Cristiano Ronaldo quebra o silêncio sobre crise com Jorge Jesus

Atacante conta sua versão sobre a saída da concentração de Portugal e garante que seguirá à disposição da seleção

6 out 2026 - 16h59
(atualizado às 17h05)
Resumo
Cristiano Ronaldo quebrou o silêncio sobre sua saída da concentração de Portugal, acusando o técnico Jorge Jesus de romper acordos de gestão física e mudar de postura na coletiva. O atacante pediu desculpas pela postura, admitiu o erro ao abandonar a equipe e aceitou ser punido pela federação, assumindo a responsabilidade como capitão. Apesar da crise de confiança com o treinador, Ronaldo negou aposentadoria imediata e reforçou seu desejo de continuar defendendo a seleção portuguesa.
Treinador português está no centro da polêmica com CR7 –
Treinador português está no centro da polêmica com CR7 –
Foto: Octavio Passos/Getty Images / Jogada10

Cristiano Ronaldo se pronunciou nesta terça-feira (6) sobre a crise que terminou com sua saída da concentração de Portugal antes do jogo contra a Dinamarca. Em um comunicado, o atacante apresentou sua versão dos acontecimentos e explicou o que aconteceu desde os primeiros contatos com Jorge Jesus até a decisão de deixar a delegação.

O jogador revelou que chegou a considerar a aposentadoria da seleção depois da eliminação na Copa do Mundo de 2026. Ronaldo afirmou que havia preparado uma carta de despedida, mas mudou de ideia após a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) pedir que ele continuasse. Segundo o atacante, a entidade também consultou sua opinião sobre a escolha de Jorge Jesus como substituto de Roberto Martínez.

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"Era a opção certa, como os resultados vão comprovando", afirmou Cristiano, ao relembrar sua reação à escolha do treinador.

De acordo com o atacante, o primeiro encontro com Jorge Jesus aconteceu na Cidade do Futebol, logo após a confirmação do técnico. Na conversa, o treinador teria apresentado um planejamento para a participação de Ronaldo nos jogos da seleção.

"Me disse que contava comigo e que a minha presença era fundamental para o seu projeto. Apresentou, logo ali, um plano para a minha participação. Disse que jogaria o primeiro jogo e o último e que, por razões de gestão física, iria fazer sempre três ou quatro mudanças por jogo", relatou.

Ronaldo também afirmou que Jesus sugeriu que ele não viajasse para os jogos contra Noruega e Dinamarca. A ideia seria utilizar o atacante na primeira partida e permitir que ele permanecesse em Portugal, retornando apenas para o compromisso seguinte, no Porto.

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"Recusei de imediato esta proposta. Me parecia evidente que não a poderia aceitar. Não seria por não jogar os jogos no estrangeiro que deixaria de capitanear a nossa equipe. Esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo", explicou.

Como começou o desentendimento

Segundo Ronaldo, o planejamento foi mantido até o início da concentração. Ele foi titular contra a Noruega e saiu no decorrer da partida sem criar problemas, inclusive entregando a braçadeira a Bruno Fernandes.

A situação mudou no dia do jogo contra a Dinamarca. O atacante contou que um auxiliar o chamou durante o almoço para avisar que Jorge Jesus queria conversar. Naquele momento, o treinador teria perguntado se ele estava preparado para atuar por 30 minutos.

"Eu estava totalmente focado na minha recuperação física, integrado com os meus companheiros como sempre e pensando que não jogaria naquele dia. Sem nenhum problema", afirmou.

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Ronaldo disse que aceitou a proposta, apesar de ela não fazer parte do planejamento físico que havia sido combinado anteriormente. Ele então iniciou o aquecimento no intervalo, mas não entrou em campo.

"O treinador não cumpriu com a sua palavra", declarou.

Depois da partida, Ronaldo admitiu que errou ao não cumprimentar os torcedores antes de ir para o vestiário. O atacante pediu desculpas aos portugueses presentes no estádio e também aos torcedores que viajaram para acompanhar a partida.

