A advogada e sócia do Corinthians Nadia Estolaski acionou o Ministério Público de São Paulo pedindo o afastamento cautelar de dirigentes e a nomeação de um administrador provisório. A representação aponta graves irregularidades financeiras e omissões da diretoria, incluindo o abandono de disputas judiciais sobre multas indevidas de até R$ 196 milhões cobradas pela Caixa na dívida da Neo Química Arena, além de crise fiscal profunda e falta de transparência com as autoridades.
A advogada e sócia do Corinthians Nadia Dorr Estolaski apresentou uma representação ao promotor Luiz Ambra Neto, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Entre as medidas solicitadas, estão novos questionamentos na investigação sobre uma possível intervenção judicial no clube. Além disso, inclui-se o afastamento cautelar de dirigentes apontados no documento como responsáveis por irregularidades.
De acordo com o portal "Meu Timão", a representação utiliza um laudo do perito Anísio Costa Castelo Branco para contestar o cálculo de uma multa de 10% aplicada pela Caixa no financiamento da Neo Química Arena. Segundo o documento, a instituição teria calculado a penalidade sobre aproximadamente R$ 487,4 milhões, no lugar de considerar os cerca de R$ 37,9 milhões em parcelas atrasadas em 22 de agosto de 2019.
Questionamentos sobre a dívida da Arena do Corinthians
Conforme os cálculos apresentados pela advogada, a diferença contestada chega a aproximadamente R$ 44,9 milhões. Com juros de mora, o laudo atualiza o valor para cerca de R$ 196 milhões até 30 de setembro de 2026. A representação afirma ainda que a diretoria conhecia os questionamentos, mas abandonou a discussão judicial em 2022, antes da realização da perícia.
O documento também questiona a colaboração do Corinthians com o Ministério Público. A advogada cita manifestação do promotor Cássio Roberto Conserino, da última sexta-feira (9), que apontou respostas incompletas a solicitações de informações e documentos. Além disso, ela relata restrições ao acesso do perito a materiais necessários para examinar a dívida com a Caixa.
A representação reúne ainda dados financeiros do clube, como déficit de R$ 278,7 milhões entre janeiro e julho de 2026, patrimônio líquido negativo de aproximadamente R$ 1,05 bilhão em julho e quatro parcelas tributárias vencidas relacionadas ao acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O balanço de 2025 do Corinthians registra saldo devedor de cerca de R$ 630 milhões no financiamento da Arena.
Em suma, Nadia solicita que o MP-SP entre com uma ação civil pública com pedido de urgência para afastar cautelarmente os dirigentes apontados, nomear um administrador provisório independente e exigir auditoria antes de novos acordos com a Caixa. Além disso, também pede documentos sobre a renegociação da dívida em 2022, a renúncia aos embargos à execução, as tratativas com o banco e o acordo tributário com a PGFN. Caberá ao Ministério Público avaliar os pedidos e decidir se apresenta uma ação judicial.
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