Em meio à luta contra o rebaixamento na Série B, o Goiás enfrenta uma crise financeira que afeta seu desempenho. Após vencerem o Avaí, jogadores e o técnico Mozart se recusaram a dar entrevistas em protesto contra a diretoria. O elenco cobra dois meses de salários e direitos de imagem atrasados, além de cinco premiações por vitórias. Funcionários também estão com pagamentos pendentes. A manifestação ocorreu após a cúpula do clube descumprir uma promessa de quitar parte das dívidas.
Décimo primeiro colocado com 42 pontos, o Goiás trata a fuga contra o rebaixamento como primeiro objetivo do clube na Série B do Brasileirão. Segundo o histórico da competição, a meta deve ser alcançada com mais uma vitória. Depois disso, o clube passa a olhar para as chances de classificação dentro do G6, que dará a possibilidade de lutar pelo acesso para a primeira divisão.
Na teoria, o cenário não é tão complicado. Contudo, o ambiente conturbado do clube tem atrapalhado o desempenho do elenco nos últimos meses. O auge do problema pode ter acontecido no último domingo, 20, quando os jogadores se recusaram a conceder entrevistas após a vitória por 2 a 1, diante do Avaí. O técnico Mozart também não conversou com a imprensa em solidariedade ao elenco.
O silêncio foi um protesto contra a direção pela crise financeira vivida no clube. Para se ter noção, os jogadores do Goiás estão com dois meses de salários atrasados. Além disso, o clube também deve dois meses de direito de imagem e cinco premiações por vitórias.
Além dos atletas, os funcionários do clube também estão com salário atrasado. O Goiás deve pelo menos um mês aos funcionários. A diretoria prometeu quitar parte dos salários atrasados na última semana. Como o acordo não foi cumprido, os jogadores decidiram pelo manifesto silencioso, que foi explicado por parte do elenco em carta aberta publicada nas redes sociais.
Veja a carta dos jogadores do Goiás
Ao torcedor esmeraldino,
O que aconteceu ao final da partida contra o Avaí não foi uma decisão fácil. Pelo contrário. Para nós, jogadores, o silêncio diante da imprensa foi uma forma de expressar algo que há algum tempo estamos tentando resolver internamente, com diálogo, respeito e confiança.
Entramos em campo, treinamos e trabalhamos todos os dias honrando uma camisa que representa milhões de pessoas. E seguimos fazendo isso mesmo diante de uma realidade que tem sido difícil para todos nós.
Existem vencimentos em atraso, incluindo valores referentes a CLT, direitos de imagem e premiações. Semana após semana, convivemos com promessas de regularização e com a expectativa de que os compromissos assumidos sejam cumpridos.
Ainda assim, em nenhum momento deixamos de trabalhar.
Treinamos. Jogamos. Viajamos. Nos entregamos em cada partida. Vencemos jogos. Lutamos pelo Goiás dentro de campo. Fizemos o que sempre nos foi pedido: honrar a camisa e representar o clube da melhor maneira possível.
E continuaremos fazendo.
Nosso posicionamento não é uma atitude contra o Goiás Esporte Clube. Muito menos contra o torcedor, que sempre esteve ao nosso lado e que merece todo o nosso respeito. É justamente por respeitarmos o clube, a instituição e quem trabalha por ela que entendemos ser necessário tornar pública uma situação que já não pode ser tratada apenas nos bastidores.
E existe uma razão ainda maior para este movimento.Não estamos falando apenas por nós.
Estamos falando também pelos funcionários do Goiás, especialmente aqueles que recebem os menores salários e que enfrentam dificuldades ainda maiores quando seus vencimentos não são pagos em dia.
São profissionais que chegam cedo, trabalham diariamente, cuidam da estrutura do clube, dos campos, da limpeza, da alimentação, da segurança, do atendimento e de tantas outras funções fundamentais para que o futebol aconteça.
São pessoas que, assim como nós, têm famílias, contas para pagar e responsabilidades que não podem esperar.
Por isso, nosso silêncio ontem também foi por eles.
Sabemos da responsabilidade que carregamos quando vestimos esta camisa. Sabemos que o torcedor não tem culpa dos problemas internos do clube e que, dentro de campo, espera de nós entrega, dedicação e resultado.
E é exatamente isso que temos procurado entregar.
Mas também somos trabalhadores. Temos compromissos, famílias e direitos. O que pedimos é simples: que os compromissos assumidos sejam cumpridos e que todos aqueles que trabalham pelo Goiás sejam tratados com respeito e dignidade.
Nossa intenção não é criar conflitos. É buscar uma solução.
Queremos que o Goiás esteja forte, organizado e unido. Queremos voltar nossas atenções exclusivamente para o futebol, para os treinamentos, para os jogos e para o objetivo que todos compartilhamos: ver o Goiás onde ele merece estar.