Corinthians não declara R$ 150 milhões em receitas no RCE, diz perícia

Plano de centralização de dívidas impede bloqueios na conta da agremiação e é contestado por credores; clube descreve situação como 'valor gerencial de caixa que será conciliado à contabilidade'

17 mar 2026 - 20h42
(atualizado às 20h46)

O Corinthians deixou de declarar aproximadamente R$ 150 milhões em suas receitas nos documentos enviados ao Regime Centralizado de Execuções (RCE). A ausência dos valores foi identificada pela perícia designada para tratar do assunto, conforme informado pela ESPN e confirmado pelo Estadão. O documento com a análise dos números foi anexado aos autos do processo no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O clube diz não ter sido "formalmente intimado sobre a manifestação. Também afirma que o caso trata-se de "um valor gerencial de caixa que será conciliado à contabilidade, conjuntamente ao administrador judicial".

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O RCE é um mecanismo jurídico adotado pelo Corinthians para organizar e parcelar cerca de R$ 200 milhões em dívidas cíveis e trabalhistas, concentrando processos em uma única vara judicial. Ele evita bloqueios de contas bancárias, permitindo pagar credores de forma ordenada com receitas do clube, visando reestruturação financeira.

Parque São Jorge, sede social do Corinthians.
Parque São Jorge, sede social do Corinthians.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

De acordo com a análise da perícia, realizada pela Laspro Consultores, o Corinthians declarou um total de R$ 64.202.368,75 ao RCE nas receitas referentes a fevereiro de 2026. Em contrapartida, a análise indicou que o clube arrecadou de R$ 213.414.738,29 no período analisado. A diferença nos números é de R$ 149.212.369,37.

Ainda de acordo com o perito, a variação ocorreu porque o Corinthians deixou de levar em consideração os valores referentes a "operações financeiras" (R$ 76.878.105,68), "transferência" (R$ 65.508.053,90) e "negociação de atleta" (R$ 6.826.209,79).

O perito pediu à Justiça que o clube seja intimado para explicar a diferença nos valores e determinou o que o clube disponibilize os recursos decorrentes de operações de venda de jogadores para a realização de leilão reverso, observando-se que se ausência do valor não for comprovada, o clube terá de completar o valor que deveria ter sido pago em fevereiro de 2026 no período seguinte.

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