A Lotus começou, de fato, a vender carros no Brasil. Controlada pelo grupo chinês Geely desde 2017, a fabricante britânica apresentou os três modelos que formarão sua gama inicial em nosso mercado. Por aqui teremos inicialmente o Emira, o SUV Eletre e o sedã Emeya.
Como o Jornal do Carro antecipou com exclusividade em dezembro de 2025, a operação brasileira começa este ano por meio da Bamaq. Ao todo, serão oferecidas cinco configurações, com preços entre R$ 795 mil e R$ 1,23 milhão.
A chegada ocorre quase oito décadas depois de Colin Chapman começar a construir os carros que dariam origem à Lotus. O fundador da marca defendia a filosofia resumida pela frase "simplifique, depois adicione leveza". Para o engenheiro britânico, retirar peso era mais eficiente do que simplesmente aumentar a potência.
A ideia ajudou a Lotus a introduzir soluções que transformaram a Fórmula 1. O Lotus 25 inaugurou o chassi monocoque de alumínio na categoria, enquanto os modelos 78 e 79 exploraram o efeito solo no fim da década de 1970. A equipe conquistou sete títulos de construtores, seis de pilotos e 79 vitórias em Grandes Prêmios.
O Emeya será vendido apenas na configuração 900. O sedã elétrico tem dois motores que entregam 918 cv de potência e 100,4 kgfm de torque (mesmo conjunto do Eletre) e que garantem tração integral.
Por ser mais baixo e aerodinâmico, acelera de zero a 100 km/h em 2,7 segundos. A velocidade máxima é de 256 km/h. O coeficiente aerodinâmico de 0,20 ajuda a explicar como o modelo consegue combinar o desempenho com alcance declarado de até 532 km.
A bateria tem 102 kWh e pode receber até 420 kW em carregadores de corrente contínua. Nessas condições, a Lotus promete recuperar a carga de 10% a 80% em aproximadamente 15 minutos.
Com 5,14 metros de comprimento e 3,07 m de entre-eixos, o Emeya pesa 2.675 kg. Para facilitar as mudanças de direção, o modelo conta com esterçamento das rodas traseiras em até 3,5 graus.
Lotus Emira mantém motor central e câmbio manual
O Emira é o modelo que mais se aproxima da fórmula tradicional da Lotus. O esportivo tem motor central, tração traseira, dois lugares e pesa mais de uma tonelada a menos que os elétricos da marca.
A versão Turbo SE usa um motor 2.0 de quatro cilindros, turbo, com 406 cv e 48,9 kgfm, da Mercedes-AMG. O câmbio automatizado de dupla embreagem tem oito marchas. O conjunto permite acelerar de zero a 100 km/h em 4 segundos e atingir 291 km/h.
O Emira Turbo SE pesa 1.530 kg e custa R$ 1,03 milhão. Curiosamente, é mais rápido e barato que a configuração V6 SE, que aposta na experiência mecânica para justificar o preço maior.
No topo da gama está o Emira V6 SE, equipado com motor 3.5 V6 sobrealimentado da Toyota (o mesmo do Camry, por exemplo). São os mesmos 406 cv, mas com torque de 42,8 kgfm. A transmissão manual de seis marchas tem grelha exposta, enquanto a aceleração de zero a 100 km/h leva 4,3 segundos. A máxima é de 290 km/h.
Com 1.568 kg, o Emira V6 é ligeiramente mais pesado que o Turbo. Ainda assim, permanece como o representante mais direto da velha receita de Chapman graças ao combo carroceria compacta, motor central, tração traseira e redução de peso.
Lotus aposta em personalização, não em grandes lotes
A operação da Lotus no Brasil será conduzida pelo grupo Bamaq, que reúne concessionárias em 16 unidades da federação. Inicialmente, a empresa pretende manter dois pontos da marca.
A primeira concessionária ficará na Avenida Gabriel Monteiro da Silva, na capital paulista. Porto Feliz, no interior de São Paulo, receberá um showroom permanente no condomínio Boa Vista Village.
Para 2027 está prevista uma estrutura maior no Complexo Shopping Cidade Jardim, também na capital paulista. A loja-conceito terá showrooms, área para eventos e estacionamento reservado aos clientes da marca.
A Lotus pretende atrair consumidores de fabricantes de alto luxo, mas sem buscar grandes volumes. O primeiro lote, formado por aproximadamente 30 veículos, já está praticamente vendido, restando poucas unidades disponíveis. Para o primeiro ano completo de operação, a projeção é comercializar entre 100 e 150 carros.
De acordo com Fabiano Cruz, chefe de operações da Lotus no Brasil, a estratégia não será importar grandes lotes com configurações previamente definidas. A empresa dará prioridade à personalização, permitindo que o cliente escolha as características do carro antes de a unidade ser enviada ao País.
A gama ganhará mais uma opção no último trimestre de 2027, quando está prevista a chegada do Eletre X. A versão híbrida plug-in combina um motor 2.0 turbo a gasolina com dois propulsores elétricos. Os números definitivos para o mercado brasileiro serão divulgados mais perto do lançamento.