Diversos medalhistas olímpicos criticaram o presidente da Federação Italiana de Futebol (Figc), Gabriele Gravina, após ele afirmar que as outras modalidades esportivas no país são "amadoras".
O polêmico comentário do cartola foi feito durante uma coletiva de imprensa, logo após a derrota da Azzurra para a Bósnia e Herzegovina, resultado que ampliou o jejum da tetracampeã em Copas do Mundo. Ao ser instado a comparar o novo fracasso da equipe com a era dourada do esporte italiano, Gravina declarou que o futebol é "profissional", enquanto as demais modalidades seriam "amadoras".
"Os verdadeiros profissionais somos nós, que competimos e vencemos pela nossa camisa e pelo nosso país, enquanto vemos jogadores milionários nos fazerem passar vergonha. Eu treino mais do que um jogador de futebol, ganhando menos do que seus cozinheiros ou suas babás", escreveu Irma Testa, primeira boxeadora italiana a conquistar uma medalha olímpica, bronze em Tóquio.
Já o patinador de velocidade Pietro Shigel, que competiu nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina d'Ampezzo, demonstrou disposição para substituir os jogadores da Azzurra. O biatleta Tommaso Giacomel, por sua vez, ironizou o fato de Gravina ter indicado que o tenista Jannik Sinner, atual número 2 do mundo, seria "amador".
"Só quero dizer que tenho orgulho de fazer parte dos 'amadores' que sofrem e dão tudo de si para ganhar medalhas vestindo a camisa da Itália, mesmo sem receber milhões em troca. Garanto que as horas de treino são as mesmas, se não maiores", escreveu o esgrimista Tommaso Marini, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Paris, no florete por equipes.
Em entrevista à ANSA, o atleta italiano Simone Alessio, medalhista de bronze nos Jogos de 2024 no taekwondo, afirmou que as declarações de Gravina foram "ofensivas" e demonstraram falta de lucidez.
"Os comentários de Gravina, embora possam ter sido ofensivos, não me afetaram diretamente, pois estou verdadeiramente muito decepcionado. Ainda assim, chamar de amadores todos os atletas de outras modalidades em que a Itália compete é uma declaração sem lucidez. As palavras dele me fizeram rir. Acredito que o profissionalismo não se baseia apenas em quanto dinheiro você ganha ou em quem te paga, mas no que você conquista ao longo da carreira", analisou o atleta.
A Itália não disputa a Copa do Mundo desde 2014, no Brasil, quando foi eliminada na fase de grupos, e não joga uma fase de mata-mata do Mundial desde a campanha do tetracampeonato, em 2006, na Alemanha. .