A GWM decidiu escolher um palco extremamente barulhento para revelar qual será, de acordo com a fabricante, o primeiro carro híbrido plug-in flex do mundo. Trata-se do Tank 300, jipão com carroceria sobre chassi e tração 4×4, que agora vira laboratório de uma tecnologia inédita.
O movimento tem endereço inicial, claro, o Brasil. A própria GWM tratou de avisar em Pequim de que é daqui que nasce o projeto. Não é exagero dizer que o país, mais uma vez, vira cobaia, e vitrine, quando o assunto é etanol e eletrificação.
A GWM afirma que o modelo já está devidamente homologado e será lançado "muito em breve". A fabricante dará mais detalhes posteriormente, mas a revelação faz cair por terra as ambições da rival BYD, que pretendia ter o primeiro carro híbrido plug-in flex do mundo por meio do BYD Song Pro.
Como é o GWM Tank 300
Quem olha o Tank 300 não imagina que ele será o porta-estandarte dessa transição. Linhas quadradas, estepe pendurado, proposta off-road sem maquiagem. Só que por baixo da casca bruta mora um conjunto que já é sofisticado e que deve ficar ainda mais complexo com a chegada do flex.
Hoje, o sistema Hi4T combina um 2.0 turbo a gasolina com motor elétrico, rendendo 394 cv de potência e 76,4 kgfm de torque. A transmissão automática de nove marchas (9HAT), desenvolvida especificamente para híbridos, reforça que não se trata de uma mera adaptação.
A bateria de 37,1 kWh garante até 75 km no modo 100% elétrico, o que é suficiente para uso urbano contido. E aqui temos um ponto interessante: ao adicionar o etanol à equação, a GWM não busca apenas eficiência, mas também potência. A expectativa, ainda não confirmada oficialmente, é de ganhos adicionais nos números combinados.
O Brasil como laboratório
Toda essa história, claro, não surgiu do nada. Ainda em setembro, a GWM Brasil já havia cravado que o Tank 300 seria seu primeiro híbrido plug-in flex. Desde então, protótipos começaram a rodar em testes, indicando que o desenvolvimento local da tecnologia já se encontrava em estágio avançado.
O sistema deve manter três modos de condução (EV, HEV e Inteligente), além de níveis ajustáveis de regeneração de energia e controle da reserva de bateria entre 30% e 80%. É o tipo de arquitetura que tenta equilibrar eficiência urbana, autonomia em estrada e capacidade fora dela.
A recarga, atualmente, é feita em até 6,5 horas em AC (6,6 kW) ou cerca de 24 minutos de 30% a 80% em DC (50 kW). Já o consumo, hoje na casa de 18 km/l segundo os padrões do Inmetro, deve mudar com a introdução do etanol.
O Tank 300 híbrido plug-in flex não é só mais um lançamento. Enquanto boa parte da indústria ainda trata o etanol como solução local e a eletrificação como caminho global, a GWM tenta fundir os dois mundos.
No Brasil já vem ficando claro que a eletrificação não precisa abandonar suas raízes. Só precisa aprender a beber etanol. No entanto, a apresentação da tecnologia híbrida plug-in flex num palco global coloca o sistema como uma possibilidade para mercados emergentes, commo a Índia, e até mesmo para a China.