Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, voltou a se transformar na capital brasileira da vela com o início da 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela (SIVI). Considerada a principal competição de vela oceânica da América Latina, a edição de 2026 acontece entre os dias 24 de julho e 1º de agosto, reunindo mais de 80 embarcações, atletas olímpicos, profissionais e amadores, além de equipes brasileiras e internacionais. O evento é promovido pela Prefeitura de Ilhabela em parceria com o Yacht Club de Ilhabela (YCI) e também conta com uma programação cultural voltada ao público no Race Village.
Além das disputas esportivas, a Semana Internacional de Vela movimenta o turismo e a economia da cidade, consolidando Ilhabela como um dos principais destinos da modalidade no continente. A competição recebe embarcações de diversos estados brasileiros e também de países como Argentina e Uruguai, elevando o nível técnico das regatas e fortalecendo o intercâmbio entre velejadores.
Entre os participantes da 53ª edição está Lars Grael, um dos maiores nomes da história da vela brasileira. Bicampeão olímpico de bronze, nos Jogos de Seul-1988 e Atlanta-1996, o velejador disputou quatro edições dos Jogos Olímpicos, conquistou o título mundial da classe Snipe em 1983 e foi campeão mundial da classe Star em 2015. Ao longo da carreira, também acumulou diversos títulos brasileiros e sul-americanos. Em 1998, sofreu um grave acidente durante uma regata em Vitória (ES), que resultou na amputação de sua perna direita. O episódio, porém, marcou uma história de superação: Lars retornou às competições de alto rendimento e, ao lado do irmão Torben Grael, criou o Projeto Grael, iniciativa voltada à formação esportiva e inclusão social de jovens por meio da vela.
TRADIÇÃO QUE ATRAVESSA GERAÇÕES
Para Lars Grael, a Semana Internacional de Vela segue crescendo a cada edição e mantém o prestígio conquistado ao longo de mais de cinco décadas de história.
"A Semana de Vela aqui em Ilhabela é um evento com uma tradição muito grande. São 53 edições. Eu vejo que, nos últimos anos, houve um esmero muito grande para que o evento fosse maior e melhor. Há barcos de fora do Brasil, que eu acho que abrilhantam o evento, vindos de Uruguai e Argentina. Então, a organização até aqui é muito boa."
O velejador também comentou sobre o início das disputas e as expectativas para a primeira regata da competição, tradicionalmente uma das mais desafiadoras da programação.
"Hoje é dia da primeira regata. Regata longa. Parte da flotilha vai até Alcatrazes e a outra parte, até a Ilha de Toque-Toque. A expectativa, por enquanto, é de vento fraco, e eu estou por aqui, velejando com um grupo de amigos, num barco com bastante história, que se chama 'Madrugada'."
RENOVAÇÃO ANIMA O FUTURO DA MODALIDADE
Referência da vela nacional há décadas, Lars também avaliou o atual momento do esporte no Brasil e destacou o desempenho das categorias de base. Para ele, a nova geração tem apresentado resultados promissores, mas precisará de um trabalho consistente para alcançar o alto rendimento nos ciclos olímpicos.
"Na vela brasileira, eu vejo que a renovação, hoje, é muito boa. A vela jovem tem tido resultados que nunca teve antes em categorias de base. O importante, agora, é essa geração ser bem conduzida para que possa chegar a um nível de vela olímpica e vela pan-americana. É esse hiato entre ciclos que, às vezes, há uma grande dificuldade."
Na visão do bicampeão olímpico, o principal desafio será transformar esse potencial em resultados nos próximos anos.
"Então, o Brasil tem um grande desafio pela frente, que é Los Angeles 2028. Mas eu vejo uma boa renovação chegando para que, quem sabe, o Brasil volte a brilhar em 2032, em Brisbane."
OLHAR VOLTADO PARA LOS ANGELES 2028
Embora reconheça a tradição da vela brasileira em competições internacionais, Lars acredita que ainda é cedo para apontar favoritos à conquista de medalhas nos próximos Jogos Olímpicos. Segundo ele, os anos que antecedem a Olimpíada serão decisivos para identificar os atletas que poderão chegar em condições de disputar o pódio.
