Veja o que representantes de clubes brasileiros falaram sobre a MP das bets durante audência no STF

Equipes da Série A do Brasileirão enviaram dirigentes e advogados para discursarem contra a suspensão das casas de aposta

3 nov 2026 - 17h09
(atualizado às 17h52)
Audiência pública no STF debateu MP das bets e recebeu representantes de clubes
Audiência pública no STF debateu MP das bets e recebeu representantes de clubes
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Durante a audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, 3, sobre a proibição das apostas esportivas do Brasil, representantes de clubes como Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo e Corinthians se posicionaram contra a suspensão do mercado no país. Advogados e dirigentes fizeram críticas à MP das bets, assinada pelo presidente reeleito Lula (PT), e apontaram os prejuízos às equipes.

A audiência pública é presidida pelo ministro do STF Luis Fux, que é relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, movida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). A entidade pede a derrubada da MP das bets.

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O primeiro nome a falar foi o vice-presidente do Flamengo, Flávio de Araújo Willeman. O dirigente afirmou que o Rubro-Negro terá um prejuízo de 430 milhões com a proibição das bets e que isso ainda impactará na manutenção de mais de mil funcionários empregados pelo clube. Willeman alegou que, quando assinou contratos com casas de aposta, entendia que este seria um mercado perene no Brasil. 

"O Flamengo se organizou financeiramente para os quatro ou cinco anos com base nos contratos assinados de acordo com a legislação vigente. O Flamengo contraiu obrigações financeiras com atletas e empregados com base nesses contratos. O Flamengo acreditou que o Brasil regulou as apostas", afirmou.

O dirigente ainda citou altos investimentos feitos pela equipe e justificou que os valores foram baseados no que se projetava de ganho com o mercado comercial e publicitário das apostas. Entre, eles, está a compra do meio-campista Lucas Paquetá, que custou mais de R$ 300 milhões aos cofres do clube.

Presidente do Fluminense citou o 'drama do desemprego'

Assim como Willeman, do Flamengo, citou em seu pronunciamento, o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, destacou que há um impacto direto no emprego de funcionários ligados ao mercado da bets, seja de forma direta ou indireta.

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O dirigente ainda comparou o endividamento de famílias por conta do vício em apostas, tema que é constantemente levantado por Lula ao falar da proibição das bets, com o "efeito do desemprego". "O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol, principalmente nas agremiações menores com essa perda de receita", disse Montenegro.

"O ponto que me chamou atenção é que ouvi muito se falar sobre o drama das famílias, o drama do endividamento. Isso é verdade, o Fluminense não nega isso. Só que também existe um drama do desemprego. O que os clubes vão fazer se a receita acabar?", completou o presidente do Fluminense.

Mattheus Montenegro ainda destacou o impacto que a medida terá para os clubes de menor expressão no Rio de Janeiro e citou impacto negativo de R$ 200 milhões ao Fluminense. "Mexer com essa MP vai no coração de todos os clubes, acaba com a principal fonte de sobrevivência", disse.

Representantes de Botafogo, Cruzeiro e Vitória também subiram ao palanque para falar na audiência pública. Os advogados Bichara Abidão Neto e Udo Varejão Secklemann representaram o alvinegro carioca e sustentaram a manutenção das bets sob a perspectiva dos compromissos financeiros do clube como uma instituição em recuperação judicial.

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O clube está em recuperação judicial desde maio de 2026 e afirmou que o plano financeiro contava com o fluxo de caixa dos recursos gerados pelo contrato com a bet. Além disso, os advogados pediram a anulação da MP por parte do ministro Fux, ainda que não seja em sua totalidade, mas para que garanta o mínimo de recurso financeiro aos clubes. 

"O Botafogo entende que os efeitos dessa medida provisória precisam ser urgentemente suspensos. Quando, ainda que não para suspender toda, se você nem se entender por não suspender os efeitos integrais da medida provisória, que ao menos observe o calendário do futebol brasileiro e observe também a duração dos contratos já celebrados, para que seja possível fazer uma transição minimamente razoável para tentar readequar o prejuízo que essa MP vem causando aos clubes de futebol", explicou.

José Francisco Cimino Manssur, representante do Cruzeiro, levou a dicussão para a comparação com rivais sul-americanos. O advogado citou o caso do jogo entre Vasco e Boca Juniors, pela Sul-Americana, no Maracanã, em que o clube argentino estampou uma empresa de bet em sua camisa, enquanto o time brasileiro não pôde fazer a mesma coisa.

"A medida provisória ainda vai gerar um enorme desequilíbrio entre o futebol brasileiro e as equipes sul-americanas. No ano que vem, o Cruzeiro enfrentará equipes argentinas, uruguaias, e da Colômbia que poderão ter patrocínio de aposta, enquanto a nossa equipe brasileira não vai contar com esse patrocínio", completou.

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O advogado André Sica falou em nome do Vitória. O representante afirmou que, ao contrário de clubes que projetam impactos negativos financeiros futuros, o rubeo-negro baiano já está sentindo no bolso a ausência das bets e exemplificou que a equipe é uma das que têm seu faturamento amplamente ligado aos ganhos com patrocínio de bets no uniforme e placas de publicidade. 

"O Vitória tem um faturamento de R$ 290 milhões anuais. E as bets e a publicidade de placas representam R$ 45 milhões, ou seja, quase 17% do faturamento do clube. Ou seja, aquilo que alguns clubes citam como um risco futuro, o Vitória já traz para o presente. O Vitória tem risco imediato de decenso [na Série A] e risco imediato de drenagem de seus caixas. A nossa briga é pelo amanhã do Vitória, e o amanhã do Vitória não está garantido", disse André Sica.

Fonte: Portal Terra
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