A expulsão precoce do goleiro Matheus Cunha contra o Mirassol prejudicou o Internacional e expôs a diretoria do clube. O técnico Eduardo Baptista viu sua estratégia ruir por uma falha individual e não deve ser o único culpado. O episódio coloca sob escrutínio o trabalho do executivo Fabinho Soldado, responsável pela contratação do atleta, ressaltando que a diretoria precisa assumir a responsabilidade pelas escolhas do elenco em vez de terceirizar as cobranças pelo desempenho em campo.
Absolutamente ninguém resiste a uma direção que toma decisões questionáveis. O Internacional teve uma demonstração disso contra o Mirassol. Eduardo Baptista preparou a equipe para competir, mas Matheus Cunha, contratado por convicção de Fabinho Soldado, comprometeu o planejamento aos 15 minutos, ao agredir um adversário fora da área.
O goleiro fez a própria parte para transformar uma partida promissora em um problema. A direção, por sua vez, não pode se esconder quando suas escolhas entram em discussão. Afinal, contratar jogadores é uma das principais atribuições de um executivo de futebol. Se a convicção basta para justificar uma aposta, o desempenho precisa servir para avaliá-la.
Segundo a análise apresentada após o jogo, o Inter tinha organização e condições de buscar a vitória. A expulsão mudou o cenário e obrigou Eduardo Baptista a reconstruir a estratégia. Não existe ajuste tático capaz de devolver um jogador expulso por uma atitude individual.
A prancheta não pode pagar por todos
O treinador não está imune a críticas. Sua resposta à inferioridade numérica precisa ser examinada, assim como suas escolhas durante a partida. Mas responsabilizá-lo automaticamente pelo estrago seria uma análise preguiçosa: confunde a obrigação de administrar uma crise com a responsabilidade por provocá-la.
Fabinho Soldado também não pode ser responsabilizado diretamente pela expulsão. Seu trabalho, entretanto, precisa ser avaliado pela qualidade das contratações e pela capacidade de montar um elenco à altura das necessidades do Internacional. É pouco anunciar reforços e defender escolhas; é preciso demonstrar que elas funcionam.
Uma expulsão isolada não transforma Matheus Cunha em contratação equivocada. O episódio, contudo, oferece motivos para discutir o desempenho do goleiro e a confiança depositada nele. No futebol, reputação e convicção não defendem a área, muito menos corrigem decisões tomadas dentro dela.
Contra o Mirassol, Eduardo Baptista precisou administrar as consequências de um erro que não cometeu. Fabinho Soldado tem a obrigação de sustentar suas escolhas com trabalho e resultados. Porque, quando a direção monta o elenco, não pode reivindicar o mérito das contratações e terceirizar o debate sobre seus problemas.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.