"O Brasil tem grandes velejadores, uma equipe técnica bastante sólida, um trabalho que a CBVela desenvolve junto ao Comitê Olímpico do Brasil. A gente ainda não tem um favoritismo claro, mas o Brasil pode surpreender em várias classes. Eu acho que é muito importante que essa fase, de agora, de 2026 e 2027, que é o período que antecede a Olimpíada, seja para a gente ver velejadores que começam a despontar, que podem subir no ranking, para que a gente possa falar, quem sabe, em favoritismo. Por enquanto, não temos."
Enquanto as regatas seguem nas águas do Canal de São Sebastião, a 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela reafirma seu papel como um dos maiores eventos esportivos do país. Além de preservar uma tradição de mais de meio século, a competição reúne atletas consagrados e jovens talentos, fortalecendo o desenvolvimento da vela brasileira e servindo como importante vitrine para o futuro da modalidade.
Para Lars Grael, a Semana Internacional de Vela segue crescendo a cada edição e mantém o prestígio conquistado ao longo de mais de cinco décadas de história."A Semana de Vela aqui em Ilhabela é um evento com uma tradição muito grande. São 53 edições. Eu vejo que, nos últimos anos, houve um esmero muito grande para que o evento fosse maior e melhor. Há barcos de fora do Brasil, que eu acho que abrilhantam o evento, vindos de Uruguai e Argentina. Então, a organização até aqui é muito boa."O velejador também comentou sobre o início das disputas e as expectativas para a primeira regata da competição, tradicionalmente uma das mais desafiadoras da programação."Hoje é dia da primeira regata. Regata longa. Parte da flotilha vai até Alcatrazes e a outra parte, até a Ilha de Toque-Toque. A expectativa, por enquanto, é de vento fraco, e eu estou por aqui, velejando com um grupo de amigos, num barco com bastante história, que se chama 'Madrugada'."Renovação anima o futuro da modalidadeReferência da vela nacional há décadas, Lars também avaliou o atual momento do esporte no Brasil e destacou o desempenho das categorias de base. Para ele, a nova geração tem apresentado resultados promissores, mas precisará de um trabalho consistente para alcançar o alto rendimento nos ciclos olímpicos."Na vela brasileira, eu vejo que a renovação, hoje, é muito boa. A vela jovem tem tido resultados que nunca teve antes em categorias de base. O importante, agora, é essa geração ser bem conduzida para que possa chegar a um nível de vela olímpica e vela pan-americana. É esse hiato entre ciclos que, às vezes, há uma grande dificuldade."Na visão do bicampeão olímpico, o principal desafio será transformar esse potencial em resultados nos próximos anos."Então, o Brasil tem um grande desafio pela frente, que é Los Angeles 2028. Mas eu vejo uma boa renovação chegando para que, quem sabe, o Brasil volte a brilhar em 2032, em Brisbane."Olhar voltado para Los Angeles 2028Embora reconheça a tradição da vela brasileira em competições internacionais, Lars acredita que ainda é cedo para apontar favoritos à conquista de medalhas nos próximos Jogos Olímpicos. Segundo ele, os anos que antecedem a Olimpíada serão decisivos para identificar os atletas que poderão chegar em condições de disputar o pódio."O Brasil tem grandes velejadores, uma equipe técnica bastante sólida, um trabalho que a CBVela desenvolve junto ao Comitê Olímpico do Brasil. A gente ainda não tem um favoritismo claro, mas o Brasil pode surpreender em várias classes. Eu acho que é muito importante que essa fase, de agora, de 2026 e 2027, que é o período que antecede a Olimpíada, seja para a gente ver velejadores que começam a despontar, que podem subir no ranking, para que a gente possa falar, quem sabe, em favoritismo. Por enquanto, não temos."Enquanto as regatas seguem nas águas do Canal de São Sebastião, a 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela reafirma seu papel como um dos maiores eventos esportivos do país. Além de preservar uma tradição de mais de meio século, a competição reúne atletas consagrados e jovens talentos, fortalecendo o desenvolvimento da vela brasileira e servindo como importante vitrine para o futuro da modalidade.