Uefa mantém ameaça de boicote à Copa do Mundo mesmo após recuo da Fifa

Entidade europeia afirma que desistência do projeto de privatização não basta e cobra garantias para voltar a disputar competições

6 ago 2026 - 12h26
(atualizado às 12h26)
Gianni Infantino, presidente da Fifa, é o pivô de uma crise política com a Uefa – Reprodução de TV
Gianni Infantino, presidente da Fifa, é o pivô de uma crise política com a Uefa – Reprodução de TV
Foto: Jogada10

A Uefa decidiu manter a ameaça de boicotar as competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo, mesmo depois de a entidade máxima do futebol desistir do projeto que previa a criação de uma empresa para administrar e explorar comercialmente seus principais torneios. Com isso, a crise entre as duas organizações continua sem solução.

Na última semana, a Fifa recuou da proposta de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que receberia investimentos privados para gerir ativos comerciais, como a Copa do Mundo. Além disso, o presidente Gianni Infantino reconheceu as críticas e pediu desculpas pela forma como conduziu o processo.

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Gianni Infantino, presidente da Fifa, é o pivô de uma crise política com a Uefa – Reprodução de TV
Foto: Jogada10

Desconfiança dos europeus

Porém, apesar do recuo, a Uefa afirmou que ainda não recebeu as garantias necessárias para encerrar o boicote. Segundo a confederação, a Fifa precisa assegurar formalmente que não voltará a apresentar propostas semelhantes. Ao mesmo tempo, dirigentes europeus demonstraram desconfiança em relação à atual administração da entidade e defenderam mudanças na forma de governança.

'Os países filiados à Uefa foram muito claras quanto às condições associadas à não participação em competições da Fifa. Em primeiro lugar, as propostas de privatização das principais competições tiveram de ser retiradas e, em segundo lugar, é preciso garantir que tais tentativas de desfigurar o jogo desta forma nunca mais se repitam', informa um trecho do texto divulgado pela entidade europeia.

A crise ganhou força depois que as 55 federações filiadas à Uefa aprovaram, por unanimidade, a possibilidade de boicotar os torneios da Fifa caso o projeto de privatização avançasse. Na ocasião, os dirigentes classificaram a iniciativa como uma ameaça ao controle do futebol mundial por suas entidades esportivas.

Enquanto não houver um acordo, o impasse poderá afetar as próximas competições organizadas pela Fifa. A Copa do Mundo Feminina Sub-20, prevista para setembro, na Polônia, aparece como o primeiro torneio sob risco. Caso o conflito continue, a ameaça de ausência das seleções europeias também poderá atingir futuras edições da Copa do Mundo.

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