A mobilização para a votação do impeachment de Júlio Casares no São Paulo vai além do Conselho Deliberativo. Ao final da tarde desta sexta-feira, horas antes da reunião que vota o afastamento do mandatário, torcedores se reuniam no entorno do MorumBis. A movimentação chegou a ser maior do que no dia anterior, quando o time jogou em sua casa pela primeira vez em três meses.
Somente do Batalhão de Choque da Polícia Militar, cerca de 90 agentes estavam espalhados no entorno do estádio. Havia ainda outros PMs e oficiais da Guarda Civil Metropolitana.
Os torcedores se concentraram no portão 17. Ali estavam integrantes da Torcida Independente, uma das principais organizadas do São Paulo. Cerca de 60 pesssoas se reuniram no local a uma hora do inicio da reunião.
As faixas de torcedores iam além do impeachment. Havia manifestações contra Mara Casares e Douglas Schwartzman, diretores licenciados envolvidos em um esquema de uso irregular de camarotes no MorumBis. Eles negam irregularidades. Outra faixa dizia "Diretas Já", em alusão ao fato de as eleições para a escolha do presidente no São Paulo ser indireta. São os conselheiros eleitos que votam para apontar um novo mandatário.
Também foi cobrada a separação do futebol do clube social. O curioso é que esta é uma pauta defendida também pelo próprio presidente Júlio Casares.
Por volta de 17h30, a chuva apertou, mas não afastou os torcedores. Eles colocaram, junto das faixas, caixões funerários em alusão ao possível fim da gestão Casares.
A chuva diminuiu próximo do horário de começo da reunião. A concentração de torcedores aumentou.
Casares não entrou pelo espaço onde a imprensa ficava. Ele já estava na sala da presidência durante a tarde e, de lá, foi para o salão onde ocorre a reunião, às 18h25.
Como funciona a votação do impeachment de Júlio Casares no São Paulo?
Nesta sexta-feira, o Conselho Deliberativo do São Paulo se reúne para votar o pedido de impeachment do presidente Júlio Casares. De acordo com determinação judicial, a votação se dará de forma híbrida, ou seja, com eleitores presentes na sessão ou em participação remota.
Ao todo, 254 conselheiros estão aptos a votar. Para que a votação seja iniciada é exigido um quórum de 191 conselheiros presentes. O afastamento provisório de Júlio Casares será consumado se houver 170 votos (dois terços do total de conselheiros) ou mais a favor do impeachment.
Se for aprovado o impeachment pelo Conselho, Júlio Casares é afastado do cargo e aguarda uma nova votação, dessa vez com a participação dos sócios do clube. O pleito será marcado em até 30 dias pelo presidente interino, o atual vice de Casares, Harry Massis Jr.
Na votação entre os membros do clube social, a aprovação do impeachment se dá com maioria simples. Se esse cenário se confirmar, Júlio Casares sai do Conselho Consultivo, mas continua no clube como sócio e fica inelegível por até 10 anos (a inelegibilidade mínima é de 5 anos). O Conselho de Ética do Conselho Deliberativo pode discutir, a partir da perda de mandato definitivo, o banimento do presidente destituído.