Presidente do Cuiabá critica Santos e Vasco: "Estelionato esportivo"

Cristiano Dresch questiona contratações milionárias de equipes em débito e cobra punições severas no futebol brasileiro

23 set 2026 - 21h34
(atualizado às 21h34)
Resumo
O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, criticou a falta de punições financeiras no futebol brasileiro e chamou a permanência de clubes endividados na Série A de "estelionato esportivo". Alvo de calotes milionários, ele citou Santos, Vasco, Corinthians e Botafogo como exemplos de concorrência desleal contra equipes que cumprem suas contas. Dresch defendeu que a CBF adote a perda de pontos, alegando que o atual transfer ban é insuficiente para frear gastos de times com dívidas em aberto.
Cristiano Dresch é o presidente do Cuiabá –
Cristiano Dresch é o presidente do Cuiabá –
Foto: AssCom Dourado / Jogada10

O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, fez duras críticas à falta de punições financeiras no futebol brasileiro e disparou contra a conduta de adversários da Série A do Campeonato Brasileiro. Em entrevista concedida à ESPN, o dirigente citou diretamente Santos e Vasco ao classificar a permanência de clubes endividados na elite nacional como um "estelionato esportivo". Para o mandatário, o atual sistema pune quem cumpre os compromissos em dia e premia quem acumula calotes no mercado da bola.

A revolta do gestor aumentou após a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) condenar a equipe santista a pagar mais de R$ 18,6 milhões aos cofres mato-grossenses. Desse modo, Dresch defendeu que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) adote sanções mais pesadas, incluindo a retirada de pontos na tabela de classificação para barrar a farra de contratações.

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Cobrança por perda de pontos e críticas ao Santos

Na visão de Cristiano Dresch, apenas o transfer ban já não assusta os times que ignoram as decisões judiciais e seguem reforçando os seus elencos. O dirigente usou o exemplo de Corinthians e Santos para ilustrar como a ameaça esportiva direta forçaria uma mudança imediata de postura entre os devedores.

"Esse problema existe porque nós vivemos em um mercado que não tem nenhum tipo de regulação e não tem punição. Hoje o transfer ban está se mostrando insuficiente, a gente precisa que tenha perda de ponto. Acho que se o Corinthians tivesse ameaçado de perder três pontos na tabela esse dinheiro já tinha saído de algum lugar", disparou o mandatário do Cuiabá.

Além de cobrar rigor no regulamento, Dresch questionou como o Peixe segue investindo pesado em reforços de ponta mesmo com débitos milionários pendentes. O dirigente lamentou que equipes organizadas como Mirassol e Remo sofram com o desnível técnico provocado por atletas contratados sem lastro financeiro.

"O Santos (…) o Vasco também, que deu um calote gigantesco, vão permanecer na Série A através de um estelionato esportivo. É muito grave, ruim para equipes como Mirassol, ruim para o Remo, que está com tudo em dia e vai cair. Como que um clube que está devendo R$ 18 milhões para o Cuiabá contrata um jogador pagando R$ 2 milhões, como o Santos contratou o Arthur, o Cebolinha, que vão fazer a diferença dentro de uma tabela de classificação. Foi lá em Belém e ganhou do Remo, vai ficar na Série A. Como funciona isso?", completou o presidente do Dourado.

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Cristiano Dresch é o presidente do Cuiabá –
Foto: AssCom Dourado / Jogada10

Situação financeira do Vasco e plano na CNRD

Outro alvo das declarações foi o Vasco, apontado por Dresch como exemplo de clube que utiliza mecanismos jurídicos para empurrar obrigações enquanto compete na primeira divisão. O mandatário também estendeu os questionamentos ao Botafogo, afirmando que o cenário atual gera uma concorrência desleal com quem paga as contas rigorosamente em dia.

"Como o Mirassol vê todo mundo contratando, gastando, e ele pagando em dia, fazendo sacrifício, e o Vasco que entrou com uma recuperação judicial deu um cano gigantesco, o Botafogo da mesma forma, permanecendo na Série A? Isso é injusto", finalizou.

Contudo, a diretoria do Cruz-maltino estruturou recentemente um acordo com a CNRD para quitar pendências com diversos credores no cenário nacional. No fim de agosto, o clube carioca pagou a primeira parcela do plano homologado. E assim sendo, afastou o risco de transfer ban em um passivo que ultrapassa R$ 110 milhões.

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