Aos 39 anos, Jô vive uma fase de adaptação desde que encerrou a carreira profissional no futebol há cerca de um ano. Com passagens por grandes clubes, como Atlético-MG, Corinthians, Manchester City e CSKA, além de seleção brasileira, incluindo a disputada da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, o ex-atacante agora precisa lidar com uma realidade diferente da época em que recebia salários milionários.
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Em entrevista ao Globo Esporte, Jô falou abertamente sobre as mudanças financeiras após a aposentadoria, as cinco prisões por falta de pagamento de pensão alimentícia, a parceria com Ronaldinho Gaúcho, os problemas que enfrentou com o álcool e episódios marcantes de sua trajetória como jogador.
"Não é quebrar, mas você diminui seu padrão de vida, não tem como. Um exemplo, eu ganhava R$ 300 mil, hoje sou um jogador aposentado, não ganho mais R$ 300 mil. Tenho meus investimentos, as minhas coisas. Tenho que administrar essa situação", explicou.
O ex-jogador afirmou que atualmente precisa administrar o patrimônio que acumulou durante os mais de 20 anos de carreira e encontrar novas formas de renda.
"Eu sei da minha condição de vida, sei da minha capacidade, agora é administrar o pós-carreira, para ver qual o caminho que vou seguir e começar a ajustar as coisas. A gente vê na história do futebol pessoas que têm dificuldade de entender isso e entram em depressão", acrescentou.
Prisões por pensão alimentícia
Jô relacionou a mudança financeira às dificuldades para manter os pagamentos de pensão alimentícia. Pai de oito filhos, frutos de cinco relacionamentos, ele foi preso cinco vezes pelo não pagamento da obrigação — a última delas em junho deste ano.
O ex-atacante afirmou que o fim dos salários elevados fez com que precisasse reduzir o padrão de vida e criticou a forma como sua situação é julgada nas redes sociais.
"Fui um atleta bem-sucedido na minha carreira. Quando ela acaba, financeiramente você muda de patamar, não tem como manter o nível", afirmou.
Jô também disse que costuma ser cobrado com base no patrimônio e nos salários que teve no passado.
"Dizem: 'ah, mas você jogou no City, no CSKA'. Tudo bem, joguei, só que agora não jogo mais. Tenho outro padrão de vida, tenho que diminuir. Estou com 39 anos, se Deus me permitir eu tenho mais 40 anos de vida", declarou.
Segundo o ex-jogador, a exposição nas redes sociais tornou a situação ainda mais difícil.
"A rede social nada mais é do que um tribunal, com um monte de juízes te julgando o tempo inteiro, mas sem te conhecer, sem saber a situação ou a história real", desabafou.
Parceria com Ronaldinho
Durante a fase em que Ronaldinho Gaúcho ganhou fama pela vida noturna, Jô era um dos parceiros mais próximos do craque, dentro e fora dos campos. Para o ex-atacante, porém, a imagem de um Ronaldinho conhecido por promover grandes festas não correspondia ao que ele vivenciava.
Jô afirma que o amigo sempre teve um perfil mais tranquilo e que as reuniões eram marcadas principalmente por música e pela presença de pessoas próximas.
“O Ronaldinho é um cara super tranquilo. O negócio dele é ficar sentado, tocando o pagode dele com os amigos. É só isso. Tem gente que imaginava as festas dele como as piores festas do mundo, com bagunça total. Eu dizia: ‘cara, não é isso’”, contou o ex-jogador.
Jô conta que as festas do Ronaldinho não aconteciam como as pessoas imaginavam.
“Ele fica no canto dele, toma a bebida dele, a gente faz um pagode, conversa com os amigos, dá risada. Essa é a festa que ele faz. O resto as pessoas imaginavam. Já aconteceu de ficarmos dois ou três dias lá, mas ele não obriga ninguém a ficar. A gente ficava porque queria, porque tava bom”, completou.
Problemas com o álcool
Fora dos campos, porém, o ex-atacante enfrentou dificuldades relacionadas ao consumo de álcool.
“Não era que eu bebia todo dia. [Mas] por exemplo dessa ves que eu não fui viajar contra o The Strongest, tinha que se apresentar 7h da manhã porque era uma viagem Porto Alegre para São Paulo e depois para Bolívia, e era 4h da manhã e eu ainda estava bebendo. Então como é que deita, dorme e acorda? Não tem como.”
Jô afirmou que não se considerava dependente, mas reconheceu que, durante determinado período, não conseguia controlar o próprio comportamento quando bebia.
"Acho 'alcoólatra' muito forte,mas tinha momentos que não tinha certo controle. Não era todos os dias, mas, quando acontecia, eu não parava", contou.
Segundo ele, atualmente a relação com a bebida é diferente.
"Hoje, graças a Deus, tenho esse controle, mas em algum momento principalmente no Internacional foi bem difícil", afirmou.
O período mais delicado teria ocorrido durante a passagem pelo Internacional, entre 2011 e 2012. Em 36 partidas pelo clube gaúcho, o atacante marcou seis gols e deu uma assistência, enfrentando problemas dentro e fora de campo.
Naquele período, segundo o ex-jogador, os problemas se estenderam aos bastidores do clube.
"Quem me conhece sabe que sou um cara tranquilo, muito boa-praça, mas, naquele momento, comecei a brigar com treinador, presidente, diretor. Até o Fernandão, que Deus o tenha, que era um cara que me abraçou quando cheguei. No decorrer das coisas comecei a culpá-lo também. Enfim, foi um período difícil", relembrou.