O presidente do Vasco, Pedrinho, afirmou que vai contestar a concessão e a licitação do Maracanã, administrado por Flamengo e Fluminense, alegando descumprimento do acordo que garante jogos ao clube no estádio. A declaração ocorreu após a aprovação da venda da SAF e em meio a disputas judiciais para mandar a semifinal da Copa Sul-Americana, contra o Boca Juniors, no local. O mandatário criticou os seguidos vetos ao Cruz-Maltino e prometeu maior pressão institucional para assegurar seus direitos.
O presidente do Vasco, Pedrinho, afirmou nesta terça-feira (6) que o clube pretende rever a situação da concessão do Maracanã e prometeu aumentar a pressão sobre o consórcio formado por Flamengo e Fluminense, responsável pela administração do estádio. A declaração aconteceu após a aprovação, pelo Conselho Deliberativo, da venda da SAF vascaína e em meio à disputa judicial pelo direito de mandar a partida contra o Boca Juniors, pela semifinal da Copa Sul-Americana, no principal estádio do Rio de Janeiro.
Fica já, com muita humildade, um aviso para todas as pessoas. Se o Vasco passou um período sem representatividade e isso está incomodando, vai incomodar muito mais, inclusive com relação ao consórcio do Maracanã, com a licitação. Eu vou rever isso. Pode ter certeza absoluta. Por que eu tenho casa, eu não tenho direito de rever? Vou rever, sim, senhor. Se isso está incomodando, se o Vasco voltar ao seu trilho… Não tô falando sobre título, mas sobre reestruturação institucional. Como eu já falei, eu não prometo título, não prometo vitória, eu prometo trabalho", disse Pedrinho.
Durante sua fala, Pedrinho voltou a questionar os critérios utilizados para a liberação do Maracanã e afirmou que o Vasco não está pedindo um favor para utilizar o estádio. Segundo o presidente, o clube possui um acordo que garante quatro partidas por temporada no local, além dos clássicos previstos no memorando firmado entre Vasco, Flamengo e Fluminense.
"Com uma reestruturação institucional, (o Vasco) ainda vai incomodar muito mais pessoas. Agora, eu só não quero que façam covardia com o Vasco, porque se fizer eu vou lutar até o fim. Se tirar o Vasco (São Januário), eu vou pro Maracanã; se tirar o Maracanã, eu volto pro Vasco. Se tirar o Vasco de novo, eu vou lutar pelo Maracanã até eu poder exercer o meu direito que está em contrato", afirmou o presidente.
Disputa pelo Maracanã
Pedrinho afirmou que o Vasco tem sido prejudicado quando não consegue utilizar São Januário e, posteriormente, também encontra dificuldades para conseguir o Maracanã. O presidente citou principalmente a questão da segurança para os clássicos, já que, em algumas situações, o clube não recebe autorização para atuar em sua própria casa e precisa buscar outra alternativa para exercer o mando de campo.
O memorando de entendimento entre os três grandes clubes do Rio de Janeiro estabelece que os clássicos estaduais de 2025 e 2026 sejam disputados no Maracanã. Além disso, o acordo prevê que o Vasco tenha direito a quatro partidas por ano no estádio, fora os confrontos contra os principais rivais cariocas.
Na temporada passada, porém, o Vasco utilizou o Maracanã apenas uma vez em uma partida sem envolver Flamengo ou Fluminense. O duelo aconteceu contra o Corinthians, pela final da Copa do Brasil, em 21 de dezembro, já depois do encerramento do Campeonato Brasileiro.
Na avaliação de Pedrinho, a escolha daquela data também evidenciou uma diferença nos critérios utilizados pelo consórcio, principalmente em relação às condições do gramado. O presidente questionou o fato de o estádio ter sido liberado para a decisão nacional enquanto outros pedidos feitos pelo Vasco acabaram recusados.
Em 2026, o clube já teve quatro solicitações para atuar no Maracanã negadas. As partidas foram contra Vitória, pela Copa do Brasil, Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro, Santa Fe e Boca Juniors, ambos pela Sul-Americana.
Pedrinho voltou a afirmar que o Vasco entende possuir direito contratual de utilizar o estádio e criticou o que considera uma sequência de obstáculos para exercer o mando de campo. Para o dirigente, as negativas acabam restringindo as opções do clube sobre onde disputar suas partidas.
Presidente promete pressionar consórcio
Depois da aprovação da venda da SAF pelo Conselho Deliberativo, Pedrinho também aproveitou para falar sobre o futuro institucional do Vasco. O presidente afirmou que a reestruturação do clube deve aumentar sua capacidade de cobrar questões que considera importantes e avisou que pretende revisar a própria concessão do Maracanã.
Segundo Pedrinho, o Vasco passou por um período de pouca representatividade e agora pretende adotar uma postura mais ativa nas discussões que envolvem os interesses do clube. O dirigente afirmou que não promete títulos ou resultados esportivos, mas trabalho para promover uma reorganização institucional.
O presidente também citou o consórcio responsável pelo Maracanã e disse que pretende questionar a própria licitação do estádio. Na visão apresentada por ele, o fato de o Vasco possuir São Januário não deveria impedir que o clube buscasse exercer os direitos previstos no contrato relacionados ao Maracanã.
Pedrinho ainda afirmou que continuará recorrendo às alternativas disponíveis caso o Vasco encontre novas restrições para atuar em seus estádios. O dirigente reforçou que pretende lutar para que o clube possa exercer o direito de mando de campo previsto no acordo.
Vasco x Boca Juniors
A disputa pelo Maracanã ganhou ainda mais importância por causa do confronto entre Vasco e Boca Juniors, pela semifinal da Copa Sul-Americana. O estádio é o principal ponto de discussão sobre o local da partida, mas o clube recebeu nesta terça-feira uma nova negativa na Justiça.
O desembargador Alexandre de Carvalho Mesquita, da 23ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), indeferiu o pedido de efeito suspensivo apresentado pelo Vasco para tentar garantir a realização do confronto no Maracanã.
A solicitação buscava reverter a decisão da 2ª Vara Cível da Capital, que anteriormente havia negado a tutela de urgência contra a Fla-Flu Serviços S.A., concessionária responsável pelo estádio.
A decisão desta terça-feira foi tomada em caráter liminar e, portanto, não encerra definitivamente a discussão. O entendimento foi de que, neste momento, não existem elementos suficientes para determinar que a concessionária disponibilize o Maracanã ao Vasco.
Entre os pontos considerados pela Justiça estão as condições do gramado, o calendário de utilização do estádio e as questões operacionais necessárias para receber a partida. O processo foi considerado de alta complexidade em relação à necessidade de produção de provas, o que dificultou uma decisão favorável ao clube em caráter de urgência.
O Vasco ainda tem até sábado para informar à Conmebol o estádio escolhido para receber o Boca Juniors. Caso a opção seja por atuar fora do Rio de Janeiro, o clube precisaria comunicar o local com 15 dias de antecedência em relação à partida, prazo que teria se encerrado na última segunda-feira.
Enquanto tenta resolver a situação para o duelo com o Boca Juniors, Pedrinho já deixou claro que a discussão sobre o Maracanã não deve terminar com a definição do estádio para a semifinal. O presidente pretende levar adiante a revisão da concessão e continuar cobrando o que considera serem os direitos do Vasco sobre a utilização do principal palco esportivo do Rio de Janeiro.