Parlamento da Europa pede para que presidente da FIFA seja investigado; saiba o porquê

Cinquenta membros do Parlamento Europeu solicitaram que a FIFA abra uma investigação formal ao seu presidente, Gianni Infantino, por alegadas violações das regras de neutralidade política da entidade máxima do futebol mundial. A pressão surge na sequência da atribuição do recém-criado "Prémio da Paz da FIFA" ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma decisão […]

30 jun 2026 - 08h40
Gianni Infantino, presidente da FIFA, durante sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2026, em dezembro de 2025 -
Gianni Infantino, presidente da FIFA, durante sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2026, em dezembro de 2025 -
Foto: Andrew Harnik/Getty Images / Esporte News Mundo

Cinquenta membros do Parlamento Europeu solicitaram que a FIFA abra uma investigação formal ao seu presidente, Gianni Infantino, por alegadas violações das regras de neutralidade política da entidade máxima do futebol mundial. A pressão surge na sequência da atribuição do recém-criado "Prémio da Paz da FIFA" ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma decisão que gerou forte controvérsia política e institucional.

Segundo informações obtidas pelo site de investigação POLITICO, uma carta assinada por eurodeputados expressa apoio a uma queixa apresentada pela ONG de direitos humanos FairSquare. O documento pede que o comité de ética da FIFA analise a criação do prémio e a sua posterior atribuição a Trump, levantando dúvidas sobre transparência, imparcialidade e cumprimento do próprio estatuto da federação.

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De acordo com os parlamentares, a decisão de instituir um prémio anual de paz e entregá-lo a uma figura política em exercício pode comprometer a imagem de neutralidade da FIFA. Os eurodeputados argumentam ainda que declarações públicas de Gianni Infantino em apoio ao presidente norte-americano podem violar as regras internas da organização, que determinam que a FIFA deve manter neutralidade em questões políticas e religiosas.

O eurodeputado Barry Andrews, do grupo Renew e autor da carta, afirmou que o futebol internacional tem a missão de unir povos e nações, e não de se associar a disputas políticas. Segundo ele, decisões deste tipo colocam em causa a credibilidade da entidade. "Quando o presidente da FIFA, Infantino, favorece um presidente em detrimento de outro, isso traz descrédito à FIFA e a todo o torneio", declarou.

Donald Trump recebeu o primeiro "Prémio da Paz da FIFA" em 5 de dezembro de 2025, entregue pessoalmente por Infantino. Poucos dias depois, a FairSquare apresentou uma queixa formal ao comité de ética da FIFA, alegando que a criação da distinção não teria sido devidamente comunicada ao Conselho da entidade, levantando suspeitas sobre falta de transparência no processo.

Na nova carta enviada ao Parlamento Europeu, os eurodeputados reforçam a necessidade de uma resposta clara da FIFA e defendem que a organização deve demonstrar compromisso com princípios de transparência, responsabilização e neutralidade política, especialmente num momento de grande visibilidade global do futebol.

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A FIFA confirmou ter recebido a queixa em dezembro, mas ainda não respondeu oficialmente ao pedido dos eurodeputados nem aos questionamentos enviados pelo POLITICO. O caso reacende críticas antigas dirigidas à entidade, que já foi acusada anteriormente de decisões controversas, incluindo a escolha da Arábia Saudita como sede do Mundial de 2034, sob alegações de preocupações com direitos humanos e coerência dos seus próprios princípios institucionais.

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