José Boto explica atuação do Flamengo no mercado da bola

Em entrevista a site inglês, dirigente relembra contratação de Paquetá e explica motivo de não conseguir segurar bons jogadores

22 out 2026 - 14h59
(atualizado às 14h59)
Resumo
O diretor do Flamengo, José Boto, explicou a estratégia do clube no mercado, destacando a pressão da torcida por nomes de peso e a dificuldade de reter jovens talentos frente ao assédio europeu. Após mesclar medalhões com experiência no exterior e jovens promissores, o dirigente apontou a repatriação de Lucas Paquetá, viabilizada pelo desejo do atleta, como a negociação mais difícil de sua carreira, além de detalhar a recente aposta do clube em promessas para o futuro.
Em apenas dois anos de clube, Boto (esq.) pode conquistar sua segunda Libertadores –
Em apenas dois anos de clube, Boto (esq.) pode conquistar sua segunda Libertadores –
Foto: ADRIANO FONTES/FLAMENGO / Jogada10

O diretor do Flamengo, José Boto, falou sobre a atuação do clube no mercado da bola, dando exemplos das dificuldades que mesmo times ricos possuem durante os períodos de transferências. O português, afinal, situou o mercado brasileiro como "peculiar" por conta dos gostos dos torcedores por jogadores de renome.

Além disso, revelou que Lucas Paquetá, em 2026, foi a contratação mais difícil de se realizar de sua carreira. As declarações foram para o site "Givemesport", da Inglaterra, divulgadas nesta quinta (22/10), dia que o Flamengo pode retornar à final da Libertadores.

Publicidade
Em apenas dois anos de clube, Boto (esq.) pode conquistar sua segunda Libertadores –
Foto: ADRIANO FONTES/FLAMENGO / Jogada10

"O Flamengo, assim como muitos outros clubes no Brasil, opera em um mercado peculiar. A torcida gosta de ter grandes nomes, independentemente do desempenho em campo; eles querem, acima de tudo, nomes de peso. No Flamengo, precisamos levar isso em consideração no momento de contratar. E, o mais importante: precisamos conquistar títulos todos os anos, pois essa é uma exigência tanto da torcida quanto de todos os demais envolvidos no clube. Naturalmente, temos dinheiro para isso", iniciou Boto.

E as janelas do Flamengo?

Boto, então, revelou a estratégia do Flamengo nas janelas recentes. Ele relembrou das contratações de atletas com experiência europeia, como Jorginho, Danilo, Alex Sandro e Saúl Ñíguez.

"Buscamos trazer jogadores experientes que tenham atuado na Europa, combinando-os com contratações de atletas mais jovens. Nas minhas três primeiras janelas de transferências, focamos em nomes consagrados com trajetória no futebol europeu — como Jorginho, que passou por Arsenal, Chelsea e Napoli —, além de Danilo, Alex Sandro e Saúl. Cada um deles agrega qualidade, trazendo tanto competência técnica quanto o perfil mental que buscamos", disse.

Danilo sobe mais que todo mundo para fazer o gol do título da Libertadores de 2025 –
Foto: Gilvan de Souza / Flamengo / Jogada10

Dessa forma, com um elenco já preenchido com jogadores multicampeões, a estratégia para 2026 foi a de apostar no futuro. Foi sob essa premissa que o Flamengo contratou os jovens Anthony Valencia e Joaquin Freitas. Ele, aliás, comparou o argentino ex-River Plate com Lautaro Martínez, seu compatriota hoje capitão da Inter de Milão (ITA).

Publicidade

"Na última janela, como já contávamos com um grupo bastante experiente, optamos por contratações voltadas para o futuro, focando em jogadores mais jovens. Trouxemos o equatoriano Anthony Valencia, vindo do Royal Antwerp, e contratamos uma promessa do River Plate, Joaquin Freitas — um jovem que, acredito, tem potencial para se tornar o novo Lautaro Martínez. Ele, inclusive, já foi convocado para a seleção argentina. Como não precisávamos de mais atletas experientes naquele momento, decidimos apostar em talentos para o futuro", explicou.

Contratado na última janela, Freitas é esperança para o futuro no Flamengo –
Foto: GILVAN DE SOUZA/FLAMENGO / Jogada10

Como faz para manter os jogadores, Boto?

Outro assunto abordado na entrevista foi sobre o êxodo dos jogadores brasileiros rumo à Europa. Para o dirigente, afinal, a vontade dos atletas se sobressai, já que muitos possuem, desde criança, o sonho de atuar no Velho Continente. Assim, mesmo clubes ricos - como Flamengo e Palmeiras - encontram dificuldades para segurá-los no país.

"É muito difícil manter esse tipo de jogador, já que o sonho de praticamente todo garoto brasileiro é atuar na Europa. Mesmo clubes com uma situação financeira sólida, como o Flamengo ou o Palmeiras, enfrentam esse desafio. Em muitos casos, os próprios jogadores não querem permanecer; eles desejam dar o salto para o futebol europeu, e precisamos compreender isso. Acaba sendo quase uma obrigação vender esses jovens talentos para a Europa, o que impede que eles permaneçam no Brasil", revelou Boto.

"Transferência muito difícil", relembra Boto sobre Paquetá

Por fim, Boto explicou os obstáculos na contratação de Lucas Paquetá, a mais cara da história do futebol brasileiro. Não à toa, tal transferência foi uma das mais difíceis de sua carreira, facilitada apenas pela vontade de Paquetá retornar ao clube do coração.

Publicidade
Em fevereiro de 2026, Lucas Paquetá retornou ao Fla após anos longe –
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo / Jogada10

"Para começar, foi uma transferência muito difícil de negociar com o West Ham. As tratativas duraram dois meses e só foi possível concretizá-las por causa do desejo do próprio jogador de atuar pelo Flamengo. Caso contrário, posso garantir que teria sido impossível chegar àquele valor. Se o atleta tivesse optado por outro clube da Premier League, por exemplo, certamente não teríamos fechado o negócio. Fui eu quem conduziu as conversas pelo lado do Flamengo. Estou muito satisfeito por tê-lo contratado. Na minha trajetória como diretor esportivo, essa foi uma das negociações mais árduas de que já participei", finalizou.

Siga nosso conteúdo nas redes sociais: Bluesky, Threads,  Twitter, Instagram e Facebook.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se