Zidane realiza sonho e assume seleção francesa: 'Era a única coisa que eu queria fazer'

Anunciado nesta terça-feira (28) como novo técnico da seleção francesa afirmou que assumir os Bleus era o grande desafio que ainda o motivava

28 jul 2026 - 07h19
(atualizado às 07h28)
“A seleção francesa era a única coisa que eu queria fazer”, declarou Zinédine Zidane nesta terça-feira (28), na sede da Federação Francesa de Futebol (FFF), após ser oficialmente apresentado como novo técnico dos Bleus.
“A seleção francesa era a única coisa que eu queria fazer”, declarou Zinédine Zidane nesta terça-feira (28), na sede da Federação Francesa de Futebol (FFF), após ser oficialmente apresentado como novo técnico dos Bleus.
Foto: © youtube/fff - capture d'écran / RFI

Zidane, um dos maiores jogadores da história do país, estava sem assumir um novo trabalho desde sua saída do Real Madrid, em 2021. Ele classificou a nomeação como "a realização de um sonho".

Zinédine Zidane sucede Didier Deschamps, que comandava os Bleus desde 2012. Considerado o favorito para o cargo desde o anúncio da saída de Deschamps, em julho, após a Copa do Mundo de 2026, Zidane assinou contrato por quatro anos, com início em 1º de agosto, e afirmou que apresentará sua comissão técnica em setembro.

Publicidade

Durante a apresentação, o presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), Philippe Diallo, descreveu Zizou, seu apelido, como uma "lenda do futebol francês" e destacou sua experiência, carisma e popularidade junto à torcida.

Como treinador, Zidane trabalhou exclusivamente no Real Madrid, clube onde encerrou a carreira de jogador em 2006. Após passar pelas categorias de base, pela equipe B e ter sido auxiliar de Carlo Ancelotti, atual técnico da seleção brasileira, ele assumiu o time principal em janeiro de 2016.

No comando do Real, conquistou três Ligas dos Campeões consecutivas entre 2016 e 2018, além de dois títulos do Campeonato Espanhol, consolidando-se como um dos treinadores mais vitoriosos de sua geração.

Caso Zidane conclua o feito de levar a seleção francesa ao topo em uma Copa do Mundo como técnico, ele se tornará a quarta pessoa da história a ser campeã como jogador e treinador. O francês se juntaria à seleta lista formada pelo brasileiro Mario Jorge Lobo Zagallo (jogador em 1958 e 1962 e técnico em 1970), Franz Beckenbauer (jogador e capitão em 1974 e técnico em 1990) e Didier Deschamps (jogador e capitão em 1998 e técnico em 2018).

Publicidade

Trajetória marcada por títulos e capítulos históricos contra o Brasil

Zinédine Zidane assume o cargo após uma carreira que o transformou em um dos maiores jogadores da história do futebol e em um dos treinadores mais vitoriosos de sua geração. O jornal Le Parisien traz nesta terça-feira um perfil do ídolo, no qual destaca os jogos que marcaram a sua trajetória na seleção francesa.

A história de Zidane começou em agosto de 1994, em Bordeaux. Aos 22 anos, estreou contra a República Tcheca e marcou dois gols em apenas dois minutos. Foi a primeira demonstração do talento que o tornaria o camisa 10 mais emblemático da geração.

O Brasil ajudou a construir sua lenda. Na final da Copa do Mundo de 1998, no Stade de France, Zidane foi o grande protagonista da vitória francesa por 3 a 0 sobre a seleção brasileira. Com dois gols de cabeça marcados ainda no primeiro tempo, ele conduziu a França ao primeiro título mundial de sua história e tornou-se um herói nacional.

O retorno em 2005

Em 2005, Zidane voltou aos Bleus para ajudar a equipe a se classificar para a Copa do Mundo da Alemanha. Seu retorno foi decisivo para recolocar a França entre as principais candidatas ao título.

Publicidade

O segundo grande encontro com o Brasil ocorreu nas quartas de final da Copa de 2006. Contra os então campeões mundiais, Zidane protagonizou uma das atuações mais marcantes de sua carreira. Com dribles, passes e domínio absoluto do jogo, comandou a vitória francesa por 1 a 0. Foi dele a cobrança de falta que resultou no gol marcado por Thierry Henry. A exibição foi tão impressionante que Pelé o descreveu como um "mágico" naquela partida.

A despedida de Zidane da seleção aconteceu poucos dias depois, na final da Copa contra a Itália, em Berlim. O francês abriu o placar com uma cobrança de pênalti de cavadinha, mas entrou para a história por outro motivo: na prorrogação, após uma troca de palavras com Marco Materazzi, acertou uma cabeçada no peito do defensor italiano e foi expulso. A França acabou derrotada nos pênaltis.

O lance encerrou sua carreira internacional de forma dramática, mas não diminuiu sua dimensão no futebol francês. Pelo contrário: o episódio passou a integrar o mito de Zidane, personagem capaz de alternar momentos de genialidade e impulsividade em um mesmo palco.

Agora, duas décadas depois daquela final de Berlim, o destino reservou uma coincidência simbólica: sua primeira partida no Stade de France à frente dos Bleus será justamente contra a Itália, em outubro, pela Liga das Nações.

Publicidade
A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações