O arquiteto e artista Augusto Mendonça relata em um vídeo publicado nas redes sociais que foi agredido durante o carnaval em Olinda (PE), quando estava vestido como drag queen. "Isso aqui no meu rosto não é maquiagem, eu adoraria que fosse, mas é marca da homofobia", diz ao iniciar o registro.
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Segundo Mendonça, o caso aconteceu no último domingo, 15, e as agressões foram praticadas por um grupo de jovens. Ele conta que foi à cidade encontrar amigos, deixou o carro no bairro Varadouro e seguiu caminhando pelas ladeiras.
Ao passar pelo bairro do Carmo, viu a aproximação de um grupo e recebeu a primeira ofensa. "Um dos caras do grupo falou assim: 'Nossa, que bicha feia'. Eu respondi 'boa noite', passei, segui, não vou fazer nada, reagir".
Mas um segundo grupo vinha logo atrás. Foi quando um dos jovens agrediu o rosto de Mendonça. "Não sei se foi um soco, se foi um tapa, foi muito certeiro, acertou o meu olho. Eu me abaixei e botei a mão. Aí vinha um grupo de meninas, não sei se também era do grupo deles, e o sentimento que me deu naquela hora, logicamente, foi de revolta, foi de ir para cima, mas eu não podia fazer nada, a não ser lutar pela minha vida, porque se eles se juntassem talvez eu não estivesse aqui hoje", afirma.
"Esse vídeo aqui é para mostrar a vocês o quanto que a homofobia existe, o quanto que o simples fato de você existir incomoda. Eu não sou travesti, eu não sou trans. Eu estava, digamos, com uma fantasia e sofri a agressão. Talvez se eu estivesse de boy não tivesse sofrido, talvez. Mas é para vocês verem o quanto essa doença é real no nosso estado, no nosso país, no mundo", acrescenta o arquiteto.
De volta ao Recife, ele procurou atendimento médico e decidiu fazer um boletim de ocorrência. "O soco que ele deu foi para matar, foi para aniquilar, foi para destruir uma face, um rosto que é livre. Um rosto que se pinta, um rosto que se enaltece, que coloca brilho, que coloca alegria e vive", diz.
Ele conta ainda que demorou para expor o caso porque queria preservar a família e os amigos. Mendonça somente relatou o episódio nas redes sociais na quarta-feira, 18. O Terra também entrou em contato com a Polícia Civil a respeito do caso e aguarda retorno.