O Brasil é considerado um dos maiores mercados de games da América Latina. Globalmente, a indústria de jogos movimenta centenas de bilhões de dólares por ano e segue em expansão. Segundo dados da Statista, o mercado mundial de esports segue em crescimento contínuo, com expectativas de alcançar cerca de US$ 4,8 bilhões até 2030, refletindo o aumento da audiência, patrocínios e investimentos no setor globalmente.
O público gamer também cresce de forma consistente no Brasil: segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB) de 2025, cerca de 82,8% dos brasileiros afirmam jogar jogos digitais, o maior índice já registrado pelo estudo. Mesmo assim, quem está chegando agora enfrenta um obstáculo clássico: a quantidade de equipamentos, preços e informações divergentes na hora de montar o primeiro setup.
O segmento de hardware gamer, que inclui monitores, cadeiras, periféricos e placas de vídeo, entre outros, tornou-se um dos mais aquecidos do varejo de tecnologia no país. Quem chega agora ao universo gamer, porém, se depara com um mercado fragmentado, com opções que vão de periféricos básicos a equipamentos de alto desempenho, o que torna a escolha do primeiro setup uma tarefa que exige orientação.
"O mercado de periféricos e hardware passou por uma expansão significativa nos últimos anos, o que ampliou as opções, mas também tornou a decisão de compra mais complexa para quem está começando. Com informação e planejamento, é possível montar um setup funcional e competitivo sem comprometer o orçamento”, explicou o especialista em esportes eletrônicos e COO do Team Solid, Victor Hugo Cebratelli.
Mercado de hardware gamer acompanha crescimento da indústria
Monitores de alta taxa de atualização, placas de vídeo dedicadas, teclados mecânicos e headsets com áudio espacial passaram de nicho entusiasta para produtos presentes no varejo de tecnologia.
“A popularização dos esportes eletrônicos e o crescimento de plataformas de streaming também contribuem para esse movimento, já que muitos jogadores iniciantes buscam montar um setup capaz de entregar desempenho suficiente para competir, transmitir partidas ou simplesmente melhorar a experiência de jogo”, ressaltou Victor Hugo.
Por que investir em um setup adequado faz diferença?
Cebratelli disse que montar um setup gamer não é apenas uma questão estética ou de status dentro da comunidade. “A escolha correta dos equipamentos impacta diretamente fatores como desempenho, conforto e até saúde durante longas sessões de jogo”.
Equipamentos com menor latência, monitores com maior taxa de atualização e periféricos mais precisos podem melhorar significativamente o tempo de resposta do jogador, algo especialmente relevante em jogos competitivos. Ao mesmo tempo, elementos ergonômicos como cadeira adequada e posicionamento do monitor ajudam a evitar fadiga e problemas musculares ao longo do tempo.
“Além disso, investir de forma planejada permite maior longevidade do setup. Em vez de gastar grandes valores de uma só vez, é recomendado priorizar componentes que realmente impactam a experiência inicial e fazer upgrades progressivos conforme o perfil de jogo evolui”, completou o especialista.
10 dicas para montar seu primeiro setup gamer
Para ajudar nessa missão, Cebratelli forneceu dez dicas práticas, acessíveis e baseadas em dados reais para quem quer começar com o pé direito:
1) Defina o tipo de jogo antes de comprar qualquer coisa
A escolha dos equipamentos depende diretamente do estilo de jogo. Títulos de FPS (first-person shooter), como CS2 e Valorant, exigem monitor com alta taxa de atualização (144Hz ou mais) e mouse com sensor preciso. Jogos de RPG ou estratégia são menos exigentes com latência, mas pedem mais da CPU e da RAM. Saber o que vai jogar antes de comprar evita gastos com peças que não se conectam ao seu perfil.
2) Escolha a plataforma certa para o seu bolso e estilo
PC, console ou mobile: cada plataforma tem vantagens e perfis diferentes. De acordo com a Pesquisa Game Brasil (PGB) 2025, os smartphones lideram como a plataforma preferida, seguida pelos consoles, e, em seguida, o computador. Para iniciantes com orçamento limitado, consoles de geração anterior, como PS4 ou Xbox One, ainda oferecem excelente biblioteca de jogos a preços acessíveis.
3) Priorize o monitor: é o equipamento que mais impacta a experiência
Para iniciantes, um monitor Full HD com 144Hz já entrega uma experiência muito superior ao monitor convencional de 60Hz, e os preços partem de cerca de R$ 800. Não é necessário começar com 4K ou 240Hz. O salto de qualidade mais perceptível acontece justamente entre 60Hz e 144Hz.
"O monitor é como a janela da sua experiência gamer. Você pode ter o PC mais poderoso do mundo, mas se o monitor for ruim, você não vai ver a diferença. É o primeiro upgrade que sempre recomendo”, analisou Cebratelli.
4) Não subestime o mouse e o teclado, periféricos fazem diferença real
Um mouse com sensor óptico preciso e polling rate de 1000Hz é fundamental para jogos competitivos. O mesmo vale para teclados mecânicos, que oferecem mais durabilidade e resposta tátil mais precisa do que os de membrana. Marcas como Logitech, Razer e HyperX têm linhas de entrada com excelente custo-benefício, e é possível encontrar combos de mouse + teclado gamer por menos de R$ 300 sem abrir mão de desempenho básico.
5) RAM é mais importante do que parece, 16 GB é o mínimo atual
Com os jogos modernos cada vez mais exigentes, 8 GB de RAM já não é suficiente para uma experiência fluida na maioria dos títulos lançados. A Steam Hardware Survey de maio de 2025 confirma: 40,7% dos jogadores já utilizam 16 GB de RAM, consolidando esse valor como o novo padrão mínimo. Quem compra um PC com 8 GB hoje provavelmente precisará fazer upgrade em menos de dois anos.
6) Placa de vídeo: entenda o que você realmente precisa
A GPU (placa de vídeo) é o componente mais falado e muitas vezes o mais superestimado por iniciantes. Para jogar em Full HD com configurações médias-altas, GPUs intermediárias como as linhas GTX 1660 Super (NVIDIA) ou RX 6600 (AMD) já entregam ótima performance. Investir em uma RTX 4090 para jogar Minecraft não faz sentido. A regra de ouro é equilibrar a GPU com o monitor: não adianta uma placa topo de linha num monitor de 60Hz.
7) Headset ou fones: comunicação e áudio são parte do jogo
Em jogos multiplayer, a comunicação com o time é estratégica, e o microfone faz parte do equipamento, não é opcional. Além disso, o áudio direcional, que permite ouvir de onde vêm os passos do inimigo, é recurso presente até em fones de entrada da categoria gamer.
"Na Team Solid, a comunicação entre os atletas durante as partidas é tão treinada quanto a mecânica individual. Para quem está começando, um bom headset com microfone decente já muda completamente a dinâmica do jogo em equipe”, afirmou Cebratelli.
8) Cadeira e postura não são luxo, são saúde
Sessões longas de jogo sem suporte lombar adequado aceleram e causam dores nas costas. Uma cadeira ergonômica com ajuste de altura e apoio lombar já resolve bem, não é preciso começar com uma cadeira gamer profissional. Uma cadeira de escritório com apoio lombar regulável já cumpre a função para quem está no início.
9) Conexão com a internet: cabeada sempre que possível
Wi-Fi evoluiu muito, mas para jogos competitivos a conexão via cabo Ethernet ainda é a mais recomendada, eliminando variações de latência (ping) causadas por interferência de sinal. O investimento em um cabo e um switch de rede é mínimo comparado ao impacto na qualidade de jogo.
10) Pense no setup como um investimento gradual
A armadilha mais comum para iniciantes é querer montar o setup completo de uma só vez. A estratégia mais inteligente é começar pelo essencial: PC ou console, monitor e periféricos básicos, e ir aprimorando conforme o interesse cresce. O mercado secundário de hardware gamer no Brasil também é aquecido: marketplaces como OLX e Mercado Livre, além de plataformas de venda ou leilão online de itens de recommerce (como estoques de grandes varejistas e itens para renovação de estoque de lojas), como a Kwara, podem oferecer seminovos com boa procedência e preço atrativo.
"Ninguém precisa começar com um setup profissional. Comece com o que dá, aprenda o jogo, entenda o que te faz falta, e aí vai evoluindo. O setup ideal é aquele que funciona para o seu nível, o seu bolso e o seu estilo de jogo", concluiu o COO do Team Solid.