Resonance: A Plague Tale Legacy encontra novo caminho sem perder a identidade da série

Sophia assume o protagonismo em uma aventura que expande a franquia

26 ago 2026 - 12h58
Resonance: A Plague Tale Legacy encontra novo caminho sem perder a identidade da série
Resonance: A Plague Tale Legacy encontra novo caminho sem perder a identidade da série
Foto: Reprodução / Focus Entertainment

Mesmo sem alcançar o mesmo nível de popularidade de outras grandes franquias da indústria, A Plague Tale se tornou uma das séries mais interessantes dos últimos anos. Innocence e Requiem conquistaram seu espaço por contar histórias marcantes e criar uma identidade própria, e a Asobo mostrou nos dois jogos que entende muito bem o universo que construiu, mesmo quando a franquia ainda parece receber menos atenção do que merece.

Agora, com Resonance: A Plague Tale Legacy, o estúdio volta a esse mundo por uma perspectiva diferente. Em vez de continuar diretamente a história conhecida pelos jogadores, o novo capítulo retorna no tempo para explorar outra personagem e também abrir espaço para mudanças na própria estrutura da experiência. É uma nova história, com outro tom e uma forma diferente de jogar, mas que ainda carrega o cuidado que fez os dois títulos anteriores se destacarem.

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Uma nova história para contar

Em Resonance: A Plague Tale Legacy, a trama se passa 15 anos antes dos primeiros eventos da série A Plague Tale. Desta vez, acompanhamos a jornada de Sophia, que parte em busca de respostas sobre seu passado e tenta entender por que tem visões de uma ameaça escondida desde pequena. Acompanhada de sua amiga Leni e diante de uma reviravolta sobre quem ela realmente pode considerar um aliado, Sophia parte para a Ilha do Minotauro, local de última aventura do seu pai e também o único lugar onde acredita que pode encontrar as respostas que tanto procura. 

Na ilha, entendemos que Sophia possui algum tipo de conexão com o herói da mitologia grega Teseu, já que ela consegue até mesmo vivenciar alguns de seus passos. Ao mesmo tempo, novos mistérios surgem durante sua jornada pelo labirinto de Dédalo, enquanto seus inimigos fazem de tudo para impedir que ela descubra a verdade. Resonance consegue repetir o mesmo impacto narrativo dos outros jogos de A Plague Tale. A história prende desde os primeiros momentos, e os personagens secundários, quando têm seu tempo de tela, conseguem roubar a cena. 

A própria Sophia é uma personagem muito interessante de acompanhar pela forma como evolui durante a trama, ainda mais quando fazemos um paralelo com sua versão em Requiem. No jogo anterior, ela é vista como uma temida contrabandista e mentora de Amicia, enquanto em Resonance vemos justamente o contrário, com uma versão mais curiosa, impulsiva e disposta a se arriscar. 

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Foto: Reprodução / Matheus Santana

Também existe uma diferença interessante na relação entre as protagonistas. Com Amicia e Hugo, tínhamos uma irmã mais velha que precisava cuidar e ensinar o irmão mais novo ao longo da jornada. Sophia e Leni possuem uma relação construída mais pelo respeito e pela admiração, principalmente por parte de Sophia. 

Leni representa justamente aquilo que ela queria se tornar, depois de passar tanto tempo presa na vila onde morava e sofrer com o desdém das pessoas por causa das visões que tinha. Ainda mais porque, após o desaparecimento de seu pai, Faro, que se tornou seu tutor, passou a enxergar essas visões com outros interesses. 

O tom da aventura também deixa claro o quanto Resonance é diferente dos outros jogos da série. Em vez de uma jornada mais contida e sombria, o título abraça de vez o lado mítico da história e, depois de começar em locais mais pé no chão, como Veneza, nos leva à ilha onde encontramos cenários paradisíacos que parecem ter saído de Uncharted ou Tomb Raider, com estátuas gigantes e ruínas de uma antiga civilização espalhadas pelas fases. Jogando no PC, esses cenários ficam ainda mais bonitos, principalmente pelo excelente desempenho durante praticamente toda a aventura. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Outro ponto que me surpreendeu bastante em Resonance foi a mudança no combate. Nos outros dois A Plague Tale, boa parte da experiência girava em torno de evitar confrontos e, quando não havia outra saída, o foco ainda era mais em se esconder e encontrar uma forma de escapar dos inimigos. Aqui, Sophia possui uma participação muito maior no combate corpo a corpo. 

