World of Warcraft chega a um ponto curioso de sua trajetória. Depois de duas décadas expandindo mapas, sistemas e histórias, a Blizzard começa a olhar com mais cuidado para aquilo que acontece quando o jogador para de lutar e simplesmente existe em Azeroth. The War Within marca esse momento de transição, não só por avançar a Saga da Alma do Mundo, mas por abrir espaço para algo que sempre esteve no imaginário da comunidade.
As moradias surgem nesse contexto como mais do que uma novidade de sistema. Elas representam uma mudança de postura do jogo, que passa a valorizar pertencimento, identidade e permanência em um mundo que sempre foi pensado em constante movimento. Durante o período de testes, fica claro que a Blizzard tenta equilibrar esse desejo antigo com as necessidades de um MMORPG que continua crescendo.
A história até então
Com a expansão prevista para 2 de março deste ano, já dá para entender o caminho que The War Within começa a traçar e como isso se conecta com Midnight dentro da Saga da Alma do Mundo. A trama leva o jogador para as profundezas de Azeroth, onde o Vazio volta a agir de forma gradual.
Xal’atath assume um papel importante ao conduzir os eventos nos bastidores, empurrando o mundo para um conflito que cresce aos poucos. Esse movimento prepara o terreno para Midnight, quando a ameaça se torna mais direta e atinge Quel’Thalas e a Nascente do Sol, ampliando o impacto do Vazio sobre Azeroth e seus habitantes.
Com isso em mente, dá para notar como a Blizzard tem um trabalho árduo para trazer novos e antigos fãs de volta com essa saga. Na versão atual da expansão, mesmo com o foco principal sendo as moradias nesse teste beta, a expectativa cresce em torno do aumento da presença de Xal’atath e de como a Aliança está sendo pressionada como nunca para lidar com os eventos dessa narrativa.
E uma coisa que não dá para deixar de mencionar é o quão boa está a dublagem do jogo. Desde a cinemática que introduz a nova fase de The War Within, com o príncipe Anduin lidando com as consequências dos eventos de Shadowlands, até as falas de personagens como Thrall quando aparece na mesma cinemática, tudo reforça como a localização da Blizzard segue em um nível acima de muitos outros jogos.
Lar doce lar
A questão das moradias em Warcraft sempre foi algo desejado por muitos fãs por anos, literalmente décadas. Implementar um sistema desse porte exigiria muito tempo e recursos, e durante o auge de grandes expansões era difícil imaginar algo assim funcionando, especialmente em períodos como Wrath of the Lich King ou Battle for Azeroth.
Agora, com o universo de Warcraft passando por um ponto de virada em The War Within, o sistema finalmente chegou aos jogadores. E dá para dizer que a espera valeu a pena, principalmente pelo cuidado em integrar as moradias ao MMORPG sem que pareçam deslocadas do universo do jogo.
Construir uma moradia é um processo simples. O acesso fica próximo ao registro de missões, bastando interagir com ele para ser teletransportado até a região escolhida, que no meu caso foi a Costa dos Ventos. Cada área de moradia é vinculada à Aliança ou à Horda, o que ajuda a dar identidade ao local onde o jogador vai residir.
Ao chegar à área, somos apresentados a um verdadeiro tour guiado, com explicações sobre o local. Jogando com um personagem da Horda, meu guia foi Tocho Palionúveo, que compartilha histórias da Costa dos Ventos, como o fato de suas árvores serem mais antigas que a própria Horda, além de apresentar os vizinhos da região.
A parte de adquirir um terreno é bem direta. Basta encontrar uma placa, interagir com ela e confirmar a compra caso o local agrade. A partir daí, o terreno passa a ter seu nome registrado. Caso mude de ideia, também é possível trocar de residência futuramente e adquirir um novo espaço.
Dentro da casa, a personalização é bastante acessível. A Blizzard conseguiu tornar o sistema intuitivo, sem exigir conhecimento avançado para decorar o ambiente. É possível posicionar camas, lareiras, pisos e outros itens, sempre respeitando algumas limitações de tamanho e espaço. Todas as mobílias seguem a identidade da Horda ou da Aliança, evitando incoerências visuais, como itens ligados à Aliança em residências da Horda.
As moradias também contam com um sistema de progressão. Aos poucos, novos níveis são liberados, permitindo expandir os cômodos e adicionar mais decorações. Depois de tantos anos de espera, o sistema chega de forma bem estruturada. Resta agora acompanhar como a Blizzard vai equilibrar a obtenção de novos itens decorativos, seja por meio de missões ou outras atividades, e se isso vai incentivar a exploração ou acabar pendendo para a monetização.
Considerações
A chegada desse sistema de moradias acontece em um momento certo para World of Warcraft. Tudo funciona de forma clara e intuitiva, sem quebrar o fluxo do jogo ou parecer um recurso isolado dentro da expansão. A personalização é acessível, o processo de aquisição é direto e a identidade da Horda e da Aliança está bem preservada em cada detalhe.
Ainda existem pontos que só o tempo vai responder, como a variedade de itens disponíveis, o impacto da progressão no longo prazo e a forma como novas opções serão liberadas para os jogadores. Mesmo assim, o primeiro contato passa confiança. Em vez de apostar em algo exagerado logo de início, a Blizzard constrói uma base consistente, com espaço para evoluir junto com The War Within.