'Matar uma de nós é muito mais fácil', diz Cármen Lúcia durante julgamento do caso Marielle

Ministra do Supremo Tribunal Federal abordou a violência de gênero ao votar pela condenação dos irmãos Brazão

26 fev 2026 - 12h34
(atualizado às 12h55)
Ministra Cármen Lúcia na terceira Sessão do julgamento do caso Marielle Franco no STF
Ministra Cármen Lúcia na terceira Sessão do julgamento do caso Marielle Franco no STF
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Ao votar pela condenação dos irmãos Domingos e João Francisco Brazão pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), abordou a violência de gênero nesta quarta-feira, 25.

Terceira a se manifestar no julgamento dos cinco acusados de planejar as mortes, a magistrada destacou, em seu voto, o machismo e o racismo presentes no caso. Segundo ela, mulheres muitas vezes não são tratadas como “sujeitos de direitos”, o que as torna alvos mais vulneráveis em comparação aos homens.

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“Somos quase, muito parecidas com sujeitos de direito, mas ainda não temos a integridade de reconhecimento pleno. Então, matar uma de nós é muito mais fácil. Matar fisicamente, matar moralmente, matar profissionalmente”, afirmou.

Cármen Lúcia recordou que, durante reuniões, os acusados chegaram a considerar o assassinato de uma mulher como forma de enviar um “recado” político, lógica que não seria adotada caso o alvo fosse um homem na mesma posição, citando o ex-deputado Marcelo Freixo.

“Marcelo Freixo, quando foi projetado inicialmente como possível alvo, foi mais difícil. Chegou-se a dizer expressamente que se tratava de presidente de partido, que não podia. Já uma mulher, ponderou, seria ‘apenas para dar um recado: se continuar, vai ter o mesmo fim’“, destacou.

STF condena irmãos Brazão a 76 anos de prisão pelas mortes de Marielle Franco e Anderson
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Por unanimidade, a Primeira Turma do STF condenou, nesta quarta-feira, Domingos Brazão e Chiquinho Brazão por planejarem as mortes de Marielle e Anderson. Ambos receberam pena de 76 anos e três meses de prisão, além da perda dos direitos políticos, incluindo a inelegibilidade e o direito ao voto.

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Confira as penas estabelecidas aos envolvidos:

  • Domingos Brazão, ex-deputado estadual e conselheiro no TCE-RJ: condenado a 76 anos e 3 meses de reclusão
  • Chiquinho Brazão, ex-deputado federal: condenado a 76 anos e 3 meses de reclusão
  • Ronald Paulo Alves Pereira, major da PM: condenado a 56 anos de reclusão
  • Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e chefe da Polícia Civil: absolvido do crime de assassinato, mas condenado a 18 anos de reclusão pelos crimes de obstrução à justiça e corrupção
  • Robson Calixto Fonseca, PM e ex-assessor de Domingos Brazão: condenado a 9 anos de reclusão
Fonte: Portal Terra
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