O ex-jogador e agora técnico, Hernán Crespo, revelou detalhes de um conflito que manteve com Marcelo Bielsa durante sua passagem pela seleção da Argentina e afirmou que chegou a abrir mão do time nacional por não aceitar a forma como era tratado pelo treinador.
Ídolo da seleção argentina, Crespo disputou 64 partidas e marcou 35 gols com a camisa da Albiceleste. Apesar da trajetória de destaque, o ex-centroavante decidiu se afastar da equipe em 2002, após uma série de desentendimentos com Bielsa, que comandava o país na época.
Em entrevista ao programa Clank!, apresentado por Juan Pablo Varsky, Crespo contou que os atritos começaram quando percebeu que perderia espaço para Gabriel Batistuta. De acordo com ele, deixou claro ao treinador que só aceitaria a concorrência se as decisões fossem tomadas por desempenho em campo.
"Eu disse a ele que, se o Batistuta jogasse apenas pelo nome que tinha, não precisava mais me convocar. Se fosse uma disputa justa, sem problema algum", relembrou.
O ex-atacante afirmou que viveu um dos melhores momentos da carreira antes da Copa do Mundo de 2002, acumulando gols tanto no futebol italiano quanto nas Eliminatórias, mas ainda assim não recebeu a confiança esperada.
De acordo com Crespo, a situação atingiu o limite na véspera da estreia da Argentina contra a Nigéria. Após participar do treinamento entre os titulares, ele foi informado pouco antes da partida de que começaria no banco de reservas.
"Naquele momento, percebi que não acreditava mais nele. Fiz tudo o que podia para ser titular e, mesmo assim, fiquei fora", declarou.
Os problemas continuaram nos anos seguintes. Crespo contou que Bielsa chegou a escalá-lo fora de posição em algumas partidas e revelou que a relação se deteriorou de vez após um empate sem gols contra o Peru.
Crespo revela desrespeitos no vestiário
De acordo com o ex-jogador, o treinador o abordou no vestiário de maneira desrespeitosa, diante de várias testemunhas. Revoltado, ele afirmou que não voltaria a defender a seleção enquanto Bielsa permanecesse no cargo.
No dia seguinte, os dois ainda tiveram uma conversa para tentar resolver a situação, mas o encontro não produziu o efeito esperado.
"Expliquei que já não tolerava mais a falta de respeito. A seleção foi a coisa mais importante que vivi no futebol, mas decidi que não voltaria enquanto ele fosse o treinador", contou.
Crespo também contou que ninguém divulgou oficialmente sua decisão na época. Pouco tempo depois, Bielsa deixou o comando da Argentina, encerrando um capítulo que, segundo o ex-atacante, marcou profundamente sua relação com a seleção.
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