Após perder a ida por 3 a 0, o Santos aposta em Neymar para reverter a desvantagem contra o Palmeiras e avançar na Copa do Brasil. Para forçar os pênaltis, o Peixe precisa vencer por três gols de diferença, feito que não alcança sobre o rival há 20 anos. Além do placar adverso, o time de Cuca desafia o histórico negativo contra o adversário no torneio e o retrospecto amplamente desfavorável diante do técnico Abel Ferreira em jogos eliminatórios.
Embalado pela primeira vitória sobre o Corinthians em Itaquera na história do Campeonato Brasileiro, o Santos tem nesta quarta-feira (2) um desafio ainda maior contra outro grande rival paulista. Na Vila Belmiro, o Peixe encara o Palmeiras pela Copa do Brasil, às 21h30, com a necessidade de vencer por uma diferença de gols que não aplica no rival há 20 anos. Após perder por 3 a 0 no jogo de ida das quartas de final, no Nubank Parque, a equipe comandada por Cuca precisa de uma vitória por três gols de vantagem para forçar as penalidades. Caso imponha uma goleada ainda maior, o Alvinegro assegura vaga direta nas semifinais.
Em 3 de setembro de 2006, o Santos goleou o Palmeiras por 5 a 1, na mesma Vila Belmiro, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, o atacante Wellington Paulista e o zagueiro Luiz Alberto fizeram dois gols cada. Jonas completou o placar para a equipe então comandada por Vanderlei Luxemburgo, enquanto Juninho Paulista fez o único do rival, que tinha Tite como treinador. Na época, o astro santista Neymar tinha apenas 14 anos e atuava nas categorias de base. De lá para cá, todas as vezes em que o Peixe saiu vencedor do chamado "Clássico da Saudade" foi por, no máximo, dois gols de diferença.
No século 21, essa foi a única goleada santista no confronto. Além disso, duas décadas atrás, os clubes viviam realidade oposta à de hoje. O Santos vinha de dois títulos brasileiros (2002 e 2004) e um vice da Copa Libertadores, enquanto o Palmeiras havia disputado a Série B pela primeira vez três anos antes. Atualmente, o clube da capital vive sua era mais vitoriosa, sob o comando de Abel Ferreira. Já o Peixe não conquista um título de elite há mais de dez anos e fez sua primeira incursão na segunda divisão recentemente, em 2024.
Neymar joga a responsabilidade para o lado palmeirense
Após liderar o Santos na vitória sobre o Corinthians, Neymar é o principal trunfo santista para tentar a virada no confronto. O atacante, que cobrou a falta no lance do gol de Christian Oliva no domingo (30), disse que o time irá entrar leve em campo contra o Palmeiras. Ainda na Neo Química Arena, o atacante usou o verbo "divertir" para ilustrar a situação.
"Vamos jogar para nos divertir. A responsabilidade é toda do Palmeiras, que é o segundo melhor time do país. A responsabilidade é deles, e a gente vai se divertir quarta-feira na Vila", disse.
Na derrota por 3 a 0 no jogo de ida, Neymar desfalcou o Santos. Embora seja um crítico severo do gramado sintético usado no Nubank Parque, o craque afirmou que não jogou por opção da comissão técnica. Nesta quarta, ele deve ficar à disposição de Cuca, apesar da maratona de jogos que haverá pela frente, incluindo a briga contra o Z4 do Brasileirão e confrontos contra o Atlético-MG pelas quartas de final da Copa Sul-Americana. Em que pese tenha falado de leveza, o jogador não jogou a toalha no confronto:
"Futebol é assim, a gente não esperava o resultado de 3 a 0. Mas futebol é isso, tem remontadas, tem jogos que acontecem o extraordinário e, quem sabe, quarta-feira pode acontecer", afirmou, compartilhando da visão do técnico Cuca.
Retrospecto positivo e busca do primeiro gol em clássico
O protagonismo diante do Corinthians levou Neymar à sua segunda vitória em clássicos desde que retornou ao Santos, no início de 2025. O camisa 10 jogou quatro de 16 duelos contra os principais rivais do Peixe no período. O outro triunfo foi justamente contra o Palmeiras, no segundo turno do Brasileirão do ano passado. Com gol do argentino Rolheiser, o Peixe fez 1 a 0, na Vila Belmiro, em 15 de novembro.
Apesar do retrospecto positivo em clássicos (58,3% de aproveitamento), Neymar ainda busca o primeiro gol em duelo contra um integrante do "Trio de Ferro" (Corinthians, Palmeiras e São Paulo) na volta ao clube. Na sua primeira passagem pelo Peixe, quando despontou como nova revelação do clube, entre 2009 e 2013, o atacante fez 20 gols em confrontos do tipo.
Diante do Palmeiras, o histórico geral de Neymar é equilibrado. O astro santista entrou em campo contra o Alviverde 13 vezes, com cinco vitórias, três empates e cinco derrotas. O jogo mais marcante para ele foi nas semifinais do Paulistão de 2009, quando o Peixe fez 2 a 1, no antigo Palestra Itália, e avançou à decisão contra o Corinthians.
Freguesia na Copa do Brasil e diante de Abel Ferreira
A ladeira para o Santos contra o Palmeiras no duelo da Copa do Brasil é íngreme por diversos fatores. Além da necessidade de uma goleada inédita em 20 anos, a equipe tem outros dois obstáculos: o retrospecto diante do rival no torneio nacional e contra o técnico Abel Ferreira.
Esta é a terceira vez que os times duelam na Copa do Brasil. Nos dois encontros anteriores, o Palmeiras levou a melhor. Em 1998, nas semifinais, o clube alviverde avançou para a decisão após dois empates - 1 a 1 no antigo Palestra Itália e 2 a 2 na Vila Belmiro. Na época, vigorava a regra de peso maior para gols fora de casa como critério de desempate. Já em 2015, os rivais disputaram a final e o clube da Barra Funda ficou com o título nos pênaltis, no então Allianz Parque, após fazer 2 a 1 no tempo regulamentar - na ida, o Peixe venceu por 1 a 0, em Urbano Caldeira.
No histórico do clássico na era Abel Ferreira, que assumiu o comando palmeirense no fim de 2020, o Santos também está em enorme desvantagem. O Peixe é a maior vítima do português em clássicos. São 20 jogos, com 14 vitórias do Palmeiras, três empates e apenas três triunfos do Santos. As raras vezes em que o time da Baixada saiu vencedor foi pela margem mínima (1 a 0 ou 2 a 1). Ademais, Abel Ferreira foi bem-sucedido em todos os mata-matas no "Clássico da Saudade". O técnico foi campeão duas vezes contra o Santos, na Libertadores de 2020 e no Paulistão de 2024.
Assim, Santos e Neymar têm uma coleção de escritas "pouco divertidas" a superar por uma vaga nas semifinais da Copa do Brasil, fase em que o clube não chega há 11 anos.
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