O treinador de jiu-jítsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão, de 47 anos, foi preso pela Polícia Civil do Amazonas na noite de segunda-feira, 27, em Manaus (AM), por suspeita de crimes sexuais contra alunas adolescentes. Uma das vítimas é uma jovem de 17 anos.
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Um áudio do treinador famoso à família da menina foi o que levou as autoridades a pedirem sua prisão temporária. O caso veio à tona após denúncia feita pela adolescente, que relatou que o crime aconteceu durante uma competição realizada fora do Brasil.
“Eu só queria deixar claro algumas coisas. E dizer primeiro que eu estou totalmente arrependido, totalmente angustiado. Nem dormi ontem, por conta do que eu fiz. Acho que nada justifica, nenhuma coisa pode justificar o meu comportamento. Eu como líder, como um cara que já tem uma certa idade, não poderia ter repetido esse comportamento com a sua filha”, afirma Melqui.
Em seguida, ele afirma que nunca planejou o que aconteceu e que a menina não tem culpa. Depois, ele descreve que o tratamento que a jovem teve com ele foi "diferente" do que ele já recebeu de outros alunos.
“Ela me tratava de uma maneira que nenhum aluno me tratava. Isso me levou a crer que existia alguma coisa além de um sentimento de aluno e professor, então, a culpa não é dela”, diz.
“Eu tinha a obrigação de ter bloqueado esse tipo de pensamento, de ter repreendido ela caso esses sentimentos fossem verdadeiros e não fiz, então eu falhei com ela”, complementa. O treinador ainda reconhece que, além da aluna, falou também com os pais dela, a esposa e também com as pessoas que confiam em seu trabalho.
No áudio, Melqui pede que à família considere que a menina continue competindo até chegar até o mundial, onde provavelmente conseguiria a faixa preta, e se propõe a pagar as despesas da família para acompanhá-la. O suspeito também diz que consegue que a menina realize o sonho de ter uma academia nos Estados Unidos.
“Vocês já entrariam como sócios de uma academia nos Estados Unidos. Muda a vida de vocês inteiros. Você [vai] poder criar sua família nos Estados Unidos, as suas filhas, sua esposa nos Estados Unidos. Não ache que isso é pouca coisa. Isso é muita coisa. Uma pessoa com 17, 18 anos já tem uma própria academia. Mas isso só é possível, por conta da marca que foi criada”, declara.
Além disso, o treinador alega que está nas mãos da família da vítima e que “qualquer coisa que o Melqui venha a sofrer vai impactar diretamente na marca”. Depois, ele pede desculpas, afirmando que tem que ser punido.
O Terra não localizou até o momento a defesa do suspeito.
O que diz a Polícia Civil
Em nota ao Terra, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que o é investigado pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde os pais das adolescentes apresentaram a gravação na qual o suspeito admite o crime de forma indireta. Além disso, a Polícia Civil também teve acesso à mensagens trocadas com Melqui Galvão, nas quais foram verificados indícios da prática criminosa.
“Diante dos fatos, a delegada solicitou a prisão temporária do suspeito, que foi deferida pela Justiça. Também foram deferidos mandados de busca e apreensão, devidamente cumpridos pela equipe da 8ª DDM. Na noite desta segunda-feira (27), o homem se entregou à Polícia Civil do Amazonas”, diz o comunicado
Ainda segundo as autoridades, ao longo das diligências, também foram identificadas outras duas vítimas. Uma delas tinha 12 anos quando o crime ocorreu.
Já a Polícia Civil do Amazonas informou que o treinador, que também é policial civil, estava lotado no setor de capacitação da instituição, atuando como instrutor de defesa pessoal. Ele foi afastado de suas funções e seguirá assim até a conclusão das apurações. Além disso, já foi iniciada a apuração sobre a regularidade do vínculo funcional e eventuais incompatibilidades no exercício de atividades fora do estado.
“A instituição também determinou o imediato encaminhamento do caso à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública, para instauração de procedimento administrativo disciplinar para apuração rigorosa das circunstâncias. A Polícia Civil do Amazonas reforça que não compactua com qualquer tipo de irregularidade ou desvio de conduta, reiterando seu compromisso com a legalidade, a ética e a transparência”.