A derrota por 2 a 1 para o Remo escancarou a crise no Botafogo, que acumula quatro derrotas, um empate e apenas uma vitória em seis jogos sob a liderança de Tite. Apesar das constantes trocas na escalação, o técnico ainda não deu padrão tático nem solidez defensiva à equipe, que segue desorganizada e vulnerável. Na 11ª posição, com 39 pontos, o clube vê a margem de erro diminuir na reta final do Brasileiro e cobra do treinador respostas práticas imediatas para evitar novas quedas na tabela.
O problema do Botafogo já não pode ser tratado como uma simples questão de adaptação. A derrota por 2 a 1 para o Remo, nesta quarta-feira, escancarou novamente as limitações de um trabalho que, até agora, não apresenta sinais consistentes de evolução.
Tite chegou com a missão de reorganizar a equipe, mas o time continua perdido em campo. Em seis partidas sob seu comando, são quatro derrotas, um empate e apenas uma vitória.
O retrospecto é ruim, mas a preocupação vai além dos números: o treinador ainda não conseguiu estabelecer um padrão de jogo capaz de oferecer segurança à equipe em um momento delicado da temporada.
Tite muda as peças, mas não resolve os problemas
A troca de treinador deveria representar uma oportunidade de corrigir os defeitos que comprometiam o Botafogo. Até aqui, porém, as alterações promovidas por Tite na escalação e na hierarquia do elenco não se converteram em uma melhora coletiva.
O time continua vulnerável defensivamente, oferece espaços aos adversários e demonstra dificuldade para reagir quando precisa mudar o cenário de uma partida. Contra o Remo, uma equipe que atravessava uma sequência de 12 jogos sem vencer no Brasileirão, essas fragilidades voltaram a custar pontos.
Não é razoável atribuir toda a responsabilidade ao técnico. Desfalques, limitações individuais e problemas acumulados também interferem no desempenho. Mas Tite foi contratado justamente para encontrar soluções dentro desse cenário. Até agora, não conseguiu fazê-lo de maneira convincente.
A insistência em mudanças que não produzem resultado também exige explicações. Um treinador precisa avaliar o que funciona, corrigir o que falha e demonstrar que suas decisões têm impacto no rendimento coletivo. Quando os mesmos problemas persistem, a responsabilidade pela falta de evolução passa necessariamente pela comissão técnica.
O discurso não substitui a resposta em campo
O Botafogo não precisa apenas de ajustes pontuais ou de uma reação emocional nos minutos finais. Precisa de uma equipe organizada, capaz de defender com consistência e de executar um plano de jogo reconhecível. Essa estrutura ainda não apareceu sob o comando de Tite.
A derrota em Belém reforça a cobrança porque não surge isolada. Ela se soma a outros resultados negativos e mantém o treinador sem margem confortável para justificar o desempenho com a necessidade de tempo. Na reta final do campeonato, cada rodada reduz o espaço para experiências e aumenta o custo dos erros.
Com 39 pontos, o Botafogo ocupa a 11ª colocação e ainda corre o risco de perder posições. O próximo compromisso será contra o Atlético-MG, no Nilton Santos, em um confronto no qual o resultado terá peso na tentativa de estabilizar a campanha.
Tite precisa mostrar que consegue mudar o cenário, não apenas explicar suas dificuldades. A experiência do treinador não o isenta de cobrança; pelo contrário, aumenta a expectativa por respostas. Se o Botafogo continua desorganizado, vulnerável e sem identidade, cabe a ele demonstrar por que suas escolhas podem conduzir a equipe a um caminho diferente.
Até agora, o trabalho não entregou essa resposta. E, enquanto ela não aparece, o Botafogo segue à deriva.
Em seis jogos, são quatro derrotas, um empate e apenas uma vitória. O retrospecto é insuficiente, sobretudo porque a equipe continua repetindo falhas que deveriam estar entre as prioridades de correção da comissão técnica.
Tite precisa explicar, dentro de campo, o que pretende construir. Até agora, não conseguiu dar consistência à defesa, estabelecer um padrão confiável de atuação nem fazer o Botafogo reagir de maneira convincente quando fica em desvantagem.
Não basta reconhecer que o time precisa melhorar. Também não basta pedir competitividade depois de mais uma derrota. Cabe ao treinador encontrar soluções táticas, ajustar o posicionamento e demonstrar que consegue influenciar positivamente o desempenho da equipe.
O Botafogo tem limitações e enfrenta dificuldades que não dependem exclusivamente do técnico. Mas Tite foi contratado para conduzir a equipe em um momento delicado. Não pode se eximir da responsabilidade pelos resultados nem tratar os problemas como se fossem inevitáveis.
Com 39 pontos, o time ocupa a 11ª colocação e ainda pode perder posições na rodada. Na próxima quarta-feira, recebe o Atlético-MG, no Nilton Santos.
A margem para novos tropeços diminui. Tite precisa transformar discurso em desempenho e apresentar respostas concretas. Caso contrário, a sensação de que o Botafogo está à deriva deixará de ser apenas uma impressão provocada por uma derrota: será o retrato de um trabalho incapaz de mudar o cenário.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.