O diretor-executivo Alexandre Mattos se pronunciou sobre os problemas financeiros do Santos e a reunião com o elenco ocorrida no domingo (19). A entrevista aconteceu na cidade de Valencia, na Venezuela, onde o Peixe enfrenta a Universidad Central da Venezuela pela Conmebol Sul-Americana. O dirigente confirmou que o clube chegou ao terceiro mês de atraso no direito de imagem, mas relembrou as origens da crise institucional:
"Todo mundo sabe que é uma situação delicada desde quando essa gestão entrou, e o time estava na segunda divisão. O que move hoje é o Santos, o tamanho, a tradição e a credibilidade que o presidente Marcelo (Teixeira) possui no geral. Não tem como fugir disso."
O executivo fez questão de detalhar o teor da conversa com os atletas, desfazendo qualquer rumor de racha nos bastidores. De acordo com Mattos, o encontro aconteceu de forma transparente com o propósito de atualizar a situação salarial do grupo:
"Quero esclarecer: o que teve domingo foi uma reunião combinada, acertada, que a diretoria tinha dito após o jogo contra o Botafogo. No domingo íamos passar a situação, a dificuldade, é a primeira vez dessa gestão que chegou mais a situação financeira do não-pagamento."
Foco interno e cobrança por novas receitas
Diante dos problemas atuais, o Santos deve evitar o mercado de transferências. A Fifa impôs um transfer ban ao clube por conta de uma dívida de R$ 12 milhões com o Monaco, o que impede o registro de novos reforços. Por consequência disso, o executivo definiu o foco total na folha de pagamento atual.
"Não podemos pensar em pagar transfer ban e não arrumar aqui dentro. Prioridade é manter a casa em ordem. Primeira vez em dois anos e meio que alongou um pouquinho a imagem, e vamos priorizar o pagamento aqui dentro."
O plano traçado prevê uma resposta aos atletas até o dia 31, quando receberão um mês do débito do direito de imagem. Como resultado das dificuldades em caixa, a diretoria busca novas fontes de renda no mercado.
"As coisas vão se resolver. A maior dificuldade do Santos são receitas, nós todos, e assumo minha responsabilidade, temos que produzir receita para talvez a mais difícil missão que envolve o Santos."
Responsabilidade e trabalho nos bastidores do Santos
Mattos blindou a presidência e assumiu os erros na condução do futebol. O dirigente se apega a negociações recentes, a exemplo da saída do lateral Souza para o Tottenham por mais de R$ 90 milhões, com a finalidade de equilibrar as contas:
"Não tiro minha responsabilidade. Estou responsável pelos resultados, principalmente os negativos. Presidente faz tudo o que pode e não pode para fazer o Santos estar bem, seja em estrutura, em gestão, em finanças. Nossa obrigação como profissional é tentar ajudá-lo criando receitas."
Por fim, o diretor pediu a confiança da torcida santista e destacou as principais funções que desempenha na rotina do clube para manter o elenco focado no restante da temporada:
"O futebol é o carro-chefe, e o que interessa ao diretor é contratar, mas o que mais fazemos é acalmar o ambiente, ter jogo de cintura, controlar e mobilizar quem está aqui. Isso diariamente. Vou continuar fazendo isso pelo resto do ano, a gente vê pela frente o que se consegue. Estou confiante que vamos dar resultados."
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