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Sem apoio, Doria recua e libera torcida nos estádios de SP

Governador segurou o quanto pôde, mas estava ficando desleal ter jogos em Estados com público e em outros não; a pandemia não acabou e cada região do Brasil toma sua própria decisão em relação à covid-19 no futebol

24 set 2021 10h48
| atualizado às 10h55
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Estava ficando difícil para o governador de São Paulo, João Doria, segurar a pressão e desviar dos pedidos dos clubes paulistas e entidades esportivas para a liberação do torcedor nos estádios. Estava ficando uma disputa desleal dentro de campo, com times em determinados Estados, como Rio e Minas, com portões parcialmente abertos enquanto que em São Paulo isso era vetado. A decisão era iminente, prometida para novembro coincidentemente com a realização da corrida de Fórmula 1 na cidade, em que o governador participou das tratativas para um contrato de parceria por mais cinco anos em Interlagos. Então, o governador voltou atrás e liberou o torcedor.

Programa de Fiel Torcedor voltou a funcionar Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

A ideia inicial era que tudo fosse aberto para o torcedor em novembro. A pressão e algum bom senso ajudaram a mudar isso. Dia 4 de outubro, o torcedor de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos estarão em seus respectivos estádios empurrando seus times em partidas e decisões.

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O torcedor é bem-vindo. O futebol descobriu com a pandemia, que ainda não acabou, que a presença de público é o ativo mais importante de um jogo, tão importante quanto os jogadores, por exemplo. Sem torcida, o jogo fica sem graça, os corações não batem nem dentro de campo nem fora dele. Não há alegria e, em muitos casos, a motivação cai. Não deveria cair porque atletas profissionais deveriam superar isso, mas é inegável que o clima influencia na disputa.

Há regras para essa volta em São Paulo, o Estado mais populoso do Brasil e o de maior número de covid-19 em todos os sentidos. Em São Paulo morreu mais gente e teve e tem mais pessoas contaminadas diariamente. A decisão de Doria é tomada quando os números da doença, que vinham em queda em suas médias, dão uma piorada no Brasil. Portanto, é preciso ter atenção, cuidados e seguir regras. Cada Estado está tomando suas próprias decisões e elas são dinâmicas. Dia 17, o Estadão deu um panorama disso. Não há nada centralizado ou de um comando únido. O governo federal foi incapaz de fazer isso. A CBF também largou mão e entregou às federações, como sempre faz. E casa região tem números diferentes da doença.

Não dá para abrir mão dos protocolos de saúde. Usar máscara continua sendo a maneira mais efetiva na defesa. Se valer de álcool em gel também. Manter-se dentro dos estádios com as máscaras se faz necessário. Se tivesse de dar um conselho, daria esse mesmo: 'torcedor, não tire a máscara dentro das arenas'. Manter o distanciamento, procurar ficar em lugares mais vazios, evitar comer durante os 90 minutos, entrar e sair longe das aglomerações, ter paciência.

São Paulo tem a chance de dar bons exemplos. Apresentar os documentos de vacinas e fazer os testes PCRs serão obrigatórios. Não 'arrume' documentos falsos porque se isso acontecer você poderá se contaminar ou mesmo passar a doença, caso a tenha e não saiba, para outros. Digo isso porque já ouvi dizer que há por aí atestados falsos de vacinação e testes. Meu Deus! Vale lembrar que mais de 500 pessoas morrem diariamente de covid-19 no Brasil e o vírus ataca cada cidadão de forma diferente, não há uma maneira única de ele debilitar suas vítimas. Portanto, todo cuidado é pouco. E talvez seja para sempre. Precisamos voltar, mas com inteligência, sem riscos, com cautela.

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Para os clubes de São Paulo, os portões abertos significam dinheiro em caixa também. Ingressos não serão vendidos em dias de jogos, como é há anos. A carga será nesse momento de 30% da capacidade total do estádio. Os times estimam ganhar por mando até R$ 2 milhões. Ou um pouco mais do que isso num borderô bruto. Novos gastos serão feitos com organização, por exemplo, e limpeza. No Brasileirão, os quatro times paulistas devem mandar entre oito e nove partidas.

A liberação do público em São Paulo também deve ajudar as agremiações a impulsionar seus programas de sócios-torcedor, de modo a ter novamente uma fonte de rende interessante neles. Com a pandemia e a economia do Brasil em frangalhos, com inflação e sem emprego, muitos deixaram de pagar o programa porque não estavam se valendo de seu benefícios. Podem apertar o cinto e voltar agora.

A secretária de saúde do Estado de São Paulo, assim como o comando dos órgãos de combate à covid-19, estará de olho nesse torcedor. Não está descartada a possibilidade de repensar a decisão caso os números de mortes e contaminados aumentem no Estado e no País, como um todo. No jogo da seleção brasileira em Manaus, em outubro, contra o Uruguai, pelas Eliminatórias, o governo local também já autorizou a presença de torcida. Era para ter sido no jogo que não aconteceu entre Brasil e Argentina, na Neo Química Arena, mês passado. Mas as autoridades não se organizaram a tempo disso.

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