Josh Wander, ex-dono da SAF do Vasco e sócio da 777 Partners, declarou-se culpado nos EUA por fraude de cerca de R$ 2,5 bilhões. O empresário admitiu adulterar extratos e usar garantias duplicadas para captar recursos e empréstimos ilícitos, desviando fundos para setores como aviação e clubes esportivos. Wander aceitou o confisco de ao menos US$ 500 milhões e pode pegar até 20 anos de prisão. A sentença sairá em 2027, e a empresa já foi afastada do controle do futebol vascaíno.
O ex-dono da SAF do Vasco, Josh Wander, se declarou culpado nesta quinta-feira, 15, por fraude eletrônica e fraude de valores mobiliários em um esquema que prejudicou credores e investidores da 777 Partners em mais de 500 milhões de dólares (cerca de R$ 2,5 bilhões). A informação foi divulgada pela Procuradoria do Distrito Sul de Nova York, nos Estados Unidos.
O empresário admitiu ter usado informações financeiras falsas para obter empréstimos e captar investimentos. Segundo a Procuradoria, ele ofereceu como garantia ativos de acordos de indenização estruturada que a 777 Partners não havia adquirido ou que já haviam sido comprometidos com outros credores. Para encobrir as irregularidades, também orientou funcionários a adulterar extratos bancários e simular saldos milionários que a companhia não possuía.
A investigação aponta que os recursos obtidos de credores deveriam ser destinados ao financiamento de acordos de indenização estruturada, principal atividade da 777 Partners. A empresa, porém, ampliou os investimentos para outros setores, como aviação e futebol, sem dispor de dinheiro suficiente para custear as aquisições. Wander direcionou parte dos valores para despesas não autorizadas, incluindo o financiamento de clubes esportivos. A empresa assumiu o controle da SAF do Vasco em 2022.
Em 2021 e 2022, Wander também captou mais de 200 milhões de dólares com investidores por meio da venda de participações na 777 Partners e em uma empresa afiliada, apresentando informações falsas sobre a situação financeira dos negócios. Em março de 2022, conseguiu ainda um empréstimo de 20 milhões de dólares após entregar dezenas de extratos bancários adulterados. Segundo a investigação, milhões de dólares foram usados em operações com opções financeiras.
O esquema começou a ruir em março de 2023, quando um dos credores questionou a duplicidade das garantias apresentadas. Na ocasião, Wander atribuiu o problema a uma falha no sistema de computadores da empresa e afirmou que a irregularidade teria sido acidental. Em 2024, deixou o cargo de diretor-presidente da 777 Partners.
Como parte do acordo judicial, o empresário concordou com o confisco de pelo menos 500 milhões de dólares provenientes do esquema. As acusações pelas quais se declarou culpado preveem pena máxima de 20 anos de prisão cada, mas a sentença será definida pelo juiz responsável pelo caso. A audiência está marcada para 1º de março de 2027, em Nova York.
Josh Wander e Steven Pasko, sócios-fundadores da 777 Partners, deixaram seus cargos na empresa em maio de 2024. No mesmo mês, a Justiça do Rio de Janeiro afastou a companhia do controle da SAF do Vasco.