Opinião: Pior que Roger e a anos-luz de Crespo, Dorival transforma o São Paulo em um deserto de ideias

Treinador caminha para ter o pior trabalho da história do clube

24 ago 2026 - 04h58
Dorival Júnior ainda não venceu pelo Brasileiro no São Paulo
Dorival Júnior ainda não venceu pelo Brasileiro no São Paulo
Foto: LIAMARA POLLI / AGIF

Dorival Júnior caminha a passos largos para assinar uma das páginas mais melancólicas da história recente do São Paulo. Sem vencer uma única partida pelo Campeonato Brasileiro desde fevereiro, o treinador empurra o clube para um buraco que parece não ter fundo. Enquanto o espectro do rebaixamento se torna uma ameaça real a cada rodada, a memória de Hernán Crespo ganha contornos de um saudosismo doloroso na arquibancada do Morumbis. 

O que mais assusta na atual gestão não é apenas a escassez de resultados, mas a completa apatia do time. Como bem definiu o comentarista Souza, o São Paulo parece “frouxo”. Foi um mês inteiro de paralisação para treinar e ajustar processos. Teve semanas livres valiosas decorrentes da eliminação precoce na Copa do Brasil. O resultado desse tempo no CT? Zero. O Tricolor virou um enorme vazio de ideias, uma equipe engessada, sem variação tática e incapaz de criar uma jogada ensaiada que surpreenda os adversários. 

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Tudo o que o São Paulo consegue entregar hoje é um futebol puramente reativo. Arrancar um empate contra o Bolívar na altitude ou suportar a pressão do Flamengo no Maracanã virou o teto dessa comissão técnica. Porém, quando o jogo exige propor ações, ditar o ritmo e furar retrancas diante de sua torcida, o futebol apresentado é simplesmente sofrível. 

Se coletivamente o time é nulo, individualmente o cenário consegue ser ainda pior. Dorival tem alcançado a proeza de desvalorizar seus principais jogadores. O caso de Marcos Antônio é emblemático: um dos meio-campistas mais lúcidos do futebol brasileiro, cogitado na Seleção, foi empurrado para a ponta sob o pretexto de repetir a adaptação feita com Rodrigo Nestor. O treinador ignorou que são atletas com características distintas e acabou com o rendimento do atleta. 

O mesmo processo de regressão afetou Luciano e Artur. Hoje, é impossível apontar um único atleta do elenco são-paulino que esteja jogando melhor do que jogava sob o comando de Roger Machado. Aliás, a comparação é inevitável: Roger era vaiado no Morumbis mesmo vencendo partidas; Dorival navega em águas calmas com um desempenho catastrófico. 

Se o desempenho dentro de campo irrita, a postura fora dele beira o desrespeito com a inteligência do torcedor. Em cada entrevista coletiva, Dorival repete o mantra da "evolução do trabalho" e da "melhora gradual". São apenas palavras ao vento, a mesma retórica vazia utilizada em sua passagem pela Seleção Brasileira, quando prometeu título no Mundial e sequer conseguiu chegar lá.

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Dorival Júnior recusa-se a encarar a realidade e prefere alimentar uma ilusão que o campo desmente semana após semana. O são-paulino não quer discursos consoladores, quer um time que saiba trocar três passes com objetividade. A situação no Morumbis é de emergência máxima, e Dorival caminha a passos largos para se consolidar como o pior treinador do século a comandar o clube. Talvez fosse mais digno ele pedir para sair em respeito a história que teve no time.

Fonte: Portal Terra
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