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Seu arsenal é um pouco limitado, mas consegue ser bastante letal. Com uma espada, uma adaga e até mesmo o gancho usado durante a travessia, Sophia pode enfrentar diretamente os soldados inimigos. O jogo segue um padrão para diferenciar esses adversários, com direito ao brutamontes, ao inimigo mais ágil que usa uma adaga e ao soldado com escudo. Isso obriga a prestar atenção durante os confrontos, já que o golpe que funciona contra um tipo de inimigo pode não ser tão útil contra outro. 

Os confrontos são uma evolução que a série realmente precisava, e tudo que a Asobo fez aqui funciona muito bem. O sistema lembra bastante o que vemos em jogos como Ghost of Tsushima e até nos Batman: Arkham. Sophia precisa quebrar a postura dos inimigos para conseguir aplicar golpes que realmente reduzam sua vida. Inclusive, não temos poções ou itens parecidos para recuperar a saúde, que só volta quando eliminamos algum adversário. 

Também existem momentos que lembram até um jogo rítmico durante a defesa dos golpes inimigos. Em certas situações, até mesmo o cenário pode ser usado como arma, seja ao jogar garrafas e adagas ou ao dar um chute para derrubar alguém de um precipício ou contra espinhos. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Além de tudo isso, Sophia possui uma árvore de habilidades em que gastamos justamente aquilo que dá nome ao jogo, a Ressonância. Quando vi essas habilidades pela primeira vez, achei um pouco estranho, já que seus efeitos parecem até ter saído dos Isu, da franquia Assassin's Creed. 

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Depois de superar essa primeira estranheza, ficou mais fácil entender sua função dentro do combate. Elas servem principalmente para abrir o leque de possibilidades nas lutas e impedir que os confrontos se tornem monótonos com o passar do tempo. Podemos desbloquear, por exemplo, uma habilidade que cria um escudo quando alguém é eliminado com a adaga.

Algo que me deixou curioso antes de jogar era como o título iria equilibrar o mistério com a ação sem deixar um dos dois lados atropelar o outro. A escolha da Asobo para isso foi apostar nos puzzles, e os dois elementos conseguem funcionar muito bem juntos. Os quebra-cabeças são bastante criativos e, na maioria deles, usamos a luz de forma literal como guia e também como parte da solução para superar os obstáculos que bloqueiam nosso caminho.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Um ponto um pouco chato aparece justamente durante a exploração, ainda mais porque a trilha sonora desses momentos é magnífica. O jogo insiste em mostrar o botão para abrir o diário de Sophia, que serve para orientar o jogador por meio das pistas anotadas nele. 

Essas dicas realmente são úteis quando estamos perdidos, mas a exploração é uma parte fundamental da experiência. As fases são razoavelmente longas, possuem pequenas ramificações e vários locais escondem artefatos, que funcionam como relíquias do passado e do presente, além de amuletos que dão vantagens extras para Sophia, como aumentar a chance de causar dano crítico. 

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O problema lembra bastante algo que aconteceu em God of War Ragnarök, quando os personagens davam a solução de um quebra-cabeça antes mesmo de o jogador ter tempo para pensar. Aqui, a situação segue uma linha parecida, só que por meio de um aviso constante na tela.

Considerações 

Resonance: A Plague Tale Legacy - Nota 9
Foto: Divulgação / Game On

Resonance: A Plague Tale Legacy mostra novamente o cuidado que a Asobo tem com a franquia. Mesmo seguindo uma história diferente e deixando Amicia e Hugo de lado, o estúdio dá para Sophia espaço suficiente para sustentar uma aventura própria, principalmente por explorar um lado ainda desconhecido desse universo. A mudança no tom também funciona bem, já que a mitologia e os mistérios da Ilha do Minotauro dão ao jogo uma identidade diferente dos anteriores, sem que a série perca aquilo que a tornou especial.

A desenvolvedora também consegue renovar a experiência sem que as mudanças pareçam estar ali apenas para transformar a fórmula. O foco maior no combate funciona bem dentro dessa nova jornada, enquanto a narrativa, os puzzles e a exploração continuam tendo seu espaço. O excesso de dicas durante a exploração incomoda, mas é um problema pequeno diante de mais um excelente trabalho do estúdio.

Resonance: A Plague Tale Legacy chega em 27 de agosto para PC, PlayStation 5 e Xbox Series, podendo ser jogado também via Game Pass. 

Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Focus Entertainment.

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Fonte: Game On
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