A defesa de Leopoldo Luque, médico de Maradona, alegou que o neurocirurgião é um "bode expiatório" no julgamento sobre a morte do ídolo argentino, ocorrida em 2020. O Ministério Público pede 12 anos de prisão por homicídio com dolo eventual, acusando a equipe de negligência. Os advogados contestam a perícia, afirmando que o óbito foi um evento súbito e imprevisível, sem ligação com falhas no atendimento domiciliar. O processo envolve outros profissionais e a sentença final sairá em meses.
A defesa do neurocirurgião Leopoldo Luque classificou o profissional como um "bode expiatório" durante as alegações finais do julgamento que apura a morte de Diego Maradona, realizadas nesta quarta-feira (21). A manifestação ocorre na fase derradeira do processo conduzido pela Justiça da Argentina para responsabilizar os profissionais de saúde envolvidos no atendimento domiciliar do ex-jogador.
Além disso, o Ministério Público solicitou a condenação de Luque a 12 anos de reclusão sob a acusação de homicídio com dolo eventual. Com isso, os promotores sustentam que o médico particular do astro assumiu conscientemente o risco do desfecho fatal ao negligenciar cuidados clínicos indispensáveis.
Maradona morreu aos 60 anos, em 25 de novembro de 2020, em decorrência de parada cardiorrespiratória e edema pulmonar em Tigre, na Grande Buenos Aires. O ídolo argentino estava em internação domiciliar após se submeter a uma cirurgia para drenagem de hematoma subdural na Clínica Olivos, procedimento articulado pelo próprio Luque, embora não tenha operado como cirurgião principal.
Advogado contesta junta médica e aponta quadro assintomático
De fato, a representação jurídica do neurocirurgião buscou rebater ponto a ponto o relatório elaborado por cerca de 20 peritos que considerou o atendimento deficiente, inadequado e temerário. O advogado Roberto Rallín enfatizou perante os magistrados que a morte do paciente decorreu de um evento súbito e totalmente fora do alcance preventivo da equipe.
"Não defenderemos a inocência de Luque com slogans televisivos, mas sim com provas que a fundamentem", afirmou Rallín em sustentação oral no tribunal.
Por sua vez, o advogado Francisco Oneto declarou que a condição cardíaca crônica atribuída ao ex-camisa 10 representava uma conclusão baseada em impressões antigas e não em dados científicos atualizados. O defensor alegou ainda que eventuais alterações renais eram assintomáticas e impossíveis de serem detectadas a tempo de gerar as consequências apontadas pela perícia.
"Consolidou-se a ideia de que Maradona era cardíaco, e até a junta médica aceitou isso como um fato. Eles não tinham a menor ideia, mas, como haviam lido jornais desde os anos 2000, deram isso como certo", disse Oneto.
Relação pessoal com Maradona e expectativa de veredito
Contudo, Luque construiu forte proximidade com Maradona a partir de 2016, passando a atuar tanto na retaguarda clínica direta quanto na intermediação de consultas com especialistas de outras áreas. A defesa do médico sustenta que o vínculo profissional era marcado por confiança mútua e respeito irrestrito.
"Eu gostava muito dele, eu o amava. Ele era meu ídolo e meu amigo. Sou inocente e lamento muito a sua morte", ressaltou Luque em depoimento prestado no tribunal de San Isidro.
O processo penal conta com outros cinco profissionais de saúde denunciados por homicídio, para os quais os promotores pediram penas que oscilam entre quatro e 12 anos de detenção, além de um pedido de absolvição para um sétimo réu. A fase de debates entre as partes termina nesta quinta-feira (22), mas os juízes devem levar alguns meses para divulgar a sentença definitiva.
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