Treinador português está no centro da polêmica com CR7 –
Foto: Octavio Passos/Getty Images / Jogada10

Pedido de desculpas

"Uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido. Peço desculpa aos portugueses que ali nos apoiaram intensamente, peço desculpa aos torcedores e peço desculpa aos que, sem serem portugueses, ali possam ter se deslocado para me ver e a quem eu possa ter desiludido", disse.

Dois dias depois, Ronaldo, Jorge Jesus e Simão Coutinho, que havia acompanhado as conversas anteriores entre jogador e treinador, voltaram a se reunir. Segundo o atacante, o encontro foi direto e terminou com um acordo para encerrar a polêmica.

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Ronaldo afirmou que Jesus se comprometeu a explicar publicamente que havia sido o próprio treinador quem propôs o planejamento para a Data Fifa e que o erro havia sido colocar o atacante para aquecer sem utilizá-lo.

"Concordamos que só havia uma maneira de encerrar este 'caso': que o treinador repetisse o que tinha acabado de me dizer ali em privado, na presença do Simão Coutinho, mas na sala de imprensa", contou.

Ainda segundo Ronaldo, Jesus teria pedido um abraço ao fim da reunião e prometido manter o acordo na entrevista coletiva. O atacante não jogaria contra a Dinamarca e voltaria a campo no duelo seguinte, no Porto.

A versão apresentada por Ronaldo, porém, acabou não sendo reproduzida na coletiva. O português afirmou que ficou incomodado com a postura adotada pelo treinador e com algumas declarações feitas diante dos jornalistas.

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"A postura não teve nada a ver com a nossa reunião. Ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera", afirmou.

Saída da concentração e possível punição

Cristiano Ronaldo negou ainda que tenha exigido um pedido público de desculpas de Jorge Jesus. De acordo com ele, o principal problema foi a quebra do acordo estabelecido entre os dois.

"Para mim, a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade", declarou.

O atacante também revelou que conversou com o presidente da FPF e com Jorge Jesus na manhã da entrevista coletiva. De acordo com Ronaldo, ele deixou claro que aceitaria uma eventual decisão para não continuar na seleção, desde que recebesse uma comunicação direta.

"Bastava serem francos comigo. Eu aceitaria isso e prometi que prepararíamos algo bonito, como sonho que aconteça, e ninguém ficaria zangado. (…) Responderam em uníssono que não. Que o meu lugar era na Seleção Nacional", relatou.

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Mesmo defendendo sua versão, Ronaldo reconheceu que não deveria ter deixado a concentração. O atacante pediu desculpas aos companheiros e afirmou que assume toda a responsabilidade pela decisão.

"Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do treinador, como poderá testemunhar quem assistiu a estas conversas, eu não devia ter feito. A responsabilidade é exclusivamente minha", afirmou.

Além disso, Ronaldo também afirmou que aceita ser punido pela Federação Portuguesa de Futebol. Para ele, seu status de capitão deve ser considerado como um fator agravante, e as mesmas regras precisam valer para todos os jogadores.

"A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol. Entendo que a punição não deve ter atenuantes. Não sou um jogador qualquer, sou capitão da equipe e isso constitui um agravante", declarou.

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Cristiano Ronaldo quer voltar a jogar por Portugal

Apesar da crise, o atacante garantiu que pretende continuar à disposição da seleção portuguesa. Ronaldo também afirmou que uma despedida oficial pode acontecer no futuro, mas deixou claro que seu principal objetivo ainda é competir.

"Posso prometer a todos os meus fãs, naturalmente e em especial a todos os portugueses, que faremos um ou mais jogos de despedida, haverá tempo para isso", afirmou.

Aos 41 anos, Ronaldo citou inclusive um episódio pessoal para explicar sua relação com a seleção. Além disso, ele lembrou que permaneceu concentrado com Portugal após receber a notícia da morte do pai e disputou o jogo seguinte pela equipe nacional.

"Portanto, se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com gols, espero seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada. Estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção", afirmou.

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Ronaldo encerrou o comunicado reforçando que, apesar de toda a polêmica, ainda pretende defender Portugal dentro de campo.

"Esta é, acreditem, a mais pura das verdades", concluiu.

Veja a postagem de Cristiano Ronaldo:

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