A classificação histórica de Cabo Verde me fez mudar de ideia e gostar do novo formato da Copa do Mundo. Afinal, seria difícil contar essa história em um torneio com menor número de seleções e grupos mais equilibrados.
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Porém, a denúncia de estupro contra o capitão da seleção cabo-verdiana, revelada pelo ge, foi um soco no estômago. Na verdade, foi mais do que isso, foi um lembrete de que mulheres nunca estão seguras, não importa a situação.
E pior, além da sensação de insegurança, as mulheres nunca são ouvidas. Elas são as vítimas, mas são tratadas como culpadas. No caso do atacante Ryan Mendes, ele abusou de uma brasileira durante a Data Fifa de março na Nova Zelândia.
A vítima tem fotos e exames, mas nada foi feito. Ela e o marido chegaram a entrar em contato com a Fifa para impedir a participação do jogador na Copa do Mundo, mas foram ignorados. Isso precisa ser corrigido urgentemente para não acabar com a melhor história da competição até agora.
Após ler a denúncia, fiquei com o estômago embrulhado e tomada por uma revolta. Sério que não vamos conseguir fazer nada para ajudar essa brasileira? É triste perceber que fomos mais eficazes em dar 17 milhões de seguidores para o goleiro de Cabo Verde no Instagram do que cobrar um posicionamento da Fifa contra o jogador acusado de estupro.
Essa sensação de impunidade só reforça o sentimento de solidão que norteia as mulheres. O silêncio é ensurdecedor, e passa a ser bem possível que Ryan Mendes ganhe novos fãs nas redes sociais e seja festejado se marcar contra a Argentina no mata-mata.
Se o estuprador estiver em campo, desejo que a Argentina humilhe sem dó a seleção de Cabo Verde. Nesses momentos, é preciso que os próprios companheiros e rivais cobrem uma punição. A luta precisa ser conjunta. Discursos vazios e postagens protocolares não vão diminuir as ocorrências deste tipo.
E sim, infelizmente, Ryan Mendes não é o único jogador desta Copa do Mundo com denúncia de crimes contra as mulheres. Até quando isso? E só para não ficar a impressão de que isso só acontece com jogadores de outras seleções, vale lembrar que Daniel Alves chegou a ser condenado por estupro cometido poucos dias depois da participação no Mundial do Catar, em 2022.