A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) criticou a decisão da Federação Internacional de Futebol (Fifa) de suspender o cartão vermelho do atacante norte-americano Folarin Balogun após pedido do presidente dos EUA, Donald Trump.
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"A decisão de suspender por um período probatório de um ano a aplicação da suspensão automática de um jogo, consequência do cartão vermelho dado a Folarin Balogun, cruzou a linha vermelha", iniciou o texto.
O atleta recebeu um cartão vermelho, entretanto, teve a penalidade suspensa e foi aturizado pela Fifa para entrar no confronto contra a Bélgica, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, nesta segunda-feira, 6.
De acordo com a Uefa, o futebol 'depende de regras, que são a base para uma competição justa, honesta e transparente. Por vezes, as regras estão sujeitas a interpretação. Neste caso, não', disse a instituição.
O comunicado ainda destaca que a 'suspensão automática mínima de um jogo após um cartão vermelho não é uma opção discricionária e não requer a decisão de um órgão competente para ser implementada'.
"Se trata de um princípio consagrado no regulamento, que não pode ser sujeito a exceções, muito menos no meio de um torneio em que vários outros jogadores já estiveram na mesma situação e cumpriram regularmente suas suspensões", diz a UEFA em outro trecho.
A entidade europeia de futebol também pontuou que 'quando a certeza das regras deixa de ser garantida, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade de uma competição pode acabar sendo prejudicada'.
Por fim, a UEFA citou que decisão abre precedente para questionar o tratamento igualitário dentro do Mundial. "Expressamos incredulidade perante uma decisão tão inédita, incompreensível e injustificável".
O que aconteceu
O episódio envolvendo o cartão vermelho de Balogun começou na quarta-feira, 1, logo após a vitória por 2 a 0 dos EUA sobre a Bósnia. Segundo o The NY Times, o presidente norte-americano, Donald Trump, fez uma ligação para Gianni Infantino, presidente da Fifa, e pediu a anulação da suspensão aplicada ao atleta.
No domingo, 5, o Comitê Disciplinar da Fifa suspendeu o cartão vermelho do atacante dos Estados Unidos. Com isso, Florian Balogun foi oficialmente liberado para retornar a campo no jogo contra a Bélgica.
Em postagem nas redes sociais, o presidente dos EUA comemorou a decisão. Em texto, ele agradeceu a Fifa, afirmando que a organização "fez o certo ao reverter uma grande injustiça".
Confira o comunicado emitido pela UEFA na íntegra:
"A decisão de ontem de suspender por um período probatório de um ano a aplicação da suspensão automática de um jogo, consequência do cartão vermelho dado ao jogador Folarin Balogun, ultrapassou todos os limites.
O futebol, como qualquer outro esporte, se baseia em regras, que são a base para uma competição justa, honesta e transparente. Às vezes, as regras são passíveis de interpretação. Neste caso, não. A suspensão automática mínima de uma partida após um cartão vermelho não é uma opção discricionária e não requer a decisão de um órgão competente para ser aplicada. É um princípio consagrado no regulamento, que não admite exceções, muito menos em meio a um torneio em que vários outros jogadores já estiveram na mesma situação e cumpriram suas suspensões regularmente.
Quando a certeza das regras deixa de ser garantida pelos seus responsáveis, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é prejudicada. Da mesma forma, tal decisão cria um precedente no torneio em curso, onde situações semelhantes passarão a exigir tratamento igualitário, em detrimento da competição.
O futebol é o esporte mais amado do mundo porque é um jogo bonito e inspira confiança, já que é praticado em todos os lugares com as mesmas regras. Um torneio nunca é um evento isolado e, se o torneio em questão for a Copa do Mundo, ele tem o poder de gerar consequências positivas ou negativas para o futebol como um todo.
Expressamos nossa incredulidade diante de uma decisão tão inédita, incompreensível e injustificável".