Negociação exclusiva e sem participação de Neymar pai: Santos avança na transformação em SAF

Clube e plataforma de investimentos selam acordo que inicia processo, que ainda depende de mudança no estatuto e aprovações internas

27 fev 2026 - 18h09
(atualizado às 18h22)

O Santos avançou na transformação em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ao firmar um acordo de exclusividade de negociações com a plataforma de investimentos SDC Sports LLC. A próxima etapa envolve o levantamento de informações entre as partes. Depois, ainda será necessário alterar o estatuto do clube e o trâmite no Conselho Deliberativo e em uma assembleia de sócios.

Embora tenha colaborado com o Santos desde o retorno de Neymar, o pai do jogador não está envolvido nesta negociação. O acordo entre o clube e a empresa norte-americana, inclusive, veta que a gestão santista negocie com outros interessados, assim como a companhia não pode procurar outras equipes.

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Essa etapa dura 90 dias e pode ser prorrogada por mais 30. Nesse prazo, é feito um procedimento chamado "due diligence", em que o clube levanta informações sobre a empresa e vice-versa.

São analisados aspectos como a viabilidade financeira da empresa e a possibilidade de aprovação no Banco Central. Já a SDC Sports avalia a projeção de receitas futuras do clube.

Santos iniciou processo de transformação em SAF e possível venda à empresa norte-americana.
Santos iniciou processo de transformação em SAF e possível venda à empresa norte-americana.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

"O acordo estabelece tratativas não vinculantes e permitirá uma análise aprofundada de aspectos estratégicos, financeiros e operacionais entre as partes, ao mesmo tempo em que preserva a autonomia integral de ambas quanto à eventual formalização de um investimento definitivo na possível SAF do Santos", informou o clube, em nota.

A XP Investimentos e a Rothschild & Co. atuam como assessores financeiros da possível transação. Ainda não há definição sobre os ativos do Santos que entram na proposta.

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Também não está posto o valor da possível venda. O que foi colocado em negociação é que a empresa faria um aporte pela compra e assumiria o pagamento da dívida do clube, estimada em pouco mais de R$ 1 bilhão.

O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, é entusiasta da venda. Ele garante que não terá participação na gestão da SAF, caso o negócio se concretize. Outros interessados procuraram o clube, que optou pela SDC Sports, em exclusividade.

Em paralelo ao due diligence, o Santos espera pautar a reforma estatuária, para ser permitida a transformação em SAF venda de até 90% das ações. Somente após o levantamento de informações é que os valores da proposta são definidos.

A proposta será apresentada ao Conselho Deliberativo. Se houver aprovação, ela segue para apreciação dos sócios, em assembleia geral. Caso haja novo aceite, são assinados os termos para divisão de ações e investimentos.

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Mesmo que a venda seja concretizada, o Santos manterá o nome, símbolos e cores. Outros acordos que antecedem a SAF, como a negociação com a WTorre, continuam sem alterações.

Quem é a empresa que quer comprar a SAF do Santos?

A SDC Sports é uma empresa de investimentos internacional, com sede nos Estados Unidos. A companhia tem outras participações no esporte, com ações do Grand Rapids Gold (liga de desenvolvimento da NBA) e no New Zealand Breakers (NBL Austrália).

A companhia foi fundada por Michael Lipman e Diego Garcia. O primeiro tem no currículo outros trabalhos no futebol. Ele prestou apoio ao Liverpool, da Inglaterra, em um processo de transformação digital e estratégia comercial. Os italianos Roma e Inter de Milão também foram assessorados pelo executivo.

Antes, Lipman ainda trabalhou como supervisor de mídia na Uefa, com atuação dedicada à Eurocopa de 2012, e na NFL. Entre companhias do mercado financeiro nas quais já atuou estão General Atlantic, Rothschild e Sixth Street.

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Já Diego Garcia é senior advisor da gestora Fortescue Capital. Ele tem carreira em processos de aquisição e captações, com passagem como diretor da Riverstone Holdings, empresa de investimento privado com cerca de US$ 45 bilhões (R$ 231,7 bilhões) sob gestão.

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