Hilux movida a lixo? Toyota estuda versão da picape a biometano

Companhia também deve oferecer o primeiro híbrido plug-in flex do mundo, segundo presidente da Toyota Brasil

26 abr 2026 - 03h35

Imagine se, no lugar do diesel, você pudesse abastecer a sua picape com lixo. Não de forma tão literal, mas é com algo assim que a Toyota está permitindo que seus clientes sonhem. A empresa considera lançar uma versão da Hilux movida a biometano.

Toyota Hilux movida a biometano é o primeiro veículo desse tipo no Brasil
Toyota Hilux movida a biometano é o primeiro veículo desse tipo no Brasil
Foto: Toyota/Divulgação / Estadão

Trata-se de uma opção renovável do gás natural, produzida a partir da decomposição de resíduos orgânicos — o bom e velho lixo. É o que conta Evandro Maggio, presidente da montadora no País

"O biometano é uma opção barata", lembra. "O desafio sempre foi a distribuição e o desenvolvimento técnico dos veículos para rodar com ele. Esse último ponto nós estamos resolvendo e a distribuição pode não ser mais um problema caso a picape rode no campo, em fazendas que já contem com a produção do gás."

O potencial do biometano no agronegócio

Vale lembrar que o combustível pode ser gerado a partir da vinhaça de cana-de-açúcar, o resíduo líquido da produção do etanol. Um prato cheio para regiões focadas nesse cultivo. O biometano também já é utilizado em algumas máquinas agrícolas e caminhões; portanto, muitos fazendeiros que produzem o gás não se incomodariam em utilizá-lo para abastecer também suas picapes.

Hilux movida a lixo poderia reforçar liderança

A Hilux é líder isolada do mercado de picapes médias. Em 2025, somou quase 50 mil emplacamentos e fez "comer poeira" a Ford Ranger, segunda colocada, com 34 mil unidades. Ainda que Maggio ressalte que a versão a biometano seja apenas um estudo por enquanto, a possibilidade poderia impulsionar ainda mais o interesse pelo modelo, reduzindo drasticamente o custo de propriedade.

A ideia já vem sendo ventilada: no primeiro semestre do ano passado, a Toyota apresentou um protótipo com o combustível na Agrishow, a principal feira do agronegócio. A intenção foi sentir o interesse do público que, ao que tudo indica, foi elevado, já que o projeto segue firme no cronograma da marca.

Além da Hilux: Toyota planeja motor híbrido plug-in flex

O projeto da Hilux a biometano é conduzido por um time de 40 engenheiros que integram o que, em breve, será o primeiro laboratório de biocombustíveis da empresa no mundo, que a Toyota instalará em Sorocaba (SP). "Começamos dessa maneira e devemos contar mais detalhes em breve", afirma o executivo.

Outro grande projeto desse empreendimento será um carro híbrido flex plug-in (PHEV), dando mais um passo na eletrificação iniciada em 2019. Naquele ano, a montadora foi pioneira ao lançar o primeiro híbrido flex (HEV) do mundo com o Corolla.

A diferença entre as tecnologias é simples: no híbrido flex comum, o motor elétrico é pequeno e recarregado pelo propulsor a combustão e pela regeneração das frenagens. Já no híbrido plug-in, a bateria é maior e a recarga é feita na tomada, permitindo uma autonomia em modo 100% elétrico maior.

Maggio não confirma datas, mas é certo que a tecnologia que combina motores elétrico e a combustão capaz de rodar com etanol, gasolina ou a mistura dos dois vem aí. "No Brasil, o flex tem um caminho longo por ser uma solução mais sustentável. Por isso, devemos passar por diversas soluções que combinem essa tecnologia a diferentes níveis de eletrificação", promete.

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