Um grupo de manifestantes se reuniu na tarde desta sexta-feira, 13, em frente à sede do SBT, em Osasco, na Grande São Paulo, para protestar contra Ratinho. A manifestação foi motivada por declarações transfóbicas que o apresentador deu sobre a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP).
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O protesto foi organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto de São Paulo (MTST-SP) e pelo Movimento Revolução Solidária, do PSOL. Manifestantes ficarem na portaria da emissora com faixas e cartazes enquanto discursavam sobre o ocorrido.
"A gente está aqui na frente do SBT que mudou de nome hoje. Não é mais Sistema Brasileiro de Televisão. É Sistema Brasileiro Transfóbico", disse uma das manifestantes em referência ao nome do canal de televisão criado por Silvio Santos.
"Racismo, machismo e transfobia matam todos os dias. E vocês, homens, não deveriam ser coniventes. Assim como a gente espera que o SBT também não seja A gente está aqui lutando por uma sociedade mais justa e igualitária", afirmou outra manifestante.
O Terra procurou o SBT e aguarda resposta. A emissora já havia se pronunciado anteriormente sobre as falas de Ratinho e disse que as declarações do apresentador não condizem com a postura da empresa. "O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores", diz o comunicado.
Erika Hilton protocolou uma ação contra o apresentador no Ministério Público Federal após Ratinho criticar durante um programa ao vivo no SBT a eleição da parlamentar para a presdiência da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. O comunicador chegou a declarar que a deputada não deveria ocupar o cargo por ser uma mulher trans.
"Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres. Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente”, disse Ratinho durante um programa exibido na última quarta-feira, 11.
O comunicador ainda falou que para “ser mulher, precisa ter útero” e reforçou o discurso preconceituoso ao questionar se Erika seria “deputada ou deputado”. “Eu sou contra, devia deixar uma mulher ser presidente da comissão. Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher”, finalizou.
No processo, Erika Hilton protocolou um pedido de investigação no Ministério Público Federal contra o apresentador Ratinho e o SBT. A parlamentar pede, além do inquérito, a abertura de uma ação civil pública e a indenização de R$ 10 milhões.
Além disso, a deputada também pediu ao Ministério das Comunicações a suspensão do Programa do Ratinho por 30 dias. Ao Terra, o ministério confirmou que recebeu a representação administrativa encaminhada pela deputada, que "será analisada pela equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad), seguindo os trâmites administrativos e legais cabíveis."
Ratinho se pronunciou sobre o assunto nesta sexta-feira, 13, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais. "Defendo a população trans, mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito, é jornalismo. Não vou ficar em silêncio", declarou o apresentador.