Infantino perde apoio da Suíça, enquanto conquista 'dissidentes' de Uefa, AFC e Concacaf

Confederações oposicionistas têm visto associações apoiarem reeleição do atual presidente, que deixa de contar com Associação Suíça

30 set 2026 - 18h16
Resumo
A Associação Suíça de Futebol retirou o apoio à reeleição de Gianni Infantino na Fifa para 2027, alegando falhas de governança após a polêmica proposta de venda de ações de uma subsidiária e a anulação da suspensão do norte-americano Balogun. Apesar da oposição liderada pela Uefa e da perda do suporte em seu país natal, Infantino mantém força política ao atrair federações dissidentes na Europa e Ásia, além de contar com a unanimidade na Conmebol e na CAF para o pleito de março.

Gianni Infantino perdeu apoio "de casa" para a reeleição na Fifa. A Associação Suíça de Futebol (SFV, na sigla alemã) se pronunciou oficialmente pela primeira vez desde a crise causada pelo plano de venda de ações de uma subsidiária da entidade mundial e citou essa proposta e o caso Balogun como motivos para retirar apoio ao atual presidente no pleito de 2027.

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A reunião que definiu a posição da diretoria ocorreu em 25 de setembro, cinco dias antes da publicação do posicionamento. O comunicado argumenta que os eventos recentes levantam questionamentos sobre liderança, governança, transparência e os processos de tomada de decisão na Fifa.

"Como essas questões não foram abordadas de forma convincente, não podemos justificar o apoio contínuo à candidatura de Gianni Infantino", justificou o presidente Peter Knabel, citando uma recente mensagem de Infantino se mostrando aberto ao diálogo com as associações.

A criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) foi apresentada pela gestão de Infantino após a Copa do Mundo. A ideia era vender 20% de participações da subsidiária para captar até R$ 21,5 bilhões. Houve rejeição massiva, e o projeto acabou arquivado.

Outro ponto citado pela SFV é a reversão da suspensão de Folarin Balogun, atacante dos Estados Unidos, na Copa. O jogador teria de estar fora do jogo contra a Bélgica, pelas oitavas de final. A Fifa permitiu que ele jogasse após movimentos da Casa Branca e de Donald Trump.

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Segundo a SFV, a decisão de não apoiar a reeleição de Infantino não significa se afastar da Fifa. "Como associação do país onde a Fifa e a Uefa têm suas sedes, a SFV está ciente de sua responsabilidade especial e continuará a defender a transparência, estruturas credíveis e confiáveis, processos de tomada de decisão baseados em regras e o fortalecimento de um sistema de futebol internacional unido e ético", conclui o texto.

A Uefa tem mantido uma ofensiva contra Infantino desde que a crise estourou. O presidente Aleksander Ceferin, junto dos líderes de Concacaf e AFC, sugeriu recentemente que as reservas da Fifa fossem utilizadas para mais repasses às associações.

A ideia foi acatada por Infantino, que propôs discuti-la no dia 15 de outubro, quando o Conselho da Fifa se reúne. Ainda antes disso, Infantino havia enviado um pedido às associações, abrindo-se ao debate de novas propostas de planos para a Fifa.

O atual presidente tem angariado apoio mesmo entre os membros filiados às confederações oposicionistas. Recentemente, Azerbaijão e Letônia (da Uefa) e Uzbequistão (da AFC) cumpriam agendas com Infantino. No Caribe, ele também recebe sinalizações favoráveis, como a da Jamaica, mais recentemente. Soma-se a isso as unanimidades na Conmebol e na CAF.

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Apesar de deliberarem posicionamentos, manifestações e agirem em bloco, as confederações continentais não têm direito a voto na eleição da Fifa, somente as associações-membro (ou seja, as federações nacionais de cada um dos 211 países filiados à entidade). Ademais, não há diferença de peso entre os votos dos eleitores. O voto do Azerbaijão, por exemplo, tem o mesmo peso do Brasil, que já conquistou cinco títulos mundiais e foi a todas as Copas.

Se a eleição presidencial da Fifa tiver dois postulantes, é necessária maioria simples (50% + 1) entre os votos válidos (106). No caso de três ou mais candidatos, é preciso obter dois terços dos votos válidos (140) em um primeiro turno. Caso contrário, quem tiver o menor percentual de votos é eliminado até que restem dois, que disputam por maioria simples.

Apesar de todo desgaste causado a partir da apresentação do plano para investimento privado, Infantino parece ter força para se reeleger. As candidaturas serão inscritas até 28 de novembro. O pleito será em 28 de março, em Rabat, no Marrocos.

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