendo que dois indicaram o Canal de Suez como seu novo destino, depois que a milícia houthi do Iêmen alertou os navios para que evitassem navegar para portos da Arábia Saudita, segundo dados de rastreamento de navios.

Os houthis, alinhados com o Irã, declararam na segunda-feira um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, abrindo uma nova frente potencial contra os Estados Unidos em sua guerra com o Irã e aumentando a ameaça ao abastecimento energético ⁠global e ao comércio além do Golfo Pérsico.

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"A ameaça de ações hostis dos houthis contra a Arábia Saudita... começou ‌a ter um efeito geral sobre a atividade dos petroleiros", afirmou a corretora marítima Clarksons em uma nota.

"Há relatos de que vários petroleiros, após carregarem no porto de Yanbu, na Arábia Saudita, no Mar Vermelho, mudaram ‌de rota em direção ao Canal de Suez, em vez de navegarem ‌para o sul em direção ao estreito de Bab el-Mandeb, enquanto outros mantêm suas posições aguardando novas ⁠instruções."

MAIOR RISCO DE ATAQUES

Navios com vínculos com Israel, os Estados Unidos ou a Arábia Saudita correm maior risco de serem atacados pelos houthis e são aconselhados a evitar viagens pelo Mar Vermelho e pelo Golfo de Áden até que o nível de ameaça diminua, informou a força naval Aspides da União Europeia nesta quarta-feira em um comunicado visto pela Reuters.

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Qualquer embarcação que tenha atracado recentemente, carregado ou descarregado carga em portos sauditas deve "reduzir sua pegada ‌eletrônica, minimizando as transmissões do AIS (sistema de rastreamento de navios) e limitando qualquer informação digital acessível ao público que ‌possa facilitar a identificação como alvo", ⁠afirmou o comunicado.

Todos os quatro ⁠petroleiros mudaram de rumo, dois dos quais sinalizaram como destino águas abertas no Mar Vermelho, de acordo com dados de rastreamento ⁠de navios da LSEG e da MarineTraffic e análises do grupo ‌britânico de gestão de riscos marítimos ‌Vanguard.

Um quinto navio — um transportador de veículos chamado Liu Jiang Kou — parece ter mudado de rota no Golfo de Áden na quarta-feira, após indicar o porto saudita de Jeddah, no Mar Vermelho, como seu próximo destino, segundo dados de navegação. A administradora do navio, o grupo chinês COSCO Shipping, não respondeu imediatamente ⁠a um pedido de comentário.

Três petroleiros carregados com petróleo bruto saudita com destino à China e à Índia deram meia-volta no Mar Vermelho na terça-feira, rumando para o Canal de Suez em vez de enfrentar a costa iemenita. Um desses petroleiros era o Xin Long Yang, administrado pela COSCO.

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ALTERNATIVA CRÍTICA AO ESTREITO DE HORMUZ

O fechamento da porta de entrada sul do Mar Vermelho eliminaria uma ‌alternativa crucial ao Estreito de Ormuz para a Arábia Saudita e aumentaria os temores de escassez.

"Este embargo (dos houthis) levanta sérias questões sobre a viabilidade das rotas para o leste a partir do porto de Yanbu, na ⁠Arábia Saudita - o ponto de saída de seu oleoduto leste-oeste", afirmou a corretora marítima Braemar em uma nota separada.

Vários petroleiros ainda eram visíveis perto do ancoradouro de Yanbu na quarta-feira, segundo dados de rastreamento de navios.

O tráfego no Mar Vermelho ainda não se recuperou totalmente desde que os ataques dos houthis na costa do Iêmen começaram em novembro de 2023, em uma ação que o grupo justificou como solidariedade aos palestinos na guerra de Gaza.

Os ataques do grupo a navios mercantes só terminaram com o cessar-fogo em Gaza, em outubro passado.

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Os houthis alertaram as empresas de navegação para que não carregassem nem descarregassem cargas nos portos da Arábia Saudita, sob pena de se tornarem alvos. Fontes de segurança marítima, por sua vez, afirmaram ter recebido gravações de avisos separados dos houthis a navios no Mar Vermelho desde segunda-feira.

"Eles alertam todas as embarcações que pretendem seguir para portos sauditas de que serão alvos fáceis", disse uma fonte do setor de navegação que recebe atualizações de um navio no Mar Vermelho.

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