Romeo is a Dead Man é o auge criativo de Suda51

Ideias criativas e identidade forte esbarram em problemas técnicos e inconsistências

27 mar 2026 - 17h43
(atualizado às 18h58)
Romeo is a Dead Man é o auge criativo de Suda51
Romeo is a Dead Man é o auge criativo de Suda51
Foto: Reprodução / Grasshopper Manufacture

Os jogos do Grasshopper Manufacture sempre carregam uma identidade muito própria, seja pelo estilo visual, pela escrita fora do padrão ou pelas ideias que fogem do convencional. Com Romeo is a Dead Man, isso não é diferente, já que o novo projeto abraça completamente esse lado mais caótico e imprevisível que marcou outros trabalhos do estúdio.

Aqui, a proposta mistura viagem no tempo, drama pessoal e uma releitura bem distante do clássico Romeu e Julieta. O resultado é uma narrativa que acaba não sendo muito simples, mas que chama atenção justamente pela forma como constrói seus personagens e conduz os acontecimentos, mesmo que em alguns momentos pareça confusa.

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Romeo está mais vivo do que nunca

Em Romeo is a Dead Man, acompanhamos a morte e a “vida” de Romeo Stargazer, um delegado da cidade de Deadford que, durante uma de suas patrulhas diárias, acaba sendo brutalmente assassinado por uma criatura estranha até então desconhecida para ele. Em seus últimos momentos de vida, seu avô e cientista, Benjamin Stargazer, chega a tempo de revivê-lo usando um maquinário que não parece ser daquele tempo. Assim, Romeo retorna com o pseudônimo “DeadMan”.

Mas um detalhe importante sobre o dia que mudou a vida de Romeo é que aquela ronda também é marcada por um problema pessoal. Sua namorada, Juliet, estava desaparecida. Quando Romeo entra em contato com a polícia Espaço-Tempo do FBI, ele descobre que esse desaparecimento pode estar conectado a um destino terrível. Esse acaba sendo o motivo de sua volta, já que ele é o único capaz de detê-lo. O que deveria ser a clássica história de dois amantes acaba se transformando em um drama onde o destino do universo pode estar entre eles.

Com isso em mente, toda a trama gira em torno de viagem no tempo, e Romeo passa a lidar com criminosos que interferiram em diferentes linhas temporais. Juliet está no meio disso, mas sempre existe a dúvida se aquela é realmente quem ele procura. Mesmo com explicações detalhadas, a história de Romeo is a Dead Man é confusa, mas é justamente isso que a torna especial. Todos os personagens são interessantes e roubam a cena mesmo com poucos diálogos. Arrisco dizer que, considerando todo o repertório do Suda51, incluindo No More Heroes e Killer7, este é um dos melhores trabalhos do desenvolvedor em termos de escrita.

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Foto: Reprodução / Matheus Santana

Olhando para o repertório da Grasshopper Manufacture, já era possível ter uma ideia de como seria a jogabilidade do título. Assim como Lollipop Chainsaw e Killer is Dead, o jogo segue a essência dos hack and slash, e Romeo não foge disso.

Temos um arsenal com até quatro espadas, que variam em tamanho e função. A Spazer, por exemplo, é a primeira que usamos e lembra uma katana, enquanto a Destroyer Estelar é uma arma grande que se abre ao atacar, revelando serras que dilaceram os inimigos. O combate não fica restrito ao corpo a corpo, já que também é possível usar armas de fogo como a Yggdrasil, que funciona como um canhão, a Discovery, um revólver de energia, e até uma escopeta para afastar os inimigos.

No geral, o combate é bastante satisfatório, principalmente pelo impacto dos golpes. Os inimigos não são os mais criativos, mas o jogo compensa isso com chefes bem marcantes e uma trilha sonora excelente. Meu principal problema está na câmera durante os combates, que é inconsistente. Em um hack and slash, ter a visão muito próxima do personagem atrapalha bastante, principalmente contra chefes gigantes ou grupos maiores de inimigos.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Fora das fases lineares, que já possuem bastante conteúdo para explorar, um dos locais onde passei mais tempo foi a nave espaço-temporal. Ela funciona como uma base, bem no estilo de Star Trek, onde Romeo retorna após completar objetivos. Lá é possível conversar com personagens, aprimorar armas e evoluir o próprio protagonista, o que acontece em um minigame que lembra bastante o clássico jogo da cobrinha dos celulares antigos.

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Aqui, essa mecânica é representada por uma nanomáquina, onde coletamos pontos que funcionam como melhorias para Romeo, como aumento de vida e dano. É preciso tomar cuidado com o uso da fusão-esmeralda, que funciona como combustível, e também evitar colidir com o próprio rastro deixado durante o movimento.

Dentro da nave, também existe um sistema curioso de plantio chamado Cultivo de Bastardos. As colheitas são bem diferentes do convencional, e os monstros gerados podem ser usados em combate. Eles ajudam bastante em momentos críticos, principalmente quando a vida está baixa.

Outro ponto interessante é a mudança visual dentro da nave. Ao invés do estilo padrão do jogo, essa área adota uma estética inspirada na era do SNES, com visão isométrica e gráficos em píxel art. A trilha sonora acompanha essa mudança, reforçando ainda mais a proposta.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Para quem joga no Brasil, a localização tem pontos positivos e negativos. O trabalho de adaptação do humor foi muito bem feito, principalmente nas partes que lembram histórias em quadrinhos, e as legendas são bem construídas. No entanto, existem várias partes sem tradução, como menus e inventário, o que quebra um pouco a consistência. Não chega a comprometer o entendimento, mas poderia ser melhor resolvido.

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Um problema recorrente nos jogos da Grasshopper Manufacture aparece novamente aqui. O desempenho nos consoles deixa a desejar. Problemas como quedas de frame, bugs de textura e falhas de iluminação, principalmente ligadas à Unreal Engine 5, são frequentes. Mesmo sendo falhas rápidas, elas são perceptíveis e acabam impactando a experiência.

Considerações

Romeo is a Dead Man - Nota 8,5
Foto: Divulgação / Game On

Romeo is a Dead Man tem personalidade de sobra. A escrita é um dos pontos mais fortes, com personagens que roubam a cena e um mundo que instiga pela estranheza. O combate também funciona bem na maior parte do tempo, principalmente pela variedade de armas e pelos confrontos contra chefes, que elevam o ritmo da experiência.

Por outro lado, problemas técnicos e decisões de design acabam pesando. A câmera inconsistente, quedas de desempenho e falhas na localização tiram parte do brilho do conjunto. Ainda assim, é aquele tipo de jogo que dificilmente passa despercebido, principalmente para quem já acompanha o estilo do estúdio e sabe o tipo de experiência que vai encontrar aqui.

Romeo is a Dead Man está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no Xbox Series, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela ID Xbox.

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Fonte: Game On
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