O Conselho Deliberativo do São Paulo vota nesta quarta-feira a expulsão do ex-presidente Júlio Casares, acusado de gestão temerária e dano material entre 2021 e 2026. A Comissão de Ética recomendou por unanimidade sua exclusão e o ressarcimento de valores aos cofres do clube, incluindo cerca de R$ 7 milhões em saques investigados pela polícia e despesas irregulares no cartão corporativo. Casares, que renunciou antes do impeachment ser concluído, alega cerceamento de defesa.
O Conselho Deliberativo do São Paulo realizará nesta quarta-feira, 9, uma votação que irá decidir pela expulsão do ex-presidente Júlio Casares do quadro associativo do clube paulista.
A medida foi recomendada pela Comissão de Ética da equipe, de maneira unânime, no final do mês de agosto. O relatório da instituição também sugere que Casares faça o ressarcimento dos cofres do time do Morumbi de todo o valor que foi comprovadamente utilizado de forma particular.
A reunião na sede do São Paulo terá início às 19h (de Brasília), presencialmente e online, para analisar a recomendação. Depois, a votação começa às 22h, com duração até às 17h da próxima quinta, 10.
Júlio Casares é acusado de gestão temerária no tempo em que esteve na presidência, entre 2021 e janeiro de 2026. Ele deixou o cargo por renúncia, mas já estava afastado após o Conselho Deliberativo aprovar seu impeachment. O processo ainda requeria uma assembleia de sócios, que não foi necessária. A acusação tem como base o artigo 34 do estatuto social são-paulino.
O valor de ressarcimento é definido pelo departamento financeiro do time paulista e ainda será validado pelo Conselho Fiscal. A Comissão de Ética considerou R$ 7 milhões em saques feitos por Casares, quantia que é alvo de investigação de uma Força-Tarefa da Polícia Civil e Ministério Público. Ele aponta que os valores foram gastos com despesas do futebol.
O uso do cartão corporativo chegou em cerca de R$ 1 milhão, onde somente pouco mais da metade foi reembolsada para o clube. A ação se enquadra no artigo 11 do estatuto, que fala sobre "dano ou prejuízo material".
Júlio não esteve presente na reunião da Comissão de Ética, situação em que poderia apresentar sua defesa. De acordo com representantes do ex-dirigente, ele sofre um "processo de exceção" e teve o direito de defesa "cerceado" por não conseguir documentos necessários para constituir sua representação.
A Comissão de Ética é composta por Luiz Augusto Lia Braga, Mario Celso da Silva Braga, Milton José Neves Júnior, José Edgard Galvão Machado e Fábio Cesar de Souza Azambuja.