Nas últimas semanas, imagens de jogadores na Copa do Mundo com pequenos furos e rasgos nas meias circularam pela internet, levantando uma questão que envolve diretamente o bem-estar e a saúde vascular dos atletas: o alívio da tensão muscular e a busca por maior conforto. Mas o que dizem os médicos?
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A região da panturrilha possui uma alta demanda energética e, por isso, é considerada um dos meios mais importantes para o corpo. “Os músculos do membro possuem um papel muito importante no retorno venoso por auxiliarem na circulação no caminho do sangue para o coração. Por isso, consideramos a região como o nosso segundo coração”, afirma a médica do esporte, Amália Carneiro.
Durante os 90 minutos intensos das partidas, ocorre o acúmulo energético de ácido lático na região, que gera o inchaço dos músculos e pode ocasionar o desconforto. De acordo com o médico do Athletico Paranaense, Thalles Messora, a anatomia de cada jogador interfere na escolha de fazer os furos. “Há atletas com panturrilhas maiores ou mais fortes quando se compara com os outros. E, nesses casos, o corte do meião pode ajudar no alívio da tensão muscular”, afirma Messora. O especialista complementa que a dor física afeta diretamente o rendimento: “Fisiologicamente, o meião tem como objetivo uma melhora compreensiva. Mas, por outro lado, qualquer tipo de incômodo em um atleta vai prejudicar sua performance”.
Avanço tecnológico, histórico nos gramados e o fator psicológico
O contexto dessa prática esbarra no próprio avanço tecnológico dos uniformes. Atualmente, acessórios como o meião e equipamentos como a caneleira são idealizados para garantir segurança e estabilidade em modalidades de alto rendimento. “No caso do meião, o tecido elástico garante uma maior durabilidade e um melhor desempenho na compreensão”, explica Thalles Messora. Na teoria, a peça ajuda na circulação sanguínea das pernas, atribui estabilidade e auxilia nos fluxos metabólicos liberados. Para o médico, cientificamente as meias compressivas não são as culpadas pelo incômodo, o que torna a opção pelos rasgos estritamente individual.
Além do fator físico, há motivações comportamentais e históricas. A médica Amália Carneiro ressalta que os rasgos viraram um símbolo de status e identificação. “Não necessariamente os rasgos nos meiões são tratamentos eficazes. Eles também fazem isso como um recurso de estilo e de pertencimento daquela comunidade”, arremata.
Essa prática não começou agora. Em 2016, Gareth Bale atuou com furos na meia pelo Real Madrid devido à alta compressão. O ex-zagueiro do Manchester City, Kyle Walker, também foi um dos pioneiros. Em 2018, na Copa do Mundo da Rússia, Neymar chegou a rasgar seus meiões, mas a modificação foi barrada e proibida pela fornecedora de material esportivo.
Para o médico do esporte Rodrigo Brochetto, a mente também joga um papel decisivo nessa escolha dos atletas. “Há fatores psicológicos também associados ao uso. Não há comprovação científica, mas permitimos justamente para deixar o atleta se sentir bem”, finaliza.