A chegada da Pirelli à MotoGP em 2027 já começa a gerar preocupação nos bastidores da categoria. Apesar da expectativa de que a mudança de fornecedora de pneus possa ajudar a resolver problemas enfrentados pelos pilotos nos últimos anos, declarações do ex-chefe de equipe Ramon Forcada indicam que as controversas regras de pressão dos pneus podem continuar mesmo com a nova fornecedora.
O assunto voltou a ganhar força durante o GP da Indonésia, marcado por situações em que os pilotos precisaram administrar o ritmo para manter a pressão do pneu dianteiro dentro dos limites regulamentares. Pedro Acosta foi um dos protagonistas desse cenário ao perder tempo na pista enquanto tentava elevar a pressão do pneu, chegando a acompanhar o ritmo de outros competidores em vez de manter sua velocidade habitual. A situação provocou críticas ao regulamento e reacendeu o debate sobre a influência dessas exigências no resultado das corridas.
O problema também havia afetado Jorge Martín, que perdeu a vitória na corrida Sprint após uma infração relacionada à pressão dos pneus. Atualmente, os pilotos precisam respeitar limites mínimos durante uma porcentagem determinada das provas. A exigência é de pelo menos 30% da distância em corridas Sprint e 60% na corrida principal. Quando o piloto não cumpre o requisito, a punição prevista é de oito segundos na Sprint e 16 segundos na corrida de domingo.
A principal preocupação está na possibilidade de a Pirelli não conseguir alterar significativamente esse sistema quando assumir o fornecimento de pneus da MotoGP na próxima temporada. Segundo Forcada, a fabricante teria interesse em modificar a forma de fiscalização, substituindo o atual modelo. Entretanto, a variação da pressão conforme a temperatura dos pneus e as condições de utilização torna a implementação de um método alternativo mais complexa.
“Pelo que ouvi, a Pirelli queria fazer algo completamente diferente." disse Forcada no podcast Duralavita
“Me disseram que haveria um regulamento, mas não existiriam punições pós-corrida nem mudanças nos resultados por causa das pressões."
"E esse procedimento é, na verdade, bastante simples: basta verificar antes e depois conferir novamente no grid. No entanto, fazer a verificação no grid é muito complicado, principalmente por causa da questão da temperatura. É como acontece com o combustível: ele é verificado uma hora antes da corrida e, nesse momento, os tanques são lacrados."
A mudança de fornecedora acontecerá em um momento importante para a categoria. A partir de 2027, as motos passarão a utilizar motores de 850 cilindradas, além de sofrerem alterações aerodinâmicas e perderem os dispositivos de ajuste de altura. Essas mudanças devem modificar o comportamento das motocicletas e as cargas exercidas sobre os pneus, oferecendo à Pirelli uma oportunidade de desenvolver compostos adaptados às novas exigências técnicas.
A Pirelli atualmente fornece pneus para o Mundial de Superbike (WorldSBK) e para a Moto2, embora, segundo informações, o projeto desenvolvido para a MotoGP não seja baseado em nenhum desses modelos. Ainda assim, a tecnologia deverá seguir princípios semelhantes.
Em teoria, a fabricante italiana poderá desenvolver um pneu dianteiro menos suscetível aos efeitos do calor e das cargas, que afetam o atual pneu dianteiro da Michelin.
A Michelin planejava introduzir um pneu dianteiro desenvolvido para evitar os problemas de pressão em 2026, antes de abandonar o projeto. Um protótipo foi levado aos testes de Misano em 2024, com o objetivo de ser utilizado a partir de 2025. Porém, as equipes dedicaram apenas meia hora aos testes, período considerado insuficiente para garantir sua introdução com segurança conforme o planejamento original.
A implementação foi então adiada para 2026, antes de o projeto ser definitivamente cancelado, já que a Michelin não teve seu contrato com a MotoGP renovado para além de 2026. Se a categoria tivesse trabalhado mais com as equipes para garantir testes mais completos daquele pneu na época, essa situação que surgiu na Indonésia poderia ter sido totalmente evitada.