O Corinthians demitiu o diretor de tecnologia Marcelo Munhoes em meio à crise política que antecede as eleições presidenciais. Munhoes atribui sua saída a disputas eleitorais e ao desgaste por conduzir uma auditoria interna que apontou falhas e desvios de R$ 6,4 milhões em notas fiscais, envolvendo o vice-presidente Armando Mendonça, que virou réu na Justiça mas nega irregularidades. O presidente Osmar Stabile anunciou que não tentará a reeleição para focar nas finanças do clube até o fim do mandato.
A disputa política no Corinthians ganhou um novo capítulo com a saída de Marcelo Munhoes da diretoria de tecnologia. O presidente Osmar Stabile comunicou o desligamento na noite de quinta-feira (15), de acordo com informações do "Meu Timão". Logo após a decisão, o profissional perdeu o acesso aos sistemas e às ferramentas internas do clube.
Munhoes atribuiu a saída a razões políticas. Integrante da chapa "Acelera Corinthians", afirmou que o grupo apoia Rozallah Santoro na disputa presidencial, posição que o colocaria em oposição a uma eventual candidatura de Stabile à reeleição. O atual presidente, porém, anunciou na quinta-feira que não concorrerá ao cargo e pretende concentrar os últimos meses de mandato na reorganização financeira do clube e nas negociações sobre a dívida da Neo Química Arena.
Auditoria ampliou o conflito nos bastidores do Corinthians
A saída também ocorre após meses de tensão envolvendo uma auditoria interna conduzida por Munhoes entre setembro e novembro de 2025. O relatório, com 94 páginas, identificou falhas no controle de estoque de materiais esportivos, possíveis desvios e problemas no registro de notas fiscais da Nike. O documento apontou mais de R$ 6,4 milhões em notas que não teriam sido lançadas no sistema oficial do Corinthians.
O levantamento citou Armando Mendonça, segundo vice-presidente do clube, por supostas retiradas irregulares de mais de 130 itens. Mendonça negou irregularidades e afirmou que as retiradas ocorreram conforme as normas internas. Além disso, também contestou os dados da auditoria, alegou falhas técnicas e acusou Munhoes de perseguição política. O conflito chegou à esfera judicial, com uma ação por calúnia movida pelo dirigente contra o ex-diretor.
Em junho de 2026, o Ministério Público de São Paulo denunciou Mendonça, e a Justiça aceitou a denúncia, tornando-o réu por acusações que incluem apropriação indébita qualificada, furto qualificado por abuso de confiança e coação no curso do processo. As acusações ainda serão analisadas judicialmente, e Mendonça nega as irregularidades. Por outro lado, a Justiça paulista anulou o processo ético-disciplinar aberto pelo Corinthians contra o vice-presidente, ao apontar problemas no procedimento interno.
A mudança na diretoria de tecnologia ocorre às vésperas da eleição presidencial no clube, marcada para 28 de novembro. Cinco candidatos tiveram seus nomes inscritos dentro do prazo: Ilmar Schiavenato, José Augusto Mendes, André Castro, Sérgio Janikian e Rozallah Santoro. Com a disputa eleitoral em andamento e divergências internas ainda sem desfecho, o episódio amplia a instabilidade política no Parque São Jorge.
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