Casares respira com parecer favorável no Conselho Consultivo do São Paulo em meio a escândalos

Grupo de notáveis diz que acusações para afastamento do presidente 'carecem de provas'

6 jan 2026 - 19h12
(atualizado às 19h12)

Júlio Casares ganhou apoio a partir do parecer emitido pelo Conselho Consultivo do São Paulo nesta terça-feira. O grupo de notáveis do clube se reuniu como parte do processo que pede o afastamento do presidente.

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A reunião ocorreu, no escritório de Ives Gandra Martins, que integra o conselho. Casares pôde apresentar sua defesa diante das acusações que compunham o pedido de impeachment, assinado por 57 conselheiros.

O grupo também analisou parte da investigação policial revelada por meio de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). São apontadas movimentações sem lastro de origem do dinheiro em quantia que chegaria a R$ 11 milhões.

O Conselho Consultivo disse que "as acusações carecem de provas materiais, especificamente contra o presidente, que alegou inocência". O parecer argumenta que um processo de impeachment pode ter base jurídica, mas a decisão final é de cunho político.

"Não obstante a gravidade do momento, diante da inexistência de prova material ou de comportamento que já não tenha sido, habitualmente, utilizado na direção do clube, (o conselho) entende que, do ponto de vista estritamente jurídico, não há elementos de prova material para justificar um parecer favorável ao impeachment presidencial", diz o parecer.

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A conclusão não é determinante para o processo de afastamento. A partir do encontro desta terça-feira, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres Abreu Júnior, convoca uma reunião extraordinária em que Casares terá a oportunidade de se defender.

Depois disso, ocorre a votação dos conselheiros. Para que seja aprovado, é preciso que haja voto favorável de maioria qualificada, dois terços do Conselho (171 votos dos 255 possíveis). Isso iria impor um afastamento provisório do presidente.

Depois, em até 30 dias após a votação do Conselho, uma Assembleia Geral de sócios do clube deverá ser instituída para ratificar a decisão do Conselho Deliberativo. Nesta instância, basta maioria simples.

Se Casares for afastado, ele é também banido do clube. Já em caso de renúncia, ele se mantém no Conselho Consultivo. Essa última situação é semelhante ao que viveu o ex-presidente Carlos Miguel Aidar. Em 2015, ele deixou o cargo, sob acusações de desviar recursos do clube.

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Entenda a crise política no São Paulo

Em situação financeira complicada, o clube tinha uma coalizão forte que sustentava a gestão de Júlio Casares. A saída de Carlos Belmonte fragilizou a situação, mas ainda não impediu, por exemplo, que o próprio ex-diretor aprovasse o orçamento da gestão para 2026.

Entretanto, a instabilidade cresceu depois de episódios recentes. O primeiro foi o vazamento de um áudio que revelava um esquema clandestino de comercialização de um camarote no MorumBis em noites de shows.

Mara Casares e Douglas Schawrtzmann, diretores flagrados na gravação, se afastaram dos cargos. O Ministério Público de São Paulo pediu a abertura de um inquérito policia, enquanto o São Paulo abriu sindicâncias (interna e externa) para apuração.

Em paralelo, a Polícia Civil de São Paulo passou a investigar diretores por supostos desvios de verba em vendas de atletas do clube. Ao todo, 35 saques em dinheiro vivo das contas do São Paulo que somam R$ 11 milhões são alvos de investigação

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Os escândalos criaram tensão na gestão são-paulina e possibilitaram que a oposição se fortalecesse para pedir o afastamento de Casares e visar a eleição de 2026.

Procurada pela reportagem, a defesa de Casares, representado pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, informou que "todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do Coaf, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira."

"Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração", diz a nota.

A defesa de Casares afirma ainda que "a origem do lastro de tais movimentações serão esclarecidas ao longo da investigação para rebater qualquer ilação", reforçando que ainda não teve acesso ao inquérito policial.

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