O Corinthians enfrenta grave crise financeira: encerrou julho com apenas R$ 8,9 milhões em caixa, queda de 40% em 12 meses, enquanto suas dívidas com empréstimos saltaram 56%, atingindo R$ 390 milhões. Com déficit acumulado de R$ 278,7 milhões no ano — superando em muito a meta orçamentária —, o clube recorreu à antecipação de receitas futuras para pagar salários e custos operacionais. Sem espaço para novos créditos junto a bancos e à CBF, a diretoria encerra o ano sob severa pressão de liquidez.
O Corinthians terminou o mês de julho com R$ 8,9 milhões disponíveis em caixa, de acordo com o balancete financeiro do clube. O valor representa uma redução de aproximadamente R$ 17 milhões em relação ao saldo registrado no fim de 2025. Em 12 meses, a queda chegou perto de 40%.
A redução do caixa ocorreu no mesmo período em que os empréstimos e financiamentos cresceram de forma expressiva. O Timão acumulava R$ 390 milhões nessa categoria até julho, contra R$ 250 milhões em dezembro do ano passado. O aumento de R$ 140 milhões equivale a 56%.
Corinthians recorreu a receitas futuras para manter pagamentos
A situação financeira também aparece no resultado acumulado do exercício. Entre janeiro e julho, o Corinthians registrou déficit de R$ 278,7 milhões. O prejuízo ficou R$ 200,8 milhões acima do valor previsto no orçamento para os sete primeiros meses do ano.
Para manter o fluxo de pagamentos, a diretoria antecipou receitas que entrariam nos meses seguintes. Parte desses recursos bancou despesas operacionais, compromissos financeiros, salários do elenco profissional e direitos de imagem de atletas do futebol feminino.
Além disso, o clube também recebeu antecipadamente valores previstos no contrato de patrocínio máster com a Esportes da Sorte. A operação ocorreu antes das mudanças regulatórias que atingiram o mercado de apostas e colocaram o futuro do acordo sob pressão. A CBF também realizou repasses ao Corinthians durante a temporada, mas recusou um novo pedido de antecipação feito pelo clube em setembro.
Sem novas entradas desse tipo, a diretoria precisou buscar alternativas para honrar compromissos imediatos. Os salários e pagamentos da comissão técnica referentes a agosto, por exemplo, venceram no início de setembro e foram quitados com atraso após uma nova antecipação de receitas.
O crescimento dos empréstimos, entretanto, não significa que o Corinthians mantenha o mesmo espaço para buscar dinheiro no mercado. O clube encontra resistência de bancos e instituições financeiras para novas operações de crédito, cenário que reduz as alternativas disponíveis para enfrentar a falta de caixa. Dessa forma, a administração entra na reta final do ano sob forte pressão financeira